20 julho 2010

UM MAMOEIRO

Um mamoeiro cordato
Puro silêncio  e distinção
Vulto retilíneo sob a chuva fina
Sem a companhia de ninguém
Amontoado de seios verdes
Como olhos tristes voltados para o chão
Sem o açoite do vento
 Salpicado pela persistência da chuva
Em suas folhas largas e indiferentes
Sem voz alguma que lhe denote a existência
Seja de  figueira, sofrê, limeira ou sabiá
Apenas a solidão retilínea
O toldo vazio no abandono do tempo.


Um comentário:

baltazar disse...

Que horrorr este poema, sentir-me planta, a garoa, chivisco, "nublina" caindo nas minhas folhas, tudo gélido, sem nenhuma alma viva, nem mesmo uma raposa velha para sobir em meu tronco, ou tentar a subida. Exelente visualização da imagem, do sentimento de não ser e ser árvore. Transfiguração simbologica de um ser noutro. Porque quando li eu me transformei naquele mamoeiro que ficava lá no meio do nada só terra e por todos os lados.