30 dezembro 2009

POR UM 2010 MAIS CRÍTICO!

O ano chega ao fim. É hora de fazer um balanço da vida: das conquistas, das perdas, dos pontos que precisam melhorar e planejar um 2010 mais equilibrado, mais vigoroso e com mais siso ainda. Cá do nosso lado, nós continuaremos apostando nossas fichas no aprimoramento da capacidade crítica, no desenvolvimento de uma consciência livre, sem qualquer resquício de embotamento ou lavagem cerebral de esquerda ou direita ou do raio que seja. Há muita, mas muita gente mesmo em Uibaí incapaz de fazer leitura crítica, incapaz de ler com certo equilíbrio a realidade uma vez que tem a alma tomada por chavões e condicionamentos plantados pelas ideologias de esquerda e de direita que não lhe permitem ir além de rótulos e maniqueísmos artificialmente enxertados no dia a dia. Que maldição! Que pobreza é ter a vida, os desejos reduzidos a esse mecanicismo lógico (quase ilógico). É com essa preocupação pedagógica em banir os rótulos e truques que impedem as pessoas de julgar que seguiremos rumo a 2010. HÁ BRAÇOS!

23 dezembro 2009

ACAMPAMENTO CULTURAL, UMA BOA IDEIA.




Começou esta semana, no Grêmio Cultural Voz do Povo, o Acampamento Cultural. Segundo Rui de Oliveira, diretor da Aupac, a intenção é reunir a juventude até a virada do ano numa convivência permeada por música, poesia, teatro, cinema e demais manifestações culturais que forem surgindo. Os participantes, artistas e interessados vão ficar mesmo acampados no Grêmio. O acampamento vai reunir gente de Uibaí, Irecê, São Gabriel e vizinhança. Vai ser um momento interessante de troca de experiências e uma forma criativa de se livrar da mediocridade comercial e enfadonha, meramente etílica, em que transformaram as celebrações de final de ano. HÁ BRAÇOS!



21 dezembro 2009

DIAS EM OLIVENÇA

O mar azul de Olivença visto da varanda, numa foto de Líris .
Esta é uma tarde tranquila aqui em Olivença, aliás, como qualquer tarde dos dias que me acolhem nesta beira de praia do sul da Bahia. Ontem mesmo acho que começou a temporada de verão por aqui. Por essas bandas tudo vai mais ou menos devagar, como naquele poeminha do Drummond. As casas vão-se colorindo aos poucos para receber os turistas, um homem escala a prestações um coqueiro que pende para a lambida das ondas... O mar é azul como nunca, como jamais. É o que constato ao levantar por alguns segundos as vistas, ocasião em que o horizonte me inunda com água trepidando entre coqueiros e cabanas rústicas.
Tenho ótimas companhias... Minha esposa Anairam e nossas duas filhas, Líris e Sofia, partilham estes dias... Estou em família. Com sua claridade natural, Anairam se esgueira do brilho da manhã sob uma cabana plantada na areia. Anairam é bonita como é, não precisa de sol. Líris avança, destemida, rumo às ondas que se quebram na areia branca, a pele já dourada como a do caboclo que desce da barcaça ao lado com uma vara de pesca e um gancho ornado de pequenos peixes na mão. Mas alguém observa mais atentamente tudo, é Sofia. Ela arregala os olhos para o tempo e engole tudo. A menininha no carrinho azul balança um bonequinho de borracha enquanto traduz o mundo dos adultos e a natureza ao redor em sorrisos, balbucios e agitação. Sofia já sabe um bocado do nosso mundo. Olha para o mar, olha para a mãe, olha para esse escriba meio encoberto pelo computador, dá um sorriso e despreza os detalhes.
A tarde segue a conta gotas. De volta para casa, nos retemos cá no Bar e Restaurante Esperança. Minha amiga Gilda vem tagarelando lá de dentro com o periquito Juca no ombro. A cerveja gelada e a mandioquinha crocante ajudam a puxar o fim da tarde. Dizem que aqui é terra de Tupinambá... Minha mãe dizia que a bisavó dela, Maria Júlia, foi pega a dente de cachorro, uma referência direta à “delicadeza” com a qual os colonizadores do sertão baiano submetiam os índios. Minha mãe falava isso com certo orgulho, como se fosse alguém que descendia de uma estirpe que não caiu na conversa fiada dos invasores, que não trocou a alma por espelhinhos ou qualquer forma maquiavélica de sedução. A declaração de minha mãe me diz muito. Diz inclusive que sou tataraneto de índios. Isso é bom...
 Ainda não estabeleci contato com os tupinambás, mas daqui da varanda do Esperança, com a brisa do mar acariciando o rosto, ouço diariamente o zoar das toyotas da Funai, num sobe e desce danado, indo e voltando das reservas. Assim, vou tecendo os fios desses dias baianos, tropicais, litorâneos. E enquanto contemplo minha amiga Gilda se distraindo com o periquito no balcão do Bar Esperança, me agrada pensar, cheio de esperança, que estou em casa. Há braços!
alan oliveira machado, Olivença, 19 de dezembro de 2009.

20 dezembro 2009

OS CHEFÕES E O LADRÃO DE GALINHAS


Há décadas o Distrito Federal vem sendo saqueado por governos seguidos. Na cabeça da máfia que gerencia o esquema de saque está Joaquim Roriz. Roriz é, desde sempre, o grande chefão de todo o esquema de corrupção do DF, inclusive do mensalão que estourou agora nas mãos do governador Arruda. Arruda é cria de Roriz, mas ao que parece depois da queda de Roriz no Senado a coisa desandou no interior da máfia do governo. Na verdade, Arruda é um ladrão de galinhas perto do chefão Roriz, porém parece que Roriz está blindado pelo planalto desde o primeiro mandato de Lulla, quando se elegeu no DF usando toda a máquina pública escancaradamente e deixou o candidato do PT chupando o dedo em segundo lugar. Todo o esquema de uso da máquina pública foi descoberto, o PT DF entrou na justiça para impedir a posse de Roriz, mas o Planalto, numa negociata regida por Zé Dirceu, garantiu o mandato de Joaquim Roriz e passou um cala boca nos petistas revoltados do DF. Mais tarde veio o famoso Mensalão do PT, regido pelo trio Delúbio/Dirceu/Genoíno e o PMDB de Roriz (na época) ofereceu o ombro amigo a Lulla, que estava sob risco de impeachment.

Uma coisa não deixa de ser engraçada (para não dizer odiosa) nesse teatro eleitoral em que se tornou o Mensalão de Arruda. Qualquer um que acompanhou o silêncio protetor do PT na época do mensalão petista tem que fazer uma forcinha para não rir da cara de pau dos petistas fazendo passeata pedindo o “fora Arruda”, impeachment nele etc. Jesus Lulla de Garanhuns deve ter reformulado aquela máxima do Jesus de Nazaré: “quem não tiver pecado que atire a primeira pedra” para “quem for mais picareta que atire a primeira pedra, companheiros”! Arruda tem que ser castigado, tem que ser banido da política, mas bem que ele poderia levar Lulla, Roriz, Sarney, Renan, Collor e muitos outros com ele. HÁ BRAÇOS!



19 dezembro 2009

LULLA, O BLEFE DO BRASIL


Vem aí a maior peça eleitoral de todos os tempos. O maior trunfo publicitário de 2010. A jogada marqueteira que promete desatolar a desastrada candidatura da tiazona autoritária Dilma Rouseff para presidente. (aquela que disse que era doutora sem ser). Vem aí o filme “Lulla, o filho do Brasil”. 90% ficção e 10% biografia, 99% endeusamento 1% falha de montagem. Faltou pouco para o diretor Barretão botar uma manjedoura e os três reis magos na cena do nascimento do Lulla fictício. Lulla já se acha mais sublime do que Jesus, aliás, ele é aquele Jesus que se alia com Judas para ferrar o povo. Agora, com o filme, ele se tornará imbatível. Vai fazer inveja a Hugo Chaves que teve de pagar uma fortuna em petrodólares para o patife Oliver Stone inventar uma biografia dele.

18 dezembro 2009

SEM CPMF, A SAÚDE CONTINUA A MESMA MERDA!

Em 2007, é sempre bom refrescar a memória, o governo Lulla atuou agressivamente na zona cinzenta com o objetivo único de manter a cobrança da CPMF. A CPMF era um imposto maldito criado para resolver os problemas da saúde no país, mas que nunca foi usado para tal fim. Anualmente, o governo arrancava mais de 40 bilhões das contas dos cidadãos e espalhava em todo tipo de politicagem. Enquanto isso, a dengue se alastrava, as doenças mais sem vergonha se espalhavam pelas áreas urbanas e os hospitais e postos de saúde padeciam sem equipamentos, médicos e medicamentos. Nem precisamos dizer que depois de centenas de bilhões roubados das contas de cidadãos comuns, com a CPMF, a saúde continua na mesma. Pelo menos em 2007 ainda existia algum resquício de oposição que, organizada, derrubou a maldita CPMF.

17 dezembro 2009

RUMO AO TOTALITARISMO VERMELHO


O governo lulista gastou uma pequena fortuna para realizar a conferência nacional de comunicação (confecom). Declarou gasto de seis milhões. Delubianamente falando, é claro que o “dinheiro não contabilizado” deve ser o triplo do declarado. A conversa fiada é aquela de que a mídia precisa ser democratizada. Realmente a mídia precisa ser democratizada, pois 80% dos meios de comunicação estão, de uma ou outra forma, sob o jugo do governo petista e isso não é mesmo democrático. Ocorre que o objetivo governista na confecom é criar normas para amordaçar a liberdade de expressão, é atingir “democraticamente” os 100% de controle dos meios de comunicação. Lulla busca o aperfeiçoamento do que HugoChaves fez a pulso na Venezuela. A técnica é a mesma: eles compram o que podem comprar da imprensa. Quando atingem o domínio da área, usam a seguinte técnica: por meio da própria mídia, 80% dominada, começam a acusar a imprensa de golpista, de mentirosa, antidemocrática etc. com a única finalidade de gerar ânimo e pressão suficientes para converter ou destruir os 20% resistentes. A democracia que a turma de Lulla busca a qualquer custo é a mesma que grassa em Cuba há cinquenta anos, ou seja, uma merda de um regime totalitário fracassado que só beneficia a dinastia que está no poder. HÁ BRAÇOS!

16 dezembro 2009

CHOCANDO OVO DE SERPENTE



Não precisa ler “Arte da Guerra”, “O Príncipe” ou algo que o valha para saber que, em princípio, em política não se elege contendor. Quando coisa parecida acontece não é impossível imaginar com certa convicção o que o povão, já calejado pelas manobras da política, costuma bradar a ceu aberto: “não existe almoço grátis”! Traduzindo, se existe apoio do mais adverso segmento ou ao mais distinto adversário esse apoio certamente se converterá em algum lucro, seja monetário ou propriamente político. Melhor dizendo, ganham-se alguns cargos, alguns espaços para negociar ou mesmo um troco. Essa face da política dificilmente aparece no palco (ou dificilmente é admitida em público), ela é algo estritamente do bastidor e se mostra no que o filósofo José Gianotti chamou de “zona cinzenta da política”. Nesse território, como já dissemos por aqui em outro texto, ideologia, ética e moral perdem a solidez e ganham uma maleabilidade desfigurante.
Pessoas com rigidez ética, moral ou ideológica jamais recebem passaporte para a zona cinzenta, quando conseguem atravessar o seu véu não sobrevivem lá por muito tempo. O que predomina na zona cinzenta é o poder cru e nu. É o jogo que determina o exercício do poder. A hegemonia no poder depende da movimentação na zona cinzenta e esta é instável, se constitui muitas vezes de negociatas truculentas e exigências espúreas. Por isso, ninguém se segura por muito tempo no centro das decisões na zona cinzenta. Há certa sobrecarga de interesses subjetivos e particulares, contraditórios e até mesmo irracionais em intensa circulação na zona cinzenta, o controle desses interesses garante a aparente estabilidade do grupo que atua hegemonicamente no palco da política.
Nessa perspectiva, como qualificar os apoiadores desencantados ou não do grupo que está no poder na Canabrava? Se formos acreditar na ingenuidade deles, vamos ter de concordar que eles são imbecis e fizerem papel de idiotas, uma vez que se prestaram a chocar ovos de serpente para agora terem que se esquivar da peçonha dos rebentos. Poderíamos imaginar coisa mais vergonhosa ainda: que esses apoiadores entraram na zona cinzenta e saíram de mãos abanando, não restando alternativa a não ser choramingar, espernear e se autodenominar nova oposição. Aliás, uma “nova oposição” que não faz oposição, que não critica, que não mostra porque passou a ser “oposição” e a que se opõe exatamente. Uma “oposição” que mete o porrete em quem joga pedra no ninho de serpentes e trata os gestos mais pilantras, a bandidagem que reina no ninho do poder com tantos eufemismos e elipses que até parece aquelas mães desesperadas tentando ver o lado bom do filho meliante. Deve ser isto: chocar ovos de serpente desperta o instinto maternal. Há braços!



15 dezembro 2009

A PATACOADA AMBIENTAL

Ninguém aguenta mais essa conversa de aquecimento global... Essa pantomima publicitária vem enriquecendo um monte de malandros, incluindo o próprio Algore, pai da peça. Agora mesmo tem um monte de gente reunida em Copenhagem para fazer altos negócios. Isso mesmo. Gastar dinheiro público e fazer negócios particulares, para isso serve a tal cúpula do clima. Hoje mesmo a ministra Dilmona candidata do PT mostrou o que foi fazer lá. Disse, num ato falho fulminante que "o meio ambiente é um empecílio ao desenvolvimento" . Isso mesmo, vamos destruir o meio ambiente, esse malvadão!kkkk As últimas pesquisas científicas mostram que o gelo vem aumentando nas calotas polares. Será que esse povo ainda vai continuar a mostrar aquele pedaço de gelo caindo na propaganda de TV? Quem aguenta ver urso polar e pedaço de gelo derretendo na frente depois de quase dez anos esse pessoal repetindo a mesma coisa? Vamos ver como eles vão explicar o crescimento do gelo nos polos provocado sobretudo pelo buraco na camada de ozônio. Isso mesmo, o super malvadão buraco da camada de ozônio tá fazendo o gelo aumentar... È o que mostra a pesquisa divulgada  recentemente. A tese do aquecimento, baseada na propaganda do gelo caindo e do crescimento da camada de ozônio foi demolida. E agora, como ficarão os negócios? Pensando nas cenas que a TV mostra da cúpula de Copenhagem, o que é mais deprimente, aquele pessoal fazendo comércio lá dentro com o dinheiro público ou aquele pessoal que fica fazendo quebraquebra lá fora? O ridículo está nos dois lados, é patético. Há braços!

06 dezembro 2009

RESPONSABILIDADES E RECOMPENSAS


Lógica estranha essa que persiste no Brasil. Aqui, os melhores têm muitas responsabilidades e poucas recompensas, ao passo que os piores têm muitas recompensas e quase nenhuma responsabilidade. Essa é uma lógica que atravessa os mais variados segmentos sociais. Nem precisa dizer que grande parte dos políticos se destaca na categoria dos piores. Há braços!

01 dezembro 2009

LIÇÃO DA NATUREZA

No início desta tarde chovia aqui no bairro. O tempo sombrio açoitava o telhado com rajadas intermitentes. Eu corri, como sempre, para a janela. Aninhado no parapeito assistia à suspensão gradual da chuva e aos fios de água formando uma cortina cristalina ao longo do telhado. A chuva é agradável, o sombrio dela não tem nada de melancolia. Não vejo negatividade naquele ceu tingido de cinza, baixo e disforme como o teto de uma tenda árabe. Na verdade, corro à janela comumente para contemplar o viço das árvores gotejando e a corredeira que se forma à margem da rua.

Assistir à água descambando rua abaixo é uma experiência maravilhosa. A água é alegre, forte e vibrante. Aquele barulho, uma espécie de tagarelar líquido, me lembra a Fonte Grande no  verde, como o canabrabeiro costuma dizer. E se a gente se detém olhando a água corrente sente a força e determinação com que ela avança rumo ao seu destino. Mas há também humildade na força vibrante da corredeira: ela não enfrenta tudo  como se fosse invencível, pelo contrário, se curva a certos obstáculos, desvia-se de outros, muito embora atropele e até arraste alguns que querem ser mais do que são.

A água não vai além da sua medida. Ela mostra sempre ser o que é e pronto. A água que escorre agora na borda da rua tem um objetivo e segue obstinada rumo a alcançá-lo, sem saltar fora da sua própria medida. Ao contrário de muitas pessoas, a água não quer ir além do que é e nem aceita ser menos. Contemplar silenciosamente a água da chuva descendo em enxurrada é uma lição. Há sabedoria naquele movimento inexorável da natureza. Tenho para mim que ele nos diz: seja alegre, vibrante, siga firme o seu destino, não se abata por obstáculos minúsculos e seja flexível com o que vai além de suas forças. Mas siga, siga sempre... alegre e vibrante em direção a seus objetivos. Essa é a boa lição da natureza. Há braços!

27 novembro 2009

BOCA DO INFERNO 47


Ôioioi... Meurimãozim! Como sempre diz o nosso simpático Soizinha lá do rumo do Cascalho. Quarenta e sete edições não é brincadeira. Fora, é claro, uma porrada de outras publicações adicionais do Boca do Inferno como as "edições boca do inferno" e os "boletins". Nós somos osso duro, meurimãozim! Duros como Soizinha que vai driblando o preconceito e a imbecilidade canabrabeira com toda aquela ginga africana, com aquela malemolência e alegria com a qual ele atravessa as ruas da Canabrava, distribuindo simpatia no gestual e nas tiradas cheias de deboche e ironia. Soizinha encarna uma boa maneira de navegar no meio hostil da tribo deprimente que a Canabrava insiste em continuar a ser. Nós não somos tão zombeteiros  como Soizinha, às vezes temos que levantar o porrete e dar vergonha a alguns. Bom... Mas fica aqui a nossa homenagem a Soizinha. Há braços!

NADA ALÉM DO UMBIGO

Esses dias, enviaram aqui para a nossa redação um convite para a festa da Casa de Estudantes do Poço de Uibaí em Brasília. A gente, particurlarmente não tem nada contra as pessoas se associarem do jeito que quiser. Mas é de uma boçalidade indescritível criar uma nova casa de estudantes de Uibaí em um lugar onde já há uma casa de estudantes de Uibaí (Ceubras) ,que inclusive vive em crise por falta de moradores. Pior! Parece que quem está por traz da coisa é gente que foi da diretoria da Ceubras, sobreviveu em Brasília a custa da Ceubras etc.

Respeitamos a comunidade do Poço e temos certeza de que essa boçalidade não representa o sentimento daquele povo. Trata-se mais da articulação de um jogo privado de interesses. De uma demarcação ressentida de território , possivelmente para uso político local. É o velho, míope e mediocre sentimento de gueto, que nunca abandonou certas cabeças de certos cabeçudos do Poço, mostrando as garras. Daqui a uns dias, não se surpreendam se esses inteligentíssimos guerreiros da tribo do nariz colado no umbigo inventarem um movimento pela independência do Poço.  Aí certamente a comunidade do Poço vai ter que dizer para eles que o Poço não é o fundo do poço. Há braços!

25 novembro 2009

UIBAÍ, AS OPOSIÇÕES E AQUELES QUE TÊM MEMÓRIA CURTA.

Praça Inquieta,2003, um tapa na cara dos farsantes oportunistas que se diziam de esquerda.




Faz parte da democracia a liberdade, a pluralidade, o respeito à diversidade de opiniões, as derrotas e as vitórias. A democracia é um caminho que se faz caminhando. Não há nada de excepcional em facções descontentes reconhecerem seus erros, suas imprudências, romperem e recomeçarem – mudarem de partido, ou, até mesmo, fundarem um novo. O importante é não perder as referências históricas de luta. Agora o que não deve acontecer é permitir que o exacerbado ego provoque “perda” de memória, de vergonha na cara e, consequentemente, de respeito pelo próximo, por cidadãos que sempre fizeram oposição em Uibaí, aqueles que têm prudência e responsabilidade com a coisa pública; aqueles que estão onde sempre estiveram e que não precisam romper porque não fizeram composição. 
Agora, cá para nós de oposição, oportunismo tem limite. Forjar uma história política e uma filiação partidária de um indivíduo avesso e estupidamente estranho às origens e aos ideais de um partido político; lançar a candidatura desse elemento por três vezes consecutivas; apoiar alianças com o “diabo”, acordos e composições espúrias, desse indivíduo e de sua “turma”; jogar no esgoto da história  três décadas de luta (que não lhe pertencem); e depois da “merda” feita vir se intitular de nova oposição! Tenha santa paciência! Não subestime a inteligência do povo.
Ao que me consta, tudo, absolutamente tudo, é ideológico. Até mesmo a ciência que ao longo da história se afirmou imparcial, não ideológica, já reconheceu sua parcialidade. O que está por detrás de todo postulado científico é a mão do homem com seus sonhos, suas escolhas, suas ideologias. Portanto se ARENA e MDB, como li num desses textos intencionalmente desmemoriados que rondam por aí, em algum momento da história se disseram não ideológicos, mentiram e tiveram por ideologia mentir.  É ideológico, por exemplo, tentar apagar da histórica esquerda de Uibaí cidadãos que sempre fizeram oposição, pelo simples fato de estes não terem apoiado o atual governo local.
A análise de conjuntura que qualquer cidadão faz do cenário político de Uibaí, hoje, é a de que existem quatro linhas de situação (direita) e permanece apenas uma oposição (esquerda). O que faz a diferença entre as facções de governo é que apenas duas estão no poder. Traduzindo ao pé da letra: um grupo composto pelos que sempre mamaram, porém perderam as tetas (está fora do poder); outro grupo com a mesma origem do primeiro, composto por elementos que também sempre mamaram e continuam mamando (está no poder e é majoritário); um terceiro grupo de “salvadores da pátria”, a nova elite oportunista, os “cara-vermelha”, estes sonhavam com o poder a qualquer custo, com o único objetivo de, igualmente aos outros, defenderem seus interesses privados (está no poder e não vai querer largar esse osso); e a quarta linha que é, de fato, completamente diferente das demais, a começar pelas caras que estão quebradas, é composta por figuras politicamente irresponsáveis e que vão pagar caro pelas escolhas que fizeram (está fora do poder). Esse segmento cheio de ressentidos está  à procura de rumo e ousa se apresentar como nova oposição.
A real oposição política em Uibaí não fez parte desse jogo sujo, não fechou os olhos para as alianças podres, não se calou. A real oposição política em Uibaí, por volta de 1999 já agia em descompasso com todos os segmentos listados acima. Enquanto os libertadores de Uibaí faziam alianças, a oposição concreta denunciava todo esse movimento traiçoeiro, fazendo educação política e trabalhando a formação de opinião, com vistas a fortalecer a cidadania, via Revista Boca do Inferno. Essa legítima oposição lançou em outubro de 1999 o manifesto: Nós, a esquerda e UIBAÍ rumo ao século XXI, no Círculo Operário do Cruzeiro, contra a primeira candidatura de Pedro Rocha, em 2004 se pôs novamente contra a trupe da "libertação e reconstrução" e até lançou o slogan: "Frente de Libertação do Patrão que Existe dentro de Você", em 2008 mais uma vez combateu a frente que costurava  o nome de Pedrinho para a terceira tentativa. Qualquer um que leu do número 10 ao número 40 do Caderno Boca do Inferno sabe disso.
Por último, gostaria de comentar mais uma afirmativa do texto desmemoriado(para não dizer outra coisa) de que “ou se luta unido para tentar construir, com o que tem compromisso com uma Uibaí mais justa, sem corrupção, sem nepotismo, sem fisiologismo, ou entrega no próximo pleito a administração aos que sempre defenderam essas práticas”. Entregar mais o que? Já entregaram tudo, é fato consumado. Acorda!! Que diferença há entre os donos do poder em 2004 e os donos do poder em 2008? Quem já mandava, continuou mandando, se garantiu sozinho e comprou quem esteve à venda. Querem mais princípios socialistas? Chega! Esse princípio é perigoso, pois ele socializa demais: Se você me der 203 votos daremos o cargo de vice para seu filho, assim me será socializado um salário na Câmara Legislativa Municipal. No futuro, se melhorarmos no quesito “solidariedade socialista”, você volta para a Câmara Legislativa Municipal e, de lambuja, traz seu filho para o cargo de advogado. Mas tem uma condição, aliás, duas, ou melhor, três: queremos garantir a vaga de Prefeito, um salário de vice e uma vaga na Câmara Legislativa Estadual. Em Uibaí está sobrando ideologia socialista, gente!
Cá estamos nós, a tempestade. Temos a paciência histórica, não fazemos alianças sujas, não vendemos o que não nos pertence, não somos e nem queremos o povo como massa de manobra,  respeitamos  diferenças, mas seremos impiedosos com os impostores que tentam apagar a história, tão somente para favorecer os interesses de suas panelinhas.


Florentina Oliveira Machado



22 novembro 2009

BOCA DO INFERNO NO TWITTER

O Caderno Cultural Boca do Inferno desde o mês passado tem o seu Twitter. O Twitter é uma espécie de microblog onde diariamente se posta alguma notícia curta sobre as atividades que estão sendo realizadas pelo proprietário ou algum acontecimento que o toca. O termo "twitter" significa gorjeio. No Twitter, então, a gente exterioriza os nossos trinados diários. A gente dá os nossos chutes curtos, mas bem no meio da canela. E como o Twitter é uma rede, a gente espera ir cruzando os fios que estruturam o dia a dia, feito o    poema abaixo, de João Cabral, "Tecendo a manhã".  Como sempre vamos territorializando espaços dentro da comunicação online. Para conhecer o nosso Twitter basta acessar o endereço: http://twitter.com/gbocadoinferno                 HÁ BRAÇOS!


Tecendo a Manhã



1
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.


2

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

(João Cabral de Melo neto, A Educação pela Pedra)



20 novembro 2009

HEROIS SÃO REACIONÁRIOS

Zumbi foi o mito construído para servir às causas raciais brasileiras. Tudo bem, correto! O Brasil é uma lástima no que tange à igualdade de oportunidades, principalmente quando a origem da pessoa é negra, digo, visivelmente negra. Quem tem fenótipo negro, indígena, quem é pobre... está igualmente mergulhado no lodo dos piores tratamentos e desrespeitos.  Mas mito é sempre coisa complicada. Deixamos de acreditar em mitos desde quando analisamos aquele Tiradentes, estereótipo de Jesus Cristo, com a forca no pescoço vendido como  heroi da pátria nos livros de história ao longo dos anos. Ou mesmo aquele Jesus ariano de olhos azuis e tez rosada distribuído as pampas aos católicos e cristãos em geral. Respeitamos a luta contra qualquer discriminação, participamos da luta, mas cá pra nós heroi é um conceito reacionário e desonesto. Não temos herois, não queremos herois. Herois são feitos de intenções de manipulação, escamoteiam a verdade. É nossa a luta dos oprimidos, dos massacrados, mas com toda franqueza: danem-se com esse papo de Zumbi. Aliás, a gente gostaria muito de saber quantas chibatadas o tal Zumbi desferia por dia nos seus escravos particulares lá no quilombo dos Palmares. Sim, ele tinha escravos particulares! Essa é nossa contribuição à consciência negra. Há braços!

LULLA, O SUPREMO DO SUPREMO


Ao lado, Chico Alencar (Psol), José Neri (Psol), Ivan Valente (Psol), Suplicy (PT), entre outros amiguinhos do assassino Battisti, ao centro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu ontem que Cesare Battisti deve ser devolvido à Itália onde foi condenado a prisão perpétua por quatro crimes comuns cometidos nos anos setenta. Battisti, como já havíamos dito aqui, está  sendo protegido pelo PT e pela esquerda nanica. É vergonhoso que parlamentares como Suplicy, José Neri, Ivan valente, entre outros, se ponham a grasnar nos meios de comunicação em defesa de um tipo ordinário como Battisti. Aliás, qualquer pessoa que se ponha a serviço de livrar a cara de Cesare Battisti da punição pelos crimes que ele cometeu não merece respeito. O que esperar, então, de deputados e senadores que se põem a fazer pressão contra a devolução do bandido italiano ao seu país de origem?



O resultado final do julgamento no STF também ficou meio estranho. Embora tenha vencido a tese de que Battisti deve ser entregue ao governo italiano, o supremo vai deixar a última palavra para Lulla. Nós aqui pensávamos que a  suprema corte  fosse a palavra final sobre o assunto. Ela corrigiu a peça jurídica destrambelhada produzida pelo disléxico Tarso Genro, resgatou o respeito ao acordo internacional entre Brasil e Itália, mas morreu na praia. Quer dizer que agora existe o supremo do supremo? O supremo do supremo é Lulla? O certo não seria assim: a alta corte decidiu, os outros poderes têm que obedecer e pronto! Ocorre que em tempos de "Lula, o filho do Brasil", em tempos de populismo totalitário, em tempos de lulismo, nem o supremo é mais supremo do que Lulla. Há braços!



13 novembro 2009

GEISY ARRUDA E OS TROGLODITAS DE PLANTÃO

Há algumas semanas aconteceu, numa universidade tabajara, dessas que vivem por conta do Proune e similares, uma  rebelião estudantil contra uma aluna em razão de ela estar com  vestido curto. O motivo da revolta era mesmo a roupa provocante da garota Geisy Arruda e o palco, a Uniban, Universidade Bandeirantes, de São Bernardo do Campo, onde figurinhas como Vicentinho e Luiz Marinho, ambos do PT, estudaram (e foram garotos propaganda também). A estudante escapou do linchamento por conta da intervenção de um professor e da polícia que foi acionada a tempo. Sob os  xingamentos de "puta!", "Vagabunda!","Vamos estuprá-la!", a moça foi enxotada como um leproso dos tempos bíblicos das dependências da universidade, em meio à histeria dos agressores. Humilhada, a jovem de 20 anos foi deixada na porta de casa pelos policiais.

Desde quando cabe em universidade esse tipo de restrição e reacionarismo? A moça poderia até mesmo ser vulgar, medíocre e vaidosa, isso não é incomum em meio a   meninas e meninos de vinte anos, mas  a reação dos estudantes foi inadmissível, prefigura um estado de selvageria incompatível com a noção de universalidade que permeia o ambiente acadêmico, a partir do próprio nome: universidade, universal, espaço de pluralidade, de diversidade, de reflexão e respeito às diferenças etc.

Como se não bastasse o espetáculo insensato bancado pela horda histérica de estudantes (foi-se o tempo em que estudantes defendiam causas decentes) a direção da Uniban soltou as garras e fechou em grande estilo o massacre à loira de vestido curto. Negando os princípios básicos que definem uma universidade, o representante da Uniban tentou justificar a grosseria com a qual foi tratada a garota Geisy como algo provocado por ela mesma, ou seja, na visão da universidade a vítima era a responsável pelo crime!

Em função de uma mentalidade mercadológica da educação, que trata o aluno como cliente e aceita qualquer ingerência absurda como forma de não perder a clientela pagante, a Uniban destroi o sentido de universalidade, de prudência, de postura científica que constitui o espírito universitário. E vai mais longe ainda no momento em que, para agradar essa clientela descontente com a performance de Geisy Arruda, expulsa a aluna do seu quadro discente por meio de uma propaganda de jornal, com o falso discurso de que procura preservar a educação.

Até poucos dias houve um silêncio grotesco sobre o fato ocorrido na Uniban. Não se viu UNE, Movimento de Mulheres ou algo que o valha se posicionando com respeito ao incidente. Ocorre que esses movimentos viraram uma espécie de apêndice do governo Lulla. São milícias estatais que agora só se manifestam a pedido do governo e em prol de causas que Lulla julgue favoráveis eleitoralmente. Há sempre um tempo de espera agora para a manifestação política dessas e demais organizações que se julgam representantes de minorias ou categorias. Elas esperam a área de publicidade e comunicação do governo avaliar se o fato vai ou não atrapalhar algum interesse da turma de Lulla. Depois, mas nem sempre, liberam os tais "movimentos sociais" que nada têm de sociais para fazer alguma pantomima em torno do fato. Foi o que ocorreu há poucos dias na Unb, quando estudantes resolveram tirar a roupa em protesto contra o tratamento que deram à estudante Geisy Arruda. Uma manifestação ridícula, que usou o extremo oposto do assunto que estava em litígio para chamar atenção já que a causa estava morta: a Uniban já havia recuado com relação à expulsão da aluna e ao tratamento dado a ela. Depois do cachorro morto, os estudantes da Unb foram chutá-lo, no pior estilo: tirar a roupa para protestar nesse caso é tão boçal quanto protestar contra quem está com roupa curta. Há braços!

12 novembro 2009

CONTROLE SOCIAL E CIDADANIA ATIVA


Para os foucaultianos existe uma primeira verdade que muitos desconhecem, portanto poucos dominam. Essa verdade detém as rédeas de engrenagem de um jogo. Para os gramiscianos existe uma sociedade chamada de Estado. Essa sociedade (Estado) se subdivide em sociedade política e sociedade civil. O todo social (povo) elege parte de si como seus representantes e o denomina de sociedade política, para decidir por si (sociedade civil), restando para esta última o controle sobre os atos da primeira, aqui entendido como Controle Social.
Esse controle social (da sociedade sobre o Estado) seria um processo permanente de participação da sociedade civil na formulação, deliberação, gerenciamento financeiro, acompanhamento da execução e avaliação das políticas públicas. Esse processo seria desenvolvido tanto na esfera pública quanto nos espaços públicos democráticos, constituindo-se numa mediação necessária a uma melhor distribuição dos bens públicos e à superação das desigualdades sociais.
No Brasil, o tema entrou na pauta democrática a partir de 1995 quando se instalou a reforma do Estado. Essa reforma envolveu a descentralização da execução de políticas públicas com perspectiva da participação da sociedade apenas no processo de controle e como uma obrigação. Com a sociedade civil despreparada, na ausência de uma consciência cidadã, são evidentes as dificuldades de concretização do processo, o qual apresenta desafios a serem enfrentados, a começar pela própria concepção do modelo vigente. O modelo não prevê a participação cidadã na formulação da política pública, mas obriga a participação no controle financeiro, sob pena de não liberação dos recursos públicos para a localidade que não constituir o Conselho, não oferece proteção social para os Conselheiros, nem infraestrutura de funcionamento dos Conselhos. Deixa esses pormenores a cargo do gestor local, o próprio, a ser controlado pela comunidade.
Além dessa realidade concreta abordada pelo novo paradigma de gestão pública, que se impõe a partir de então, este se depara com resistências políticas pela predominância, nas instâncias públicas, de velhas práticas patrimonialistas, originárias do Brasil colônia. A elite burocrata, por sua vez, também não abre mão das práticas burocráticas que têm sua origem nas inovações da segunda metade do século XIX.
Com fisionomia três em um (patrimonialista, burocrática e gerencial), o aparelho gestor público brasileiro apresenta ambientes políticos de tons e nuances do patrimonialismo, clientelismo, corporativismo, nepotismo, quando não do ainda presente coronelismo. É flagrante a existência de verdadeiros guetos a serviço das oligarquias (os donos do poder) nessas esferas. Elas se fazem representar por burocratas travestidos de “agentes técnicos” que, independente do governo, estão sempre ali prontos para “servir” – são os maiores praticantes da Teoria das elites de Vilfredo Pareto (1848-1923), Gaetano Mosca (1858-1941) e Robert Michels (1876-1936). Acumulam demasiado poder, tornando-se imunes a qualquer tipo de controle. Assim, por detrás de uma retórica igualitária, democrática, o que se assiste é o reinado de oligarquias, num terreno propício de elaboração de políticas de governo, nunca de políticas de Estado. Muda-se a elite governante e mudam-se, com ela, as políticas públicas, mas a elite burocrata persevera, intocável, incontrolável, jogando o tempo todo. Desse jogo de interesses, mais privados que públicos, surgem encruzilhadas que colocam em cheque as condições para o exercício da participação popular no controle dos bens públicos.
Há que se pensar também qual o entendimento sobre “participação popular”. Referenciadas as ideias de Maria Vitória Benevides de Mesquita, é possível observar que no Brasil há certa precariedade no debate teórico e institucional sobre esse tema, além de ambiguidade na sua utilização. A partir da reforma do Estado, a utilização ambígua do termo se aprofunda, pois passa a sustentar uma proposta de democracia, o que o leva a figurar entre a retórica e a publicidade política, desmoralizando ainda mais a sua prática. A retórica da participação popular é uma poderosa arma para os grupos que buscam poder, mas que, para tanto, precisam do apoio das massas.
Outra pedra no caminho do controle social é a falta de acesso, pelo cidadão, à informação e a processos de formação. Quanto menos informado e menos conhecedor das leis, do orçamento público e das políticas, maiores são as dificuldades para a construção do processo de controle social.
Os limites da democracia representativa e participativa também são armadilhas para o exercício do controle social. A representação política, como instituto legítimo e indispensável nas democracias modernas, não expressa fielmente os interesses coletivos. Essa deficiência se manifesta via crescente insatisfação popular com a representação tradicional. Para atender a manifestação de insatisfação, o povo como sociedade política, enquanto Estado, lança mão dos instrumentos de democracia semidireta (referendo, plebiscito), os quais funcionam como corretivo à democracia representativa.
Para Benevides (1998), cidadania ativa está relacionada à prática concreta da soberania popular, pois “supõe a participação popular como possibilidade de criação, transformação e controle sobre o poder, ou os poderes”, (BENEVIDES, 1998, p. 20). Cidadania ativa, assim concebida, se concretiza mediante educação política que, por sua vez, se desenvolve ao exercitar a participação, como uma escola de cidadania.
A regulação da participação cidadã integra o programa de descentralização das políticas públicas da esfera federal. A descentralização ocorre em variados níveis: da União para estados, municípios e escolas federais; de estados para seus municípios caso optem por delegar-lhes a execução de políticas de cunho local (municipalização); e de estados e municípios para as escolas de suas redes (escolarização). A escolarização é o grau mais ousado de descentralização, pois na perspectiva da gestão escolar democrática, coloca a responsabilidade pela execução das políticas mais próxima da comunidade. 
florentina oliveira machado

08 novembro 2009

O MURO DA IGNORÂNCIA AINDA NÃO CAIU

Há vinte anos caia o muro de Berlim, sinal inquestionável do fracasso da metodologia e das práticas instituídas pelo "comunismo". Lamentavelmente, essas mesmas práticas, pulverizadas pela história da humanidade, brotam em meio à pobreza e à ignorância nos mais variados rincões da América Latina. O neototalitarismo comunista, que não tem nada de novo, nem de comunista (no sentido honesto da palavra) vai-se espalhando pela América, com o discurso falso de governo popular, sob a batuta do pilantra Hugo Chaves e com a conivência do lullismo. Quando nos lembramos dos horrores produzidos por Stalin, Trotski, Ceausesco e cia, não há como evitar uma ponta de mal-estar e desconforto. Quem está no Brasil de Lulla, fora da sintonia do rebanho, tem mais é que se preocupar mesmo. Há braços!

05 novembro 2009

SANTO MAU GOSTO

O apelo à irracionalidade, a valores emotivos  está entre os recursos mais utilizados por políticos de todas as procedências. Assim, os sentimentos religiosos ,por  se calcificarem sobre valores maior parte das vezes de ordem emocional, por se enraizarem quase sempre em temores irracionais, acabam virando o alvo predileto, sobretudo de políticos picaretas. Esse monumento ao mau gosto, na foto ao lado, grotescamente plantado em meio ao asfalto na entrada de Uibaí é um exemplo claro não do pendor religioso dos habitantes do município, mas da sanha oportunista do ex-prefeito que, empenhado em ganhar a aprovação dos munícipes, achou de apelar  para o fervor religioso na modalidade carola, algo em franca decadência há bastante tempo.

A  santa de cimento é uma criação tosca,  é uma obra horrorosa, troncha, mal ajambrada e mais incomoda pela feiúra e  péssima localização do que exalta qualquer resquício de fervor religioso que haja na Canabrava. Por respeito à diversidade religiosa, a fé católica e mesmo à sensibilidade estética já um tanto melhorada dos uibaienses não seria o caso de remover tal entulho  que ofende a crença, o senso estético e ainda atrapalha o trânsito?

Essa não é a primeira vez que se apela ao sentimento religioso para manipular o povo. Já houve um prefeito imbecil, igualmente pilantra, que "reformou" a igrejinha centenária do centro da Canabrava. Não questionamos necessariamente a tal reforma. Ela poderia ser destacada como uma preocupação com o  patrimônio histórico de Uibaí, se as escolas estivessem bem assistidas, os funcionários municipais bem pagos, os povoados supridos em suas necessidades etc. Não era o caso, o prefeito reformador de igreja teve que ser arrancado do cargo devido ao excesso de corrupção e de autoritarismo. Fica aqui a sugestão de remoção do trambolho do meio do asfalto e, para quem quiser, também  um conselho: nunca acredite em administradores que preferem construir bonecos de cimento na rua a investir na educação e na saúde do seu filho. Há braços!

04 novembro 2009

CIDADANIA: ESTRATÉGIA PARA A CONSTRUÇÃO DA DEMOCRACIA


Quando pensamos nas origens da cidadania nos vem de imediato a ideia de legado político do berço da humanidade. Muitos pensadores buscam-na na polis grega e civita romana como algo umbilicalmente ligada. O viver em comunidade, as relações e os vínculos comunitários eram as bases de sustentação da noção de cidadania e de cidade para os gregos. Isso implicava em participação do cidadão na vida política para a tomada de decisões em praça pública, nas assembleias do povo (democracia direta). No entanto, a noção de cidadania, lá nos primórdios, já emergira nas relações de domínio e de poder e era privilégio de poucos, restrita aos virtuosos e, portanto, excludente.

Postas as origens históricas, observado o estágio de desenvolvimento de cada povo, o que nos fica como legado ao longo de décadas é uma definição de cidadão inicialmente vinculada ao pertencimento a determinado território (Cidadão Uibaiense), evoluindo para o “ter” direitos, seja por concessão ou por conquista. Ser cidadão, nesses termos, constitui-se em ter direitos civis – direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei. Posteriormente, foram agregados os direitos políticos de participar da construção dos destinos da sociedade, exercer o poder de voto elegendo os representantes, ter o direito de representar o outro. Numa democracia, somente os direitos civis e políticos não garantem a cidadania sem os direitos sociais. Os direitos sociais são aqueles que partilham a riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde. Exercer a cidadania plena é, portanto, ter direitos civis, políticos e sociais.

Aprendemos também que esses direitos não caem do Céu como dádivas dos Deuses ou prêmios por bom comportamento. Eles seriam, em princípio, frutos de luta, da organização da sociedade civil em sua defesa. Entendendo assim, pode-se afirmar que o cidadão é o ponto de partida para o exercício dos direitos constituídos e que, portanto, os destinos da sociedade estão em suas mãos. Porém, esse cidadão é insuficiente perante a complexidade das demandas sociais que remetem à problemática de emancipação e de inclusão, donde se conclui que o povo enquanto sociedade política deve garantir o cumprimento desses direitos, além de fomentar e tornar viável sua própria participação.

Na medida em que as conquistas vão se concretizando no seio da sociedade civil, os direitos vão sendo consignados nas Leis, pois as próprias demandas sociais criam as condições para a institucionalização dos direitos. Disso resulta o entendimento de que é na esfera pública que se dá a dimensão política da cidadania. Mas, na prática, o que vemos hoje é que a forma moderna de participação popular reduziu-se, por vezes, a procedimentos que se traduzem em participação autorizada, nada mais sendo que uma regulação do cidadão pelo Estado.

Mera formalidade!!! Dizem muitos teóricos. Temos tantas leis dignas, tantos direitos assegurados e continuamos vivenciando e testemunhando miséria, violência, desigualdade e exclusão social. Isso faz com que questionemos constantemente onde está o problema.

Há algum tempo, o Caderno Cultural Boca do Inferno publicou matéria sobre o PODER MUNDIAL GLOBAL HIERARQUIZADO: quem manda e quem obedece. Na terceira camada da pirâmide desenhada na referida matéria foram apresentadas as organizações sociais signatárias dos direitos humanos globais e universais. Sobre a hierarquia do poder em escala global, essa matéria revela ainda hoje a verdade sobre a qual se deve observar a predominância da racionalidade ocidental. Essa racionalidade se sustentou na legitimação científica – paradigma dominante no campo científico - necessária para manter as diferenças políticas e econômicas, frutos da sociedade capitalista. Há sempre uma mão invisível agindo na construção de novo aparato regulatório, legitimado em escala global e que regula o novo processo de democracia globalizada.

A partir das postulações feitas por Boaventura de Souza Santos é possível acreditar que o que marca esse referencial é justamente a razão excludente ocidental quando trata toda a complexidade dos direitos humanos a partir, única e exclusivamente, de sua visão social de mundo (razão indolente). Os direitos humanos no novo cenário mundial passa a ser mecanismo de sustentação ideológica do modelo de democracia não emancipatória, necessário ao capitalismo liberal. Assim, a cidadania moderna positivada não seria dádiva dos Deuses muito menos dos homens e apesar de ser conquista histórica, resultado de luta popular, ela pode ser manipulada para atender interesses alheios à vontade popular, porque ela é uma relação sempre em construção e seu êxito ou fracasso está diretamente relacionado ao grau de participação da sociedade civil. Se a participação popular é fraca, vence o mais forte e ela, a cidadania, é usada como uma forma necessária de regulação capitalista.

A razão excludente ocidental é a revelação da razão indolente criticada por Santos (2003). Contrapondo a razão indolente predominante, Santos (idem) propõe a racionalidade cosmopolita - a sociologia das ausências; a sociologia das emergências; e o trabalho de tradução – que concebe a emancipação social como inerente à renovação das ciências sociais pela confrontação dos conhecimentos por elas produzidos com outros conhecimentos – práticos, populares, vulgares, tácitos – que apesar de serem integrantes das práticas sociais analisadas pelas ciências sócias, são sempre ignorados por estas. A sociologia das ausências ignora o outro com seus saberes simples e populares; a sociologia das emergências reconhece os múltiplos saberes; e o trabalho de tradução faz a leitura, a apreensão e o reconhecimento das experiências disponíveis sem destruir a sua identidade.

Traduzindo ao pé da letra: João Agripino é Quilombola e a fonte de renda de sua comunidade é a extração do tucupi da mandioca. A comunidade detém uma técnica tradicional eficiente, secular e de origem familiar. Os primeiros ensinamentos foram registrados em cadernetas e transmitidos de pai para filho. O governo seleciona essa comunidade para programa de formação em novas tecnologias de extração e industrialização do tucupi. Ignorando as identidades e os saberes locais, os representantes do governo despejam conteúdos durante 40 horas naquela comunidade. Avaliam o aprendizado teórico e retornam para a sede do poder central. Essa ação de governo é a prática da sociologia das ausências – o desperdício de saberes do qual somos vítimas há mais de duzentos anos. Antes de selecionar a tribo indígena Pataxós para programa de formação em ciências naturais, o governo envia a sua tribo Biólogo, Sociólogo, Antropólogo, Indigenista com domínio da língua local e um Analista de discurso, com o objetivo de ouvir os índios, aprender seus conhecimentos, reconhecê-los, identificar suas dificuldades e elaborar coletivamente uma proposta de formação cujo resultado será a publicação de cartilhas e livros de ciências naturais construídos a partir dos saberes local e da diversidade da floresta, respeitando sua identidade. Nesse caso, o governo pratica a sociologia das emergências utilizando-se do procedimento sociológico de tradução. Não há uma teoria geral a ser aplicada, o que deve haver é a tradução e o respeito aos múltiplos saberes (vulgares - não científicos). Eis o novo paradigma!

A partir desse novo paradigma, percebe-se que a ideia de cidadania transcende a reivindicações de acesso, de inclusão, pertencimento ao sistema político, enfim, a formalização de direitos, conceito este posto pelo modelo liberal. O que está em jogo não é somente o direito de inventar direitos no seio da sociedade; o que está em jogo é o direito de inventar inclusive um novo sistema político, uma nova arquitetura social. Nesse aspecto, a ideia de cidadania é eminentemente política, ela deixa de ser um direito estanque, formal e se revela como uma relação política, uma estratégia de construção da democracia. Por isso, ela deriva e está intrinsecamente ligada a ação organizada dos cidadãos (movimentos sociais autônomos).
                                                                 florentina oliveira machado

01 novembro 2009

BOCA DO INFERNO 46

O famoso beijo de Judas, o Lulla que traiu Cristo por algumas moedas. Como um Judas moderno, Lulla é o homem para quem a ambição pessoal está acima do bem-estar coletivo. O representante político que, dominando o povo com um populismo sem vergonha, alimenta a ilusão da massa com esmolas para tentar usá-la com o fim de perpetuar seu grupo no poder. Nenhum governo dos que Lulla apoia mundo afora tem como objetivo tornar a vida melhor para todos. Pelo contrário, esses governos investem na eternização da pobreza com a finalidade de manter o povo sempre vulnerável a esmolas e obediente ao direcionamento. 
HÁ BRAÇOS!

30 outubro 2009

O JUDAS DA PRESIDÊNCIA ACHA QUE É JESUS


Uma das principais características do discurso de Lulla é a frase de efeito em forma de metáfora vulgar. O futebol é seu tema favorito. Quem não o ouviu chamar de “Meu Ronaldinho” o filho Lulinha, numa alusão ao herdeiro ser craque nos negócios?  Lullinha é aquele que era monitor de Jardim Zoológico e virou um empresário milionário da noite para o dia, bancado pela negociata espúria das empresas telefônicas. Pelo que consta, Ronaldinho é craque devido ao próprio talento, mas a gente sabe que Lulla fez a comparação apenas para atenuar a exposição da negociata e debochar da imprensa.


 Vez ou outra,  Lulla usa o apelo religioso também. A última besteira, de natureza bíblica, deve ter contado com a assessoria do companheiro Edir Macedo, especialista em transformar fé em grana. Lulla afirmou que se Jesus Cristo estivesse aqui hoje faria alianças com Judas. Detalhe, Judas é aquele cara gente boa que vendeu Jesus por umas moedas de prata. E Judas não o vendeu  por pressão não, ele calculou, estudou e esperou o momento certo para fechar o negócio.  Essa maravilha de imagem foi lançada no momento em que dá nas vistas o comércio que o Lullismo vem realizando para garantir a eleição de Dilma Rouseff e coloca Lulla e sua turma vermelha no lugar de Jesus Cristo e a turma do PMDB e congêneres na condição de Judas.


Lulla tá querendo dizer que Jesus seria uma espécie de Edir Macedo, uma mistura de comerciante bandido com pastor. O Jesus de Lulla não expulsaria os vendilhões do templo, pelo contrário, cobraria 70% do lucro e contrataria Duda Mendonça, esse sim um Ronaldinho da publicidade, para montar um esquema publicitário com o fim de atrair mais vendilhões. Lulla se comporta hoje como o vendilhão-mor que acha que pode comprar todo mundo com o dinheiro público, vender ou negociar o País como quiser. O Brasil já era um templo imundo de corrupção e negociata com dinheiro público, porém agora, mais do que em qualquer época, essa realidade se naturalizou a ponto de o próprio presidente se declarar um Jesus ao avesso desse templo degenerado em que transformaram a república.


A gente aqui não tem lá muito fervor religioso, mas basta ler o Novo Testamento para notar que  ali   Jesus aparece como um sujeito de bons sentimentos, desapegado de dinheiro e bens materiais e que Judas desponta como um traidor ambicioso, chegado a negócios espúrios,  para quem o dinheiro valia mais do que a vida humana. Nesse caso, Lulla e sua turma está mais para Judas do que para Jesus.  Com essa infeliz comparação religiosa, Lulla acabou nos dando uma ideia: na próxima Semana Santa, a gente dá uma surra lascada nelle e depois o prega numa cruz ou a gente o queima em praça pública? Há braços!

29 outubro 2009

O HOMEM SE CONSTROI COTIDIANAMENTE


Às vezes, temos a impressão de que as coisas (incluindo a gente) são significantes vazios ,bombardeados por feixes de desejos, envelopados em imagens e sinais  intermitentes. Ai, ai... Isso parece coisa lacaniana! Mas o fato é que o mundo está cheio de signos, está derramado de ícones, índices, símbolos ou coisas que o valham. A escultura da foto ao lado, de um homem esculpindo a si mesmo, por exemplo, nos parece  um signo complexo, que aglutina formas icônicas, simbólicas e indiciais. Nela, as formas icônicas são também índices e símbolos de uma maneira de ver o homem e a vida. A imagem corresponde exatamente àquela máxima do existencialismo sartriano: "O homem é aquilo que decidiu ser". Mas a semiose nos leva mais longe, quando estamos diante dessa obra de arte interessante.

Mirando demoradamente a estátua, não há como não pensar sobre a nossa própria vida: em como vamos, ao longo dos anos, nos talhando com os escopros da convivência, com o buril dos erros e acertos; em como vamos traçando caminhos entre os altos e baixos do dia a dia, dando forma a um modo de ser e de agir singulares; em como somos indefinidamente inacabados e passíveis sempre de melhora. Essa interessante escultura está na Praça Universitária de Goiânia, quase em frente a Casa de Estudantes Universitários. A praça é uma galeria a céu aberto de uma riqueza comovente. Há braços!

24 outubro 2009

PALHACINHO PENSADOR



Uma imagem diz muitas coisas. Esse palhacinho reflexivo, com pernas de pau improvisadas, fotografado por Ada, na frente do Grêmio Voz do Povo, no dia das crianças em Uibaí é uma coisa  linda, de um lirismo singelo. Esse é o caso de uma clicada feliz que eterniza muitos sentidos. Será  em que  pensava? Algo o aborrecia? Certamente há muito no que se pensar em Uibaí e há também aborrecimentos indisfarçáveis, como o péssimo tratamento dado aos professores, à cultura e o desrespeito à infância. A propósito, seria a qualidade da educação que o personagem da foto recebe hoje suficiente para  garantir-lhe uma vida digna no futuro?
O martelo na mão do nosso pequeno pensador lembra a imagem que Nietzsche utilizou para qualificar sua filosofia: "filosofia a golpes de martelo". Eis aí o ideal de homem do amanhã, com o desprendimento dos palhaços e a pureza das crianças. Com disposição para refletir e braço forte a sustentar o martelo que demoli preconceitos, raízes podres, tabus e práticas imbecis. Sobreviverão esses traços à fúria gananciosa do poder canabrabeiro?
O fundo verde amarelo da foto evoca coisas do amor à terra, coisas do Brasil e as pernas de pau, amarradas desajeitadamente, com os sapatinhos furados, não nos remetem ao genial Charles Chaplin? Há algo de Carlitos nesse personagem. Um  clown à maneira de Chaplin, que une inocência com reflexão enviesadas  por uma ponta de melancolia. Bela imagem, Ada, parabéns! Há braços!

20 outubro 2009

CONCURSO EM UIBAÍ


A prefeitura de Uibaí abriu concurso para preencher alguns cargos. O concurso tem inscrições abertas até o dia 06 de novembro de 2009. São cargos para limpeza, serviços gerais, pedreiros, professores e médicos entre outros. A instituição responsável pelo processo de seleção é um tal instituto "Êxito, cursos e concursos", com sede em Irecê, aliás, a sede, pelo que consta é um escritório de advocacia.

Mas o curioso é comparar as remunerações para os respectivos cargos. Uibaí, o município destaque em educação, oferece salário de 465 reais para os professores e 4.000 reais para médicos. O salário pago para os médicos que se candidatarem às vagas oferecidas é uma desgraça. Médicos cuidam de vidas e podem muito bem colocá-las em risco , a depender das condições de trabalho. Assim, os médicos mereciam pelo menos a dignidade mínima  do piso pago nas capitais. Ocorre que professores também cuidam de vidas e são capazes de destruir cabeças de crianças inocentes de modo irreversível. Mas o que ganham os professores, cujo concurso exige curso superior? O mesmo que os seriços gerais, cargo com exigência de escolaridade básica. A responsabilidade dos professores é igual ou maior que a dos médicos, lidam com a vida em situações delicadas, mas merecem dos "salvadores e reconstrutores de Uibaí" a miséria, a desonra, a merda de salário, a humilhação chamada salário mínimo. Humilhante para qualquer ser humano, para qualquer trabalhador, seja dos serviços gerais ou não, escolarizado ou não; veja lá para quem tem a responsabilidade que  o professor leva nas costas.

Uibaí se destaca na educação, mas isso jamais foi mérito do poder, até porque educação nunca foi prioridade nem no passado nem agora. Uibaí é forte em educação porque seu povo é duro, com sangue no olho. Porque  seu povo luta com livros e conhecimento com o afinco com que labuta na roça. Sisudo, concentrado, determinado. Por isso colhe diplomas e títulos como colhe milho e feijão a cada fim de safra. Quem acredita que vão salvar e reconstruir a  Canabrava pagando 465 reais aos professores? Se a atual administração  fosse tradicional, conservadora e nunca tivesse feito discurso de "salvação e reconstrução" de Uibaí, cumpriria pelo menos a Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008, que estabeleceu o piso salarial unificado de 950 reais para professor. É lei, é obrigatório desde janeiro de 2009. Há braços!

COMENTÁRIO ESPECIAL
Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009, 11:29 


Prezado Alan,
 
Gostei do texto e me lembrei automaticamente de um pronunciamento do LULA, quando ele confessou que sofreu  um choque, no exato momento em que deixou de ser pedra para ser vidraça. Concordo contigo e agora que estou acompanhando mais de perto uma administração,  me vejo abismado com as dificuldades, com as aves de rapina que tentam sugar de todas as formas. Fiquei muito triste com alguns companheiros que eu imaginava como pessoas sérias e que na primeira oportunidade sugeriram manobras, no mínimo indecorosas. Como é dificil administrar uma sociedade carente de quase tudo e acostumada a receber esmolas de tudo que é tipo. Não gostaria de ser prefeito, pois com esse tipo de campanha, mesmo antes da posse, existem os agiotas de plantão que já transitam nos gabinetes. São fatos, obstáculos de todos os tipos, um preço alto para continuar sério. Gostaria de lançar, um dia, a candidatura do companheiro Edimário, porém acho que seria um grande sacríficio para ele. É um posto que só se deseja para um inimigo, tamanho o sufoco se o cara quiser continuar firme, com honestidade. Para um meliante, no entanto, é um prato cheio, são todas as facilidades posíveis. Coisas de uma democracia viciada, herança de uma república manca, que nasceu das entranhas de um golpe de estado, uma república que nasceu sem público.
 
Grande abraço, sou seu fã.
Enoch Carneiro. 

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Caro Enoch, 
Em primeiro lugar gostaria de agradecer pela atenção e por dedicar um pequeno hiato do seu precioso tempo a comentar o conteúdo deste caderno.
Você tem toda razão, as demandas de uma administração exigem bastante clareza do que deve ser priorizado. Caso contrário, até pessoas de boa intenção se perdem no jogo baixo estabelecido pelas hienas de plantão. Administrar um município cheio de vícios, como o nosso, é coisa para leão. Só leão consegue viver entre hienas sem deixar de ser leão ou se sucumbir nos vícios baixos dos bandos. Quem se sucumbiu possivelmente apenas se despiu de um disfarce. Não gostaria de ver nenhum amigo ser jogado num covil de hienas sem antes ser avisado ou fortalecido. Nem em  desenho animado hienas e leões podem reinar juntos. Os interesses são incompatíveis. Amigos não merecem presentes de grego.  Há braços! alan


15 outubro 2009

PEGANDO POR DESVIOS


De modo geral, nas relações entre linguagem, sentido e realidade até que ponto nos perdemos nos corredores da linguagem e nos becos dos sentidos? Os corredores não raro se implodem diante de muros concretos, os becos se diluem quando não dão em um alçapão semiótico.
O sentido e a linguagem se estilhaçam como um espelho diante da realidade e o universo se multiplica infinitamente nos cacos.alan machado


14 outubro 2009

A RODOVIA TRANSCANABRABEIRA

O atual prefeito de Uibaí anda se debatendo para não repetir os anteriores, mas o atavismo político canabrabeiro tem falado mais alto. Prometeu asfaltamento da Rua do Cascalho estendendo a pavimentação até Ibititá, mas não rapou nada do galeguim dos-zói-azul que governa o estado. Restou a ele repetir a mesma ação que parece eterna no Cascalho: meter tubatinga na rua pro povo comer o poeirão. O Cascalho votou em peso em Pedrinho e de cara já ganhou mais do mesmo: pó na cara!

Como não deu certo o asfaltamento do Pé-de-Galinha, coisa que poderia ser resolvida com paralelepípedos, pelo menos no perímetro urbano, o prefeito embrenhou na serra com uma comitiva para demarcar uma possível estrada que ligue Uibaí a Mirorós. A ideia até que é boa, principalmente para Mirorós que sofre com o isolamento. Mas não pode ser uma coisa assim doidivanas, tocada aos sopapos como jegue brabo. O estrago na serra do Peixe pode ser absurdo e os resultados socioeconômicos ínfimos. Fazer o caminho inverso de Venceslau pode resultar em mais um fracasso retumbante dos salvadores e reconstrutores de Uibaí. Já tem gente chamando a suposta estrada de a transamazônica uibaiense, a transerrana, a transcanabrabeira. Há braços!

11 outubro 2009

AS LARANJAS IMPERIALISTAS DO MST

O MST destruiu parte da fazenda da Cutrale. Todo mundo viu na TV a cena do trator esmagando sete mil laranjeiras carregadas e viu também os maquinários despedaçados. A ação foi puramente ideológica. A fazenda era produtiva, não resta dúvidas. O pano de fundo ideológico é aquele anti-americanismo roto: a Cutrale é uma gigante do ramo do suco e seu mercado maior os EUA. Destruir a Cutrale é, na cabeça de idiotas como Stedile, atingir o império americano. O sonho dos órfãos do comunismo totalitário é ver a América do Norte de joelhos. Por essa ótica, as coisas se ligam. Não seria o Nobel de Obama uma forma de amarrar as mãos dos Estados Unidos diante do surto de totalitarismo que o mundo começa a viver, dessa vez a partir da América do Sul ? Ao MST e ao Governo de Lulla parace que interessa mais produzir Os laranjas do que as laranjas. Há braços!

10 outubro 2009

DO PRÊMIO NOBEL AO OSCAR

Obama ganhou o Nobel da Paz. Até que a pomba da paz combina com aquele jeito de estátua que ele ostenta, com olhar invariavelmente perdido no horizonte e queixo fixamente erguido. Pombas gostam de estátuas. Nunca se viu bajulação mais escancarada na história do Nobel. Como um cara com o currículo inexpressivo de Obama fatura o Nobel da Paz? Além de não ter nenhum serviço relevante prestado à paz mundial, o presidente americano carrega a responsabilidade de duas guerras nas costas. É uma piada! O novo Prêmio Nobel da Paz é o gerente maior das guerras do Iraque e do Afeganistão. Pela façanha de levar o Nobel da Paz, Obama deveria levar o Prêmio Nobel de Marketing de lambuja(se existisse). A mais visível ação pela paz que ele realizou foi matar uma mosca que o importunava. E deu ao feito aquela tacada de marketing característica, recorrente desde que surgiu no cenário político mundial. Que Obama é mais marqueteiro do que presidente já dá para perceber, que ele vende mais imagem do que ação, parece que ninguém duvida mais. Mas dá para notar também que tanto as justificativas da imprensa mundial que o glorifica, quanto as da academia que distribui o Nobel, de que Obama mereceu o prêmio pelo que ainda vai fazer não convencem nem ao mais simplório criador de galinhas. A sabedoria popular nos ensina que não se deve contar com o ovo no cu da galinha. Com o andar da carruagem, não nos surpreenderemos se derem ao rei do marketing também um Oscar em Hollywood. Há braços!

02 outubro 2009

NOSSO TEMPO

Composição: Carlos Drummond de Andrade

I

Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.

Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.

(...)