26 junho 2009

DE MICHAEL JACKSON A JOSÉ SARNEY

Michael Jackson morreu. Michael tinha um monte de defeitos pendurados em uma grande virtude: ele era um artista que emocionava e dava alegria a milhões de pessoas, com sua música e seus passes de bailarino. Jackson exorcisou muitos demônios interiores com a força positiva do que mais sabia fazer... Não só os seus... Mas o bailarino poeta se foi solitário e endividado, esgueirando a penumbra existencial.

Já Sarney é imortal, ele com seus "Marimbondos de Fogo". Um escritor... Uma qualidade, nem sempre qualificada, nesse caso particular, um ponto positivo pendurado minusculamente em uma penca infinita de defeitos. O presidente do Senado, o político com seu modus operandi. Infelizmente! Semeia vergonha e tristeza e pobreza e mau exemplo e cinismo. Naturaliza... Populariza o pior.

O mundo perde o bom de Michael Jackson infinitamente grande e saudável, perto dos seus lamentáveis defeitos. O Brasil não consegue se livrar de Sarney, infinitamente nefasto perto do insignificante ofício de escritor que o tornou imortal. Há braços!

20 junho 2009

LULA DEFENDE O CRIME!

Há alguns dias, o presidente Lula fez uma defesa escandalosa de José Sarney. Sarney é envolvido desde sempre em pilantragens políticas, muitas delas denunciadas pelo PT de Lula quando o partido da estrela vermelha inventou aquela balela politiqueira da "ética na política". Mas isso foi antes de a máscara despencar com o mensalão.
O discurso sarneyista do atual presidente se deve, no momento, às denúncias que estouraram no Senado contra o velho cacique do Maranhão. Na verdade, veio à tona uma prática antiga de nepotismo. Sarney estava com uma penca de parentes pendurados em cargos da casa legislativa que preside. Isso, embora indecente, já nem causa mais espanto. Mas absurdo e descarado é o Presidente da República dizer que "Sarney não é um homem comum. Isso é denuncismo e não vai dar em nada". Com essa fala, Lula referenda o que o PT sempre criticou (agora se sabe que era por conveniência). Lula falou como o seu Zé lá do botequim da esquina: "justiça é só pra gente comum, meu filho... É só pra povão". Só que Lula não é o seu Zé lá do botequim da esquina e quando se esquece ( de propósito) de que é presidente e manda às favas a justiça, a lei igual para todos, ele institui o mesmo, o de sempre. Ele, como presidente, ajuda a destruir a democracia, o estado de direito etc.
Agindo assim, Lula nada mais faz do que assumir a posição de nova, porém vetusta, elite do poder. E Marx, que tanto criticou as elites, mais a frente defendidas pelo velho Pareto, agora se remexe no túmulo (será que se remexe?) ao sabor do samba do crioulo doido que os "marxistas" da esquerda brasileira estão aprontando. Se bem que Marx era um cabra cujos escrúpulos não diferiam muito dos de Delúbio Soares, Zé Dirceu e Genoíno. Há braços!

25 maio 2009

BOCA DO INFERNO - 42

Chegamos ao número 42. Tudo aí embaixo reflete preocupação com a educação, a cultura e a gestão política do nosso patrimônio público. A gente sabe que em política há uma zona cinzenta em que se diluem os princípios encenados no palco social. A gente compreende que a simulação e a dissimulação fazem parte da política e que isso boa parte das vezes faz a politicagem permear a política e até mesmo superá-la, com consequências drásticas... Faz o privado e o público, o moral e seu inverso perderem a fronteira, criando uma zona nebulosa em que certo e errado só vão ganhar contornos claros a posteriori. Assim, as consequências dirão sobre a correção dos gestos, sobre sua natureza e validade.

Mas compreender essa natureza do político não nos obriga a aceitá-la de imediato, a concordar, a nos submeter incondicionalmente a seus movimentos. Há muito em jogo. Talvez o próprio jogo político e sua credibilidade estejam em risco. Quando nos abstemos de questionar, pomos em risco um patrimônio maior: a saúde pública, a educação, o saneamento urbano, as boas condições de vida rural etc. Quando assim o fazemos, destruimos o sentido da vida em sociedade, do respeito aos outros, da solidariedade, da fraternidade sadia que bem pode nortear as relações dentro de um município pequeno como a Canabrava. HÁ BRAÇOS!

21 maio 2009

AVANÇO E RETROCESSO

Devo muito às casas de estudantes. Os obstáculos que venci para alcançar títulos acadêmicos e posições de prestígio na minha área de formação seriam bem mais duros caso não tivesse contado com o apoio dessas moradias, em momentos fundamentais da minha formação. Vivi na Ceubras (DF), onde fui presidente e diretor de cultura, na CEU-I (GO), e na CEU-III(GO), esta última tive a honra de ajudar a construir em Goiânia. Se devo muito às moradias estudantis, o movimento de moradia nacional também me deve alguma coisa, pois fui um morador de casa atuante e meu trabalho se concentrou sobretudo na luta pela autonomia dessas entidades estudantis Brasil afora e por assistência governamental, sem prejuizos à independência das casas.
Recentemente, este caderno publicou o que seria um projeto de assistência estudantil encomendado pelo prefeito de Uibaí. O Boca do Inferno classificou o projeto como algo que poria o prefeito na história, pela abrangência assistencial e pela compreensão de que a educação é o mais valioso patrimônio da Canabrava. Li atentamente a peça e não tive dúvidas de que se tratava de algo realmente importante. A iniciativa do prefeito, se aprovada pelo legislativo só trará benefícios para o Pé da Serra.
Pois bem, agora recebemos aqui as informações de que está marcado para dia 24 de maio um encontro estudantil em Salvador, onde se reunirão representantes das casas de estudantes uibaienses para discutir a assistência estudantil municipal e, segundo alguns, a "nacionalização da aeusu" (aberração jurídica de uma inconstitucionalidade amadora). A se levar em conta os comentários de alguns dos interessados, a principal estratégia é formalizar, via aeusu, um modo de sujeitar as moradias estudantis. A quem interessa a sujeição das casas? Estariam buscando a centralização das casas com que interesse? Seriam os mesmos interesses que moveram as investidas de Hamilton e Renato nos anos de 1980 e 1990?
Há alguns anos( fevereiro de 2006), defendi em texto que "casa de estudantes é espaço de diversidade, de debate de ideias, de convivência com diferenças, conflitos sociais e subjetivos os mais variados, sendo isso o motor do processo educativo que propicia o crescimento da consciência e naturalmente o fortalecimento da cidadania. Não convém a esse tipo de moradia assumir partido algum. Como espaços educativos, as Ceus devem se manter abertas, pois não existe processo educativo em espaços ideologicamente fechados, existe sim domesticação, bitolação, embrutecimento mental".
Quando escrevi o conteúdo acima, em destaque, percebia uma espécie de aparelhamento partidário dentro das casas e presumia o quanto seria nocivo ao crescimento do real senso crítico. A centralização ou, como estão dizendo muitos dos interessados, "a sujeição" das casas à aeusu pode se constituir num mecanismo de controle político das moradias, pode encaminhá-las para a lógica do alojamento estudantil, como descrevi há bastante tempo em outro texto (Moradia Estudantil, 2002) ou para a destruição da identidade de cada casa. Se o aparelhamento e controle das casas for o real interesse dessa mobilização pró "nacionalização da aeusu", o projeto de Assistência Estudantil, que inquestionavelmente representa um avanço enorme, sofrerá um golpe de retrocesso violento mesmo antes de sair do papel.
A lógica primária que estaria por trás do entendimento de alguns puxadores desse movimento seria a seguinte: se a aeusu é uma associação externa ao ambiente de moradia, poder-se-a, criando-se seccionais dirigidas por pessoas ligadas ao poder municipal, controlar ou decidir o que os moradores e a casa devem fazer, principalmente em termos de política. Sinceramente, não estariam os nacionalizadores da aeusu superestimando as casas de Uibaí? Se assim o estão fazendo, não as estariam destruindo como espaços educativos? Convenhamos, se assim for, isso é realmente bem primário! HÁ BRAÇOS! alan

10 maio 2009

PRELÚDIO PARA UMA MEMÓRIA MUSICAL CANABRABEIRA

Mah e Juca, no Palco Livre, integrantes da nova geração musical de Uibaí

Em Uibaí, num primeiro momento, o que se preservou em termos de musicalidade, com o passar das décadas, foram as influências da música produzida nos anos de 1950. Não mais que os bolerões entoados pelos irmãos Nemi e Valmir Rosa e por Tobias, músicas de vertente romântica populares na década de 1950. A principal característica desse estilo é que a voz é o elemento mais importante e o violão simples acompanhamento. Assim, a boa música é aquela entoada a plenos pulmões. Coisa de tenor, coisa de uma época escassa em tecnologia sonora. A ausência de amplificação e microfones garantiu a supremacia desse estilo no Brasil inteiro, numa época em que o rádio era o grande veículo de difusão de cultura e de informação em massa.
Nemi Rosa, representante da velha guarda.
O primeiro sinal de abertura para experiências musicais mais modernas na Canabrava veio com o surgimento de Zé Índio, filho do poeta Valmir Rosa. No período em que viveu em Salvador, Zé Índio deu início a suas atividades de compositor de MPB. Foi a partir desse momento que a temática local e regional entraram em nossa música, bem como a crítica social.

Vejamos alguns exemplos das temáticas trazidas pela música de Zé Índio: a temática social: “Pão recheado com pão/ É a comida de João/ Hoje ele comeu carne/ Atacou uma congestão/ Seus órgãos só conheciam/ a vitamina do pão”; a temática regional e local: “eu sou sertanejo/ porque no sertão/ no sertão eu nasci/ sou do pé de serra/ de uma linda terra/ Uibaí”; “Quando o galo canta no quintal/ Anunciando que o dia vai nascer” a temática romântica sertaneja: “Onde andará a flor de maracujá?/ Eu sei onde a flor estiver/ meu amor também está”. Mais tarde, Zé Índio também fez experiências com o forró. Zé foi o primeiro cantor profissional de Uibaí, o primeiro a gravar disco, coisa quase impossível até o surgimento da tecnologia laser de CD dos anos de 1990, que aposentou o vinil.
Zé Índio em São Paulo, precursor da modernidade musical canabrabeira. Foto do orkut do cantor.
Alguns anos depois do surgimento de Zé Índio, houve dois momentos em que se tentou organizar a turma da música em Uibaí. O primeiro momento se deu com a criação da Fundação dos Artistas de Uibaí (FAU), articulada por Enoch Carneiro, em 1987. Um pouco depois de a FAU ser desativada, veio o segundo momento com o aparecimento do Grupo do Violão, articulado por Rui de Maroca e Pio de Rosinha, do qual faziam parte ainda Enoch, Simara, entre outros.

Em meados dos anos de 1980, a cultura de massa e sua música comercial exerceriam influência total na região, com a eclosão do Axé Music. Esse gênero dominou os bailes na região de Irecê. Bandas como Flor de Cactus, The Jet Sons, Tapajós, entre tantas que tocavam naquele período, embalaram os bailes com a nova sonoridade exercida por Luis Caldas, Missinho, Sarah Jane, Gerônimo, Banda Mel, Reflexus, Chiclete e cia. Antes mesmo de esgotar por completo a euforia inicial do Axé, já se desfrutava também na região de uma febre de Lambada e posteriormente de Música Sertaneja. A música Sertaneja gerou em Uibaí a dupla Moreno e Morenito, liderada por Beto de Roxão. A dupla chegou a gozar de certo sucesso e até influenciou alguns jovens como Ailton de Tõe de Bolô. Mais recentemente Uibaí ainda vivenciou um surto de pagode em estilo soteropolitano.

Com o clima de renovação cultural engendrado pelas semanas de arte, a partir de 1988, popularizaram-se a cantoria, com Joãozinho de Miro e Reinam do Poço e o reggae com sotaque de Celito, que teve seu momento de brilho nos anos de 1990, quando emplacou sucessos como "Jogador de bola", "Zezim de Lia" e "Caatinga do Cruel", isso um pouco antes de Simara despontar como cantora prodígio nos palcos juninos. Nessa direção, teve impulso o rock de Cassiano de Rubim e o rock de Marlon de Tonico, com a banda Caatinga Culta, posteriormente evoluída para Metamundo; apareceram ainda o grupo Banda voar, com Luisinho, Nemi, Gilson, Edimário e Rodolfo e o som forte de Nino Lima e Angelito... Por último, com o ressurgimento do Grêmio, presenciou-se, por iniciativa de Ari e Rui de Maroca, a introdução do samba na Canabrava.

Movida por uma pesquisa musical que incluía, entre outros clássicos do samba, a audição atenta de Clementina de Jesus, Noel Rosa, Cartola, Adoniram Barbosa e Nelson Cavaquinho. A dupla Rui/Ari principiou a produção de uma espécie de samba com sotaque caatingueiro, cuja temática se estende do rio São Francisco, em Xique-xique, ao pé da Serra Azul. O samba regional de Ari e Rui vem produzindo algumas pérolas como Samba da caatinga: "Mulherada gentileza/justifique numa boa/quem coloca o ovo azul /o cancão ou a cancoa?/... Diz o samba da caatinga/na cantiga do cangaço/cabaça cheia de furos/cabeça, chuva, cabaço" (...) e Ribeirinho canoeiro: "joga tua rede pro ar, canoeiro/sobre o espelho barrento/que o rebento do lado de cá/ancora couro ao tempo. ... O homem, peixe-boi se foi/da paisagem no momento/cantiga, força, corpo, luz/ navegando contra o vento" (...)
Ari e o samba regional, no Palco Livre do Grêmio

O importante de lembrar tudo isso ao nosso leitor, mesmo que de forma incompleta, é mostrar que temos valor, temos idéias e vamos evoluindo, crescendo dentro da convivência cultural e de suas confluências, de modo a ganharmos identidade. Se São Gabriel achou sua identidade musical na cantoria, Uibaí, precursor de São Gabriel, como se pode ver é muito mais complexo: já produz seu rock, sua cantoria, seu samba, seu reggae etc. E assiste, no atual momento, o surgimento de uma nova geração de bons músicos cantoras e cantores de estilos variados. HÁ BRAÇOS! alan

03 maio 2009

TEATRO DE LUTO

O teatro está de luto. Morreu neste final de semana Augusto Boal, o dramaturgo brasileiro criador do Teatro do Oprimido, do Teatro Legislativo e do Teatro Fórum. Boal foi um intenso militante de esquerda que se notabilizou mundo afora por conseguir aliar a técnica teatral à praxis política cotidiana. Seu teatro inegavelmente representa um instrumento de transformação social na medida em que põe no jogo dramático questões do dia a dia do povo simples e faz esse povo ator direto dessas questões.

O teatro de Boal funciona como uma espécie de laboratório de cidadania. Em Uibaí, essa vertente do teatro contemporâneo foi utilizada pela primeira vez no Praça Inquieta, em 2003. As ações teatrais do Praça Inquieta foram coordenadas por Pita Paiva, que aprendeu as técnicas teatrais de Augusto Boal em um curso ministrado no Rio de Janeiro. Hoje o grupo de teatro SEU dá continuidade a essa corrente teatral no município e na região de Irecê. Há braços!

25 abril 2009

SUPREMA BAIXARIA

Esta semana, o país ficou perplexo diante do bate boca na Suprema Corte entre o ministro Joaquim Benedito Barbosa e o presidente da casa Gilmar Mendes. Barbosão foi indicado por Lula para a cadeira de ministro do Supremo. Gilmarzão foi indicado por FHC. O confronto, mais do que confronto de doutrinas jurídicas, é ideológico. Se a gente for ler a Veja (com seu discurso de PSDB) Gilmarzão vai ser apresentado como o homem ilibado que está ferrenhamente lutando para que o Supremo não vire reunião de sindicato petista, para que o estado de direito não seja vilipendiado em função de interesses ideológicos. Se, por outro lado, a gente for ler a Carta Capital (que é a Veja do PT) Barbosão vai aparecer como o preto pobre que chegou lá e que vai fazer valer os clamores da rua dentro do Supremo. Barbosão vai encarnar o próprio São Benedito instalado na corte como voz dos oprimidos e Gilmarzão não passará de guardião dos direitos da burguesia. Somando as opiniões das duas revistas, a gente percebe a merda em que se transformou o jornalismo brasileiro, se é que um dia já foi mais do que isso. Na verdade, Barbosa e Mendes protagonizaram uma cena triste e deprimente. Faltou aos dois (sobretudo a Barbosa, que abusou de termos de baixa extração) a lhaneza característica dos membros da Corte Suprema. O Supremo não tem que tratar de rua ou gabinete, tem que tratar das leis do país. Da vigilância legal da nação. Do aprimoramento do estado de direito. HÁ BRAÇOS!

23 abril 2009

SOBRE DEMOCRACIAS E DITADURAS


“Disse Clemenceau que, em matéria de desonestidade, a diferença entre o regime democrático e a ditadura é a mesma que sepa­ra a chaga que corrói as carnes, por fora, e o invisível tumor que devasta os órgãos por dentro. As chagas democráticas curam-se ao sol da publici­dade, com o cautério da opinião livre; ao passo que os cânceres profun­dos das ditaduras apodrecem internamente o corpo social e são por isto mesmo muito mais graves.” (In Bonavides, Paulo. Ciência Política)

22 abril 2009

SER HOMEM É SER SÓ

"Era uma das quase duzentas mil pessoas presentes. Aconteceu então que, imediatamente, perdi qualquer sentimento de minha própria identidade. Ali, tornei-me também multidão. Esqueci a minha cara, senti a volúpia de ser “ninguém”. Se, de repente, o povo começasse a virar cambalhotas, e a equilibrar laranjas, e a ventar fogo, eu faria exatamente como os demais. E, então, senti que a multidão não só é desumana, como desumaniza". Nelson Rodrigues em: Óbvio Ululante.
Lembrando o velho Nelson Rodrigues, só há duas saídas para nós: ou se é homem, ou se é massa. Ser homem implica necessariamente ser só. A solidão está para o homem, assim como a desumanização e as paixões exacerbadas estão para a massa. Prefiro ser só a seguir rebanho. Escolho ser homem! Até porque não há nada de errado na solidão. No fundo, o homem na sua solidão é quem desvia a massa do abismo. Ela, a solidão, é a mais genuina condição humana. E, de súbito, esse sentimento intrínseco a tudo que é singular acontece quando a gente se dá conta de que não precisa balir como os outros, quando aprendemos a ouvir a nossa voz, o nosso desejo mais íntimo e pessoal. Quando perdemos o medo do olhar externo que aponta para a repetição, para a imitação servil... Esse olhar externo com essas características é que nos desumaniza na medida em que se propõe a nos roubar a singularidade, as idiosincrasias, oferecendo-nos como feliz alternativa o comportamento de massa, pasteurizado, midiatizado e dócil a qualquer controle ou incitação. Quando se aceita a solidão como parte constitutiva da condição humana, opera-se a desarticulação de toda uma teia de culpa forjada para nos reduzir a pobres autômatos. Não esperemos bondes, sejamos os solitários e solidários bondes de nós mesmos. Há braços! alan

09 abril 2009

O SEU DE TODOS NÓS!



Grupo de teatro SEU em ação, síntese de todo um processo de consolidação do teatro e de atividades culturais em Uibaí, que começou com as semanas de arte e com o Grupo Teatro Vida. O SEU, hoje, é o mais importante grupo cultural em atividade na Canabrava. A gente precisa valorizar esses guerreiros.
Foto capturada no orkut de Fábio, membro do SEU.

07 abril 2009

BOCA DO INFERNO 41 MARÇO 2009


Olá, galera do Boca do Inferno. Parabéns pela persistência, resistência e sobrevivência. A Revista está menos agressiva e não menos verdadeira, adequada ao contexto. Isto chama-se leitura e escrita da história sem perder o tom. Em breve estarei de volta às páginas com o tema Cidadania Ativa, me aguardem!!!Flor
Na foto, comunidade uibaiense participa de atividade no Grêmio, em 2004

O PROJETO DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL

CONVIDAMOS OS LEITORES A COMENTAR ESTA PROPOSTA DE LEI




PROJETO DE LEI ____/ 2009




Institui a política municipal de assistência estudantil univer-sitária e pré-universitária a estudantes carentes e dá outras providências.


O PREFEITO MUNICIPAL

Faço saber que a Câmara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art.1º Fica instituída a política de assistência estudantil universitária e pré-universitária no município de Uibaí, para atender a estudantes de baixa renda.

Art. 2º A política municipal de assistência estudantil universitária e pré-universitária terá por base o incentivo à formação superior dos uibaienses.

Art. 3º O município incentivará a criação de residências estudantis nos grandes centros universitários do Estado e do País, bem como, custeará as suas despesas básicas.

§ 1º Fica instituído o financiamento público das despesas básicas das residências estudantis já existentes à data da publicação desta lei.

Art. 4º O Poder Público, no trato com os estudantes, respeitará a autonomia administrativa das entidades e residências estudantis.

Parágrafo Único. Entende-se por autonomia administrativa a prerrogativa exclusiva de as entidades e residências estudantis estabelecerem os critérios para a seleção dos residentes, bem como, elaborarem seus estatutos, regimentos internos e demais normas de funcionamento.

Art. 5º Fica instituída a concessão de ajuda de custo, segundo critérios sócio-econômicos previamente estabelecidos, aos estudantes universitários que residam em municípios onde não houver residência autônoma de estudantes uibaienses e a sua criação seja economicamente desaconselhável.

Art. 6º O município reembolsará, integral ou parcialmente, as despesas com transporte efetuadas por estudantes de baixa renda, residentes no município de Uibaí, que freqüentem cursos de nível superior, pós-médio profissionalizante e técnico profissionalizante em estabelecimentos de ensino sediados em outro município.

§ 1º O estudante que não lograr aprovação para o ano ou etapa seguinte do curso que estiver matriculado, ou, injustificadamente trancar a matrícula, perderá o direito ao benefício.

§ 2º O incentivo de que trata o caput deste artigo será deferido ao aluno que comprovadamente não possa arcar com as despesas decorrentes do deslocamento, sem prejuízo do sustento próprio ou da família.

Art. 7º Fica garantida a instituição de um cursinho pré-vestibular público e gratuito no município de Uibaí com aulas ministradas preferencialmente por profissionais que, de algum modo, tenham se beneficiado de recursos do município.

Art. 8º Para atender ao disposto nesta lei, o Poder Executivo celebrará convênios com sociedades civis sem fins lucrativos, com o escopo de possibilitar o repasse de verbas municipais.

Parágrafo Único. Os termos dos convênios referidos no caput deste artigo serão elaborados pelo Poder Executivo conjuntamente com as entidades representativas dos estudantes.

Art. 9º As despesas decorrentes do disposto nesta Lei correrão por conta de dotação orçamentária prevista na Lei Orçamentária Anual, ficando o Poder Executivo autorizado a abrir créditos suplementares ou especiais.

Parágrafo Único. Para os exercícios financeiros subseqüentes, o Poder Executivo determinará a sua previsão orçamentária quando da apresentação Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) a serem aprovados pela Câmara municipal.

Art. 10. As instituições e os estudantes beneficiados com recursos públicos nos termos desta lei desenvolverão, no município de Uibaí, projetos sociais, culturais e educacionais como contrapartida.

Parágrafo Único. Os projetos referidos no caput deste artigo serão elaborados e desenvolvidos pelas instituições e pelos estudantes beneficiados, em parceria com o Poder Público Municipal.

Art. 11. A prestação de contas dos recursos repassados será realizada semestralmente, nos meses de junho e dezembro, até o dia 30, pelas entidades beneficiadas, conforme dispuserem os respectivos termos de convênio.

Art. 12. O Poder Executivo regulamentará esta lei no prazo de 60 dias.

Art. 13. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 14. Revoga-se a lei n. xxx/2007 (ver n. da lei da ajuda de custo aprovada na gestão passada).

Gabinete do Prefeito Municipal de Uibaí, 30 de março de 2009.


Pedro Rocha Filho
PREFEITO MUNICIPAL

PEDRINHO DÁ EXEMPLO PARA A BAHIA

A gente critica as coisas erradas sim, de qualquer político. Mas a gente sabe também reconhecer quando o cara acerta. O prefeito Pedro Rocha deve assinar por esses dias a lei de assistência estudantil mais completa que o estado da Bahia já viu. Essa lei torna responsabilidade do município a sustentação das moradias estudantis uibaienses onde quer que estejam, propõe ajuda de custo a estudantes de baixa renda do município, cria cursinho gratuito, preparatório para o vestibular, e exige que os estudantes deem um retorno para a Canabrava participando de projetos sociais, culturais e educativos como contrapartida. Nada mais justo! Finalmente, o poder público assume a responsabilidade por um dos maiores focos de desenvolvimento de Uibaí: a educação. O município sempre se destacou nessa área, muito embora sofresse com a omissão e o desprezo dos administradores ao longo de décadas. Vamos ver se o prefeito consegue aprovar a lei na câmara. Se for vitorioso, entrará para a história do estado como um grande incentivador da educação. HÁ BRAÇOS!

26 março 2009

ACAMPAR SEM DESTRUIR A SERRA

Acampamento na serra de Uibaí, foto de Kalil
Cada vez mais o pessoal de Uibaí tem desenvolvido o gosto pela prática de acampamentos na serra. Isso era a coisa comum na semana santa, quando muita gente da Canabrava subia o Morro Branco levando provisões para passar o dia inteiro por lá. Ocorre que ao longo dos anos não se viu o aprimoramento ecológico das subidas ao morro. O resultado, no fim do dia, era sempre que o morro ficava detonado. A vegetação rasteira esmagada, arbustos mutilados e muita sujeira de plásticos, vidros, latas de doces, sardinha etc. O mesmo acontecia nas fontes e no Banheirão. Ainda bem que no morro a invasão nefasta só acontece uma vez por ano.

O que parece é que há uma nova geração mais consciente praticando o acampamento. Eles levam barracas, procuram não fazer fogo de modo impróprio e em lugares inadequados; levam sacos para recolherem os resíduos não orgânicos ou poluentes que produzem durante a estada na serra e sempre trazem o lixo produzido de volta para a casa.

Parece que a atitude desses ecocampistas é apenas de contemplação e interação pacífica com a natureza. Ninguém vai acampar com armas ou com o intuito de cortar árvores ou capturar animais. Que bom que seja assim! HÁ BRAÇOS!



SEGUEM ALGUMAS DICAS DOS ESCOTEIROS:



"Ao chegar ao local de acampamento...
... não arranques a vegetação existente no teu campo. Se arrancares a vegetação, com uma contínua utilização, depressa a erosão tornará o campo impossível de acampar.
O que fazer então?Para limpar o teu local de acampamento, basta retirar os paus e as pedras que nele encontrares.
Na montagem de campo...
... não pregues nem espetes nada nas árvores. Ao fazê-lo estarás a danificar os canais condutores de seiva da árvore o que, a curto prazo, acabará por matar a árvore.
O que fazer então?Bastará para o efeito, usares uma espia para segurares o que quiseres.
... não faças regos à volta da tenda. Ao abrires regos, estarás a destruir a camada de manta morta (humus), assim como a causar graves danos no sistema radicular da vegetação existente.
O que fazer então? Se for mesmo necessário fazer regos, para escoamento das águas das chuvas (pois a tua tenda não impermeável) fá-los de tamanho reduzido e de pouca profundidade.
Nas construções...
... não cortes nenhuma árvore para fazer as tuas construções em campo. Ao cortares árvores para usares nas tuas construções, estás a desperdiçar e a danificar os recursos florestais. Lembra-te "uma árvore é uma vida".
O que fazer então? Reduz as construções ao mínimo possível, usa desperdícios (madeira caída) e procura apoiar as construções nas árvores, reduzindo assim a quantidade de madeira a utilizar.
No consumo de água...
... não desperdices água. Como sabes, a água é um recurso natural de elevada importância e bastante limitado.
O que fazer então? Utilizar a água com cabeça, evitando assim um elevado consumo desta.
... não utilizes detergentes que não sejam biodegradáveis para lavar a loiça ou a roupa. Ao utilizares estes produtos, estás a contribuir para a contaminação dos lençóis subterrâneos de água.
O que fazer então? Para a lavagem da louça ou da roupa utiliza, na medida do possível, detergentes biodegradáveis, pois não são tão poluentes.
Na vida do acampamento...
... não deites nada para o chão. Assim estarás a destruir a floresta, poluindo-a.
O que fazer então? Utiliza um saco e leva o lixo para um local onde façam a sua recolha, no final do acampamento.
... não grites com os teus companheiros nem utilizes rádios. Se procederes de modo contrário, não poderás disfrutar do "silêncio" da vida em campo e estarás a perturbar o "habitat natural" onde te encontras.


"Procura deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraste". Baden-Powell"

19 março 2009

A ARTE PRECISA DE FINANCIAMENTO

Uibaí vem passando por um momento muito interessante em termos de manifestações culturais. A Aupac, o grupo Seu e o Gpec têm protagonizado uma intensa movimentação regada a teatro, música e poesia. Tá faltando a valorização desses agitadores culturais. Tá faltando uma política cultural que propicie condições financeiras mínimas para esses profissionais continuarem o trabalho bonito que vêm desenvolvendo. Arte e cultura precisam de incentivos financeiros. Quem trabalha de graça é relógio... Aliás, o relógio cobra a pilha! Há braços!

13 março 2009

SERRA DEGRADADA NO POÇO

Na visita que fiz à fonte Gasta Sabão, no povoado do Poço de Uibaí, em janeiro/2009, tive uma visão desoladora. Apesar de ter chovido um pouco, encontrei mais cinzas do que verde. O último fogo que aconteceu naquela região, na serra entre o Poço e Olhos D'agua, segundo informações de moradores, durou aproximadamente 20 dias. Essa queimada provocou clareiras enormes, deixando a serra inóspita. Os riachos outrora existentes, agora não têm água nem pra passarinho. Frutas silvestres como murici, puçá, guabiraba, araçá, quipá etc., agora só existem no imaginário do povo, só na literatura. Fauna e flora estão praticamente dizimadas. Temos apenas resquícios de vida.

(Sêneca Fernandes, para o boca do inferno)

07 março 2009

BURRICE E DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

Banheirão em 1989, depois de ser desentupido.
Durante muito tempo, Uibaí foi, para a região de Irecê, o oasis das águas frescas e saudáveis. O lugar aonde as pessoas vinham buscar água cristalina ou desfrutar do lazer que os riachos e nascentes da serra ofereciam durante o ano inteiro.
Até meados dos anos de 1980, o Banheirão, por exemplo, recebia um fluxo significativo de pessoas de muitos municípios da região. Ocorre que paralelo a esse desfrute turístico e utilitário dos recursos hídricos de nossa serra também prosperava (e ainda prospera) uma irracional prática predatória do meio ambiente.
Entendam como predação ambiental a implantação descontrolada de roças ao longo da serra bem como a proliferação criminosa de queimadas, do comércio de postes, pedras e da fauna silvestre. Tudo isso somado gerou uma violenta degradação ambiental que teve como resultado o definhamento das nascentes e a escassez do nosso mais apreciado recurso. Não dá para esquecer os entupimentos da barragem no final da década de 1980. A cada estação de chuva, a cavidade da barragem ficava completamente preenchida de areia, resultado do assoreamento gerado pelo desmatamento produzido serra acima.
A Canabrava entrou a década de noventa com uma crise profunda de abastecimento de água e com as nascentes e riachos quase extintos. Durante esse período, nada, praticamente nada foi feito para salvar a serra. Quanto à escassez de água, o município foi salvo pela chegada da água proveniente do açude de Mirorós. Uma água, embora potável, com uma qualidade muito inferior ao produto outrora abundante nas grotas da Serra Azul. O povo sofreu para se adaptar ao caldo grosso e meio salobro que passou a jorrar das torneiras vigiadas pelos registros da Embasa.
O período de otimismo que se instaurou com a chegada da água de Mirorós tem dois lados. Por um lado, deu descanso para as nascentes que deixaram de ser sugadas com o fim de alimentar as residências uibaienses e de demais municípios e também estimulou a expansão urbana, mas, por outro, deu a entender que não precisávamos mais dos recursos da serra, podendo-se, portanto, continuar a destruí-la à vontade e de forma voraz... Infelizmente foi o que aconteceu.
A falta de consciência e a desinteligência nossa, não nos permitiram perceber que aquela ocasião seria o momento exato para cuidar da serra, para proteger nossas águas e transformá-las em fonte turística de divisas e de qualidade de vida para Uibaí. Preferimos ignorar tudo isso e destruir cada vez mais nossos recursos naturais, já que o problema hídrico estava resolvido. Santa burrice!

Faltou-nos visão a médio e longo prazo. Infelizmente, não levamos em conta que a barragem de Mirorós também poderia entrar em colapso. E é exatamente isso que estamos presenciando agora. Novamente, o fantasma do desabastecimento ronda a região de Irecê. O baixo nível da água no açude de Mirorós, que abastece 486 mil pessoas em 14 municípios da nossa região, começa a preocupar as autoridades e a virar tema de discussão. O problema é este: as autoridades só se preocupam quando o estrago já está feito. Dados do Ibama e da Embasa apontam entre as causas da diminuição brusca do volume das águas, a degradação das nascentes e das matas ciliares dos rios que alimentam a barragem e o uso abusivo e descontrolado do referido produto.
Em Uibaí, a Codevasf, já ciente da crise de água por que a região começa a passar, resolveu investir na recuperação ambiental da serra, por saber do potencial hídrico que está sendo desprezado ali. E a prefeitura, e as entidades organizadas do município, como vão entrar nessa história? O que estão fazendo? Uibaí tem um produto precioso em seu território e ignora isso. Qual será o preço a pagar? HÁ BRAÇOS!

Alan Oliveira Machado

18 fevereiro 2009

10 fevereiro 2009

QUEM BEBE NA MINHA FONTE
VÊ O ABISMO QUE HÁ
DENTRO DE SI COM UMA PONTE
PRECÁRIA A BALANÇAR
(dioniso tamanduá, de volta do exílio)