12 novembro 2009

CONTROLE SOCIAL E CIDADANIA ATIVA


Para os foucaultianos existe uma primeira verdade que muitos desconhecem, portanto poucos dominam. Essa verdade detém as rédeas de engrenagem de um jogo. Para os gramiscianos existe uma sociedade chamada de Estado. Essa sociedade (Estado) se subdivide em sociedade política e sociedade civil. O todo social (povo) elege parte de si como seus representantes e o denomina de sociedade política, para decidir por si (sociedade civil), restando para esta última o controle sobre os atos da primeira, aqui entendido como Controle Social.
Esse controle social (da sociedade sobre o Estado) seria um processo permanente de participação da sociedade civil na formulação, deliberação, gerenciamento financeiro, acompanhamento da execução e avaliação das políticas públicas. Esse processo seria desenvolvido tanto na esfera pública quanto nos espaços públicos democráticos, constituindo-se numa mediação necessária a uma melhor distribuição dos bens públicos e à superação das desigualdades sociais.
No Brasil, o tema entrou na pauta democrática a partir de 1995 quando se instalou a reforma do Estado. Essa reforma envolveu a descentralização da execução de políticas públicas com perspectiva da participação da sociedade apenas no processo de controle e como uma obrigação. Com a sociedade civil despreparada, na ausência de uma consciência cidadã, são evidentes as dificuldades de concretização do processo, o qual apresenta desafios a serem enfrentados, a começar pela própria concepção do modelo vigente. O modelo não prevê a participação cidadã na formulação da política pública, mas obriga a participação no controle financeiro, sob pena de não liberação dos recursos públicos para a localidade que não constituir o Conselho, não oferece proteção social para os Conselheiros, nem infraestrutura de funcionamento dos Conselhos. Deixa esses pormenores a cargo do gestor local, o próprio, a ser controlado pela comunidade.
Além dessa realidade concreta abordada pelo novo paradigma de gestão pública, que se impõe a partir de então, este se depara com resistências políticas pela predominância, nas instâncias públicas, de velhas práticas patrimonialistas, originárias do Brasil colônia. A elite burocrata, por sua vez, também não abre mão das práticas burocráticas que têm sua origem nas inovações da segunda metade do século XIX.
Com fisionomia três em um (patrimonialista, burocrática e gerencial), o aparelho gestor público brasileiro apresenta ambientes políticos de tons e nuances do patrimonialismo, clientelismo, corporativismo, nepotismo, quando não do ainda presente coronelismo. É flagrante a existência de verdadeiros guetos a serviço das oligarquias (os donos do poder) nessas esferas. Elas se fazem representar por burocratas travestidos de “agentes técnicos” que, independente do governo, estão sempre ali prontos para “servir” – são os maiores praticantes da Teoria das elites de Vilfredo Pareto (1848-1923), Gaetano Mosca (1858-1941) e Robert Michels (1876-1936). Acumulam demasiado poder, tornando-se imunes a qualquer tipo de controle. Assim, por detrás de uma retórica igualitária, democrática, o que se assiste é o reinado de oligarquias, num terreno propício de elaboração de políticas de governo, nunca de políticas de Estado. Muda-se a elite governante e mudam-se, com ela, as políticas públicas, mas a elite burocrata persevera, intocável, incontrolável, jogando o tempo todo. Desse jogo de interesses, mais privados que públicos, surgem encruzilhadas que colocam em cheque as condições para o exercício da participação popular no controle dos bens públicos.
Há que se pensar também qual o entendimento sobre “participação popular”. Referenciadas as ideias de Maria Vitória Benevides de Mesquita, é possível observar que no Brasil há certa precariedade no debate teórico e institucional sobre esse tema, além de ambiguidade na sua utilização. A partir da reforma do Estado, a utilização ambígua do termo se aprofunda, pois passa a sustentar uma proposta de democracia, o que o leva a figurar entre a retórica e a publicidade política, desmoralizando ainda mais a sua prática. A retórica da participação popular é uma poderosa arma para os grupos que buscam poder, mas que, para tanto, precisam do apoio das massas.
Outra pedra no caminho do controle social é a falta de acesso, pelo cidadão, à informação e a processos de formação. Quanto menos informado e menos conhecedor das leis, do orçamento público e das políticas, maiores são as dificuldades para a construção do processo de controle social.
Os limites da democracia representativa e participativa também são armadilhas para o exercício do controle social. A representação política, como instituto legítimo e indispensável nas democracias modernas, não expressa fielmente os interesses coletivos. Essa deficiência se manifesta via crescente insatisfação popular com a representação tradicional. Para atender a manifestação de insatisfação, o povo como sociedade política, enquanto Estado, lança mão dos instrumentos de democracia semidireta (referendo, plebiscito), os quais funcionam como corretivo à democracia representativa.
Para Benevides (1998), cidadania ativa está relacionada à prática concreta da soberania popular, pois “supõe a participação popular como possibilidade de criação, transformação e controle sobre o poder, ou os poderes”, (BENEVIDES, 1998, p. 20). Cidadania ativa, assim concebida, se concretiza mediante educação política que, por sua vez, se desenvolve ao exercitar a participação, como uma escola de cidadania.
A regulação da participação cidadã integra o programa de descentralização das políticas públicas da esfera federal. A descentralização ocorre em variados níveis: da União para estados, municípios e escolas federais; de estados para seus municípios caso optem por delegar-lhes a execução de políticas de cunho local (municipalização); e de estados e municípios para as escolas de suas redes (escolarização). A escolarização é o grau mais ousado de descentralização, pois na perspectiva da gestão escolar democrática, coloca a responsabilidade pela execução das políticas mais próxima da comunidade. 
florentina oliveira machado

08 novembro 2009

O MURO DA IGNORÂNCIA AINDA NÃO CAIU

Há vinte anos caia o muro de Berlim, sinal inquestionável do fracasso da metodologia e das práticas instituídas pelo "comunismo". Lamentavelmente, essas mesmas práticas, pulverizadas pela história da humanidade, brotam em meio à pobreza e à ignorância nos mais variados rincões da América Latina. O neototalitarismo comunista, que não tem nada de novo, nem de comunista (no sentido honesto da palavra) vai-se espalhando pela América, com o discurso falso de governo popular, sob a batuta do pilantra Hugo Chaves e com a conivência do lullismo. Quando nos lembramos dos horrores produzidos por Stalin, Trotski, Ceausesco e cia, não há como evitar uma ponta de mal-estar e desconforto. Quem está no Brasil de Lulla, fora da sintonia do rebanho, tem mais é que se preocupar mesmo. Há braços!

05 novembro 2009

SANTO MAU GOSTO

O apelo à irracionalidade, a valores emotivos  está entre os recursos mais utilizados por políticos de todas as procedências. Assim, os sentimentos religiosos ,por  se calcificarem sobre valores maior parte das vezes de ordem emocional, por se enraizarem quase sempre em temores irracionais, acabam virando o alvo predileto, sobretudo de políticos picaretas. Esse monumento ao mau gosto, na foto ao lado, grotescamente plantado em meio ao asfalto na entrada de Uibaí é um exemplo claro não do pendor religioso dos habitantes do município, mas da sanha oportunista do ex-prefeito que, empenhado em ganhar a aprovação dos munícipes, achou de apelar  para o fervor religioso na modalidade carola, algo em franca decadência há bastante tempo.

A  santa de cimento é uma criação tosca,  é uma obra horrorosa, troncha, mal ajambrada e mais incomoda pela feiúra e  péssima localização do que exalta qualquer resquício de fervor religioso que haja na Canabrava. Por respeito à diversidade religiosa, a fé católica e mesmo à sensibilidade estética já um tanto melhorada dos uibaienses não seria o caso de remover tal entulho  que ofende a crença, o senso estético e ainda atrapalha o trânsito?

Essa não é a primeira vez que se apela ao sentimento religioso para manipular o povo. Já houve um prefeito imbecil, igualmente pilantra, que "reformou" a igrejinha centenária do centro da Canabrava. Não questionamos necessariamente a tal reforma. Ela poderia ser destacada como uma preocupação com o  patrimônio histórico de Uibaí, se as escolas estivessem bem assistidas, os funcionários municipais bem pagos, os povoados supridos em suas necessidades etc. Não era o caso, o prefeito reformador de igreja teve que ser arrancado do cargo devido ao excesso de corrupção e de autoritarismo. Fica aqui a sugestão de remoção do trambolho do meio do asfalto e, para quem quiser, também  um conselho: nunca acredite em administradores que preferem construir bonecos de cimento na rua a investir na educação e na saúde do seu filho. Há braços!

04 novembro 2009

CIDADANIA: ESTRATÉGIA PARA A CONSTRUÇÃO DA DEMOCRACIA


Quando pensamos nas origens da cidadania nos vem de imediato a ideia de legado político do berço da humanidade. Muitos pensadores buscam-na na polis grega e civita romana como algo umbilicalmente ligada. O viver em comunidade, as relações e os vínculos comunitários eram as bases de sustentação da noção de cidadania e de cidade para os gregos. Isso implicava em participação do cidadão na vida política para a tomada de decisões em praça pública, nas assembleias do povo (democracia direta). No entanto, a noção de cidadania, lá nos primórdios, já emergira nas relações de domínio e de poder e era privilégio de poucos, restrita aos virtuosos e, portanto, excludente.

Postas as origens históricas, observado o estágio de desenvolvimento de cada povo, o que nos fica como legado ao longo de décadas é uma definição de cidadão inicialmente vinculada ao pertencimento a determinado território (Cidadão Uibaiense), evoluindo para o “ter” direitos, seja por concessão ou por conquista. Ser cidadão, nesses termos, constitui-se em ter direitos civis – direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei. Posteriormente, foram agregados os direitos políticos de participar da construção dos destinos da sociedade, exercer o poder de voto elegendo os representantes, ter o direito de representar o outro. Numa democracia, somente os direitos civis e políticos não garantem a cidadania sem os direitos sociais. Os direitos sociais são aqueles que partilham a riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde. Exercer a cidadania plena é, portanto, ter direitos civis, políticos e sociais.

Aprendemos também que esses direitos não caem do Céu como dádivas dos Deuses ou prêmios por bom comportamento. Eles seriam, em princípio, frutos de luta, da organização da sociedade civil em sua defesa. Entendendo assim, pode-se afirmar que o cidadão é o ponto de partida para o exercício dos direitos constituídos e que, portanto, os destinos da sociedade estão em suas mãos. Porém, esse cidadão é insuficiente perante a complexidade das demandas sociais que remetem à problemática de emancipação e de inclusão, donde se conclui que o povo enquanto sociedade política deve garantir o cumprimento desses direitos, além de fomentar e tornar viável sua própria participação.

Na medida em que as conquistas vão se concretizando no seio da sociedade civil, os direitos vão sendo consignados nas Leis, pois as próprias demandas sociais criam as condições para a institucionalização dos direitos. Disso resulta o entendimento de que é na esfera pública que se dá a dimensão política da cidadania. Mas, na prática, o que vemos hoje é que a forma moderna de participação popular reduziu-se, por vezes, a procedimentos que se traduzem em participação autorizada, nada mais sendo que uma regulação do cidadão pelo Estado.

Mera formalidade!!! Dizem muitos teóricos. Temos tantas leis dignas, tantos direitos assegurados e continuamos vivenciando e testemunhando miséria, violência, desigualdade e exclusão social. Isso faz com que questionemos constantemente onde está o problema.

Há algum tempo, o Caderno Cultural Boca do Inferno publicou matéria sobre o PODER MUNDIAL GLOBAL HIERARQUIZADO: quem manda e quem obedece. Na terceira camada da pirâmide desenhada na referida matéria foram apresentadas as organizações sociais signatárias dos direitos humanos globais e universais. Sobre a hierarquia do poder em escala global, essa matéria revela ainda hoje a verdade sobre a qual se deve observar a predominância da racionalidade ocidental. Essa racionalidade se sustentou na legitimação científica – paradigma dominante no campo científico - necessária para manter as diferenças políticas e econômicas, frutos da sociedade capitalista. Há sempre uma mão invisível agindo na construção de novo aparato regulatório, legitimado em escala global e que regula o novo processo de democracia globalizada.

A partir das postulações feitas por Boaventura de Souza Santos é possível acreditar que o que marca esse referencial é justamente a razão excludente ocidental quando trata toda a complexidade dos direitos humanos a partir, única e exclusivamente, de sua visão social de mundo (razão indolente). Os direitos humanos no novo cenário mundial passa a ser mecanismo de sustentação ideológica do modelo de democracia não emancipatória, necessário ao capitalismo liberal. Assim, a cidadania moderna positivada não seria dádiva dos Deuses muito menos dos homens e apesar de ser conquista histórica, resultado de luta popular, ela pode ser manipulada para atender interesses alheios à vontade popular, porque ela é uma relação sempre em construção e seu êxito ou fracasso está diretamente relacionado ao grau de participação da sociedade civil. Se a participação popular é fraca, vence o mais forte e ela, a cidadania, é usada como uma forma necessária de regulação capitalista.

A razão excludente ocidental é a revelação da razão indolente criticada por Santos (2003). Contrapondo a razão indolente predominante, Santos (idem) propõe a racionalidade cosmopolita - a sociologia das ausências; a sociologia das emergências; e o trabalho de tradução – que concebe a emancipação social como inerente à renovação das ciências sociais pela confrontação dos conhecimentos por elas produzidos com outros conhecimentos – práticos, populares, vulgares, tácitos – que apesar de serem integrantes das práticas sociais analisadas pelas ciências sócias, são sempre ignorados por estas. A sociologia das ausências ignora o outro com seus saberes simples e populares; a sociologia das emergências reconhece os múltiplos saberes; e o trabalho de tradução faz a leitura, a apreensão e o reconhecimento das experiências disponíveis sem destruir a sua identidade.

Traduzindo ao pé da letra: João Agripino é Quilombola e a fonte de renda de sua comunidade é a extração do tucupi da mandioca. A comunidade detém uma técnica tradicional eficiente, secular e de origem familiar. Os primeiros ensinamentos foram registrados em cadernetas e transmitidos de pai para filho. O governo seleciona essa comunidade para programa de formação em novas tecnologias de extração e industrialização do tucupi. Ignorando as identidades e os saberes locais, os representantes do governo despejam conteúdos durante 40 horas naquela comunidade. Avaliam o aprendizado teórico e retornam para a sede do poder central. Essa ação de governo é a prática da sociologia das ausências – o desperdício de saberes do qual somos vítimas há mais de duzentos anos. Antes de selecionar a tribo indígena Pataxós para programa de formação em ciências naturais, o governo envia a sua tribo Biólogo, Sociólogo, Antropólogo, Indigenista com domínio da língua local e um Analista de discurso, com o objetivo de ouvir os índios, aprender seus conhecimentos, reconhecê-los, identificar suas dificuldades e elaborar coletivamente uma proposta de formação cujo resultado será a publicação de cartilhas e livros de ciências naturais construídos a partir dos saberes local e da diversidade da floresta, respeitando sua identidade. Nesse caso, o governo pratica a sociologia das emergências utilizando-se do procedimento sociológico de tradução. Não há uma teoria geral a ser aplicada, o que deve haver é a tradução e o respeito aos múltiplos saberes (vulgares - não científicos). Eis o novo paradigma!

A partir desse novo paradigma, percebe-se que a ideia de cidadania transcende a reivindicações de acesso, de inclusão, pertencimento ao sistema político, enfim, a formalização de direitos, conceito este posto pelo modelo liberal. O que está em jogo não é somente o direito de inventar direitos no seio da sociedade; o que está em jogo é o direito de inventar inclusive um novo sistema político, uma nova arquitetura social. Nesse aspecto, a ideia de cidadania é eminentemente política, ela deixa de ser um direito estanque, formal e se revela como uma relação política, uma estratégia de construção da democracia. Por isso, ela deriva e está intrinsecamente ligada a ação organizada dos cidadãos (movimentos sociais autônomos).
                                                                 florentina oliveira machado

01 novembro 2009

BOCA DO INFERNO 46

O famoso beijo de Judas, o Lulla que traiu Cristo por algumas moedas. Como um Judas moderno, Lulla é o homem para quem a ambição pessoal está acima do bem-estar coletivo. O representante político que, dominando o povo com um populismo sem vergonha, alimenta a ilusão da massa com esmolas para tentar usá-la com o fim de perpetuar seu grupo no poder. Nenhum governo dos que Lulla apoia mundo afora tem como objetivo tornar a vida melhor para todos. Pelo contrário, esses governos investem na eternização da pobreza com a finalidade de manter o povo sempre vulnerável a esmolas e obediente ao direcionamento. 
HÁ BRAÇOS!

30 outubro 2009

O JUDAS DA PRESIDÊNCIA ACHA QUE É JESUS


Uma das principais características do discurso de Lulla é a frase de efeito em forma de metáfora vulgar. O futebol é seu tema favorito. Quem não o ouviu chamar de “Meu Ronaldinho” o filho Lulinha, numa alusão ao herdeiro ser craque nos negócios?  Lullinha é aquele que era monitor de Jardim Zoológico e virou um empresário milionário da noite para o dia, bancado pela negociata espúria das empresas telefônicas. Pelo que consta, Ronaldinho é craque devido ao próprio talento, mas a gente sabe que Lulla fez a comparação apenas para atenuar a exposição da negociata e debochar da imprensa.


 Vez ou outra,  Lulla usa o apelo religioso também. A última besteira, de natureza bíblica, deve ter contado com a assessoria do companheiro Edir Macedo, especialista em transformar fé em grana. Lulla afirmou que se Jesus Cristo estivesse aqui hoje faria alianças com Judas. Detalhe, Judas é aquele cara gente boa que vendeu Jesus por umas moedas de prata. E Judas não o vendeu  por pressão não, ele calculou, estudou e esperou o momento certo para fechar o negócio.  Essa maravilha de imagem foi lançada no momento em que dá nas vistas o comércio que o Lullismo vem realizando para garantir a eleição de Dilma Rouseff e coloca Lulla e sua turma vermelha no lugar de Jesus Cristo e a turma do PMDB e congêneres na condição de Judas.


Lulla tá querendo dizer que Jesus seria uma espécie de Edir Macedo, uma mistura de comerciante bandido com pastor. O Jesus de Lulla não expulsaria os vendilhões do templo, pelo contrário, cobraria 70% do lucro e contrataria Duda Mendonça, esse sim um Ronaldinho da publicidade, para montar um esquema publicitário com o fim de atrair mais vendilhões. Lulla se comporta hoje como o vendilhão-mor que acha que pode comprar todo mundo com o dinheiro público, vender ou negociar o País como quiser. O Brasil já era um templo imundo de corrupção e negociata com dinheiro público, porém agora, mais do que em qualquer época, essa realidade se naturalizou a ponto de o próprio presidente se declarar um Jesus ao avesso desse templo degenerado em que transformaram a república.


A gente aqui não tem lá muito fervor religioso, mas basta ler o Novo Testamento para notar que  ali   Jesus aparece como um sujeito de bons sentimentos, desapegado de dinheiro e bens materiais e que Judas desponta como um traidor ambicioso, chegado a negócios espúrios,  para quem o dinheiro valia mais do que a vida humana. Nesse caso, Lulla e sua turma está mais para Judas do que para Jesus.  Com essa infeliz comparação religiosa, Lulla acabou nos dando uma ideia: na próxima Semana Santa, a gente dá uma surra lascada nelle e depois o prega numa cruz ou a gente o queima em praça pública? Há braços!

29 outubro 2009

O HOMEM SE CONSTROI COTIDIANAMENTE


Às vezes, temos a impressão de que as coisas (incluindo a gente) são significantes vazios ,bombardeados por feixes de desejos, envelopados em imagens e sinais  intermitentes. Ai, ai... Isso parece coisa lacaniana! Mas o fato é que o mundo está cheio de signos, está derramado de ícones, índices, símbolos ou coisas que o valham. A escultura da foto ao lado, de um homem esculpindo a si mesmo, por exemplo, nos parece  um signo complexo, que aglutina formas icônicas, simbólicas e indiciais. Nela, as formas icônicas são também índices e símbolos de uma maneira de ver o homem e a vida. A imagem corresponde exatamente àquela máxima do existencialismo sartriano: "O homem é aquilo que decidiu ser". Mas a semiose nos leva mais longe, quando estamos diante dessa obra de arte interessante.

Mirando demoradamente a estátua, não há como não pensar sobre a nossa própria vida: em como vamos, ao longo dos anos, nos talhando com os escopros da convivência, com o buril dos erros e acertos; em como vamos traçando caminhos entre os altos e baixos do dia a dia, dando forma a um modo de ser e de agir singulares; em como somos indefinidamente inacabados e passíveis sempre de melhora. Essa interessante escultura está na Praça Universitária de Goiânia, quase em frente a Casa de Estudantes Universitários. A praça é uma galeria a céu aberto de uma riqueza comovente. Há braços!

24 outubro 2009

PALHACINHO PENSADOR



Uma imagem diz muitas coisas. Esse palhacinho reflexivo, com pernas de pau improvisadas, fotografado por Ada, na frente do Grêmio Voz do Povo, no dia das crianças em Uibaí é uma coisa  linda, de um lirismo singelo. Esse é o caso de uma clicada feliz que eterniza muitos sentidos. Será  em que  pensava? Algo o aborrecia? Certamente há muito no que se pensar em Uibaí e há também aborrecimentos indisfarçáveis, como o péssimo tratamento dado aos professores, à cultura e o desrespeito à infância. A propósito, seria a qualidade da educação que o personagem da foto recebe hoje suficiente para  garantir-lhe uma vida digna no futuro?
O martelo na mão do nosso pequeno pensador lembra a imagem que Nietzsche utilizou para qualificar sua filosofia: "filosofia a golpes de martelo". Eis aí o ideal de homem do amanhã, com o desprendimento dos palhaços e a pureza das crianças. Com disposição para refletir e braço forte a sustentar o martelo que demoli preconceitos, raízes podres, tabus e práticas imbecis. Sobreviverão esses traços à fúria gananciosa do poder canabrabeiro?
O fundo verde amarelo da foto evoca coisas do amor à terra, coisas do Brasil e as pernas de pau, amarradas desajeitadamente, com os sapatinhos furados, não nos remetem ao genial Charles Chaplin? Há algo de Carlitos nesse personagem. Um  clown à maneira de Chaplin, que une inocência com reflexão enviesadas  por uma ponta de melancolia. Bela imagem, Ada, parabéns! Há braços!

20 outubro 2009

CONCURSO EM UIBAÍ


A prefeitura de Uibaí abriu concurso para preencher alguns cargos. O concurso tem inscrições abertas até o dia 06 de novembro de 2009. São cargos para limpeza, serviços gerais, pedreiros, professores e médicos entre outros. A instituição responsável pelo processo de seleção é um tal instituto "Êxito, cursos e concursos", com sede em Irecê, aliás, a sede, pelo que consta é um escritório de advocacia.

Mas o curioso é comparar as remunerações para os respectivos cargos. Uibaí, o município destaque em educação, oferece salário de 465 reais para os professores e 4.000 reais para médicos. O salário pago para os médicos que se candidatarem às vagas oferecidas é uma desgraça. Médicos cuidam de vidas e podem muito bem colocá-las em risco , a depender das condições de trabalho. Assim, os médicos mereciam pelo menos a dignidade mínima  do piso pago nas capitais. Ocorre que professores também cuidam de vidas e são capazes de destruir cabeças de crianças inocentes de modo irreversível. Mas o que ganham os professores, cujo concurso exige curso superior? O mesmo que os seriços gerais, cargo com exigência de escolaridade básica. A responsabilidade dos professores é igual ou maior que a dos médicos, lidam com a vida em situações delicadas, mas merecem dos "salvadores e reconstrutores de Uibaí" a miséria, a desonra, a merda de salário, a humilhação chamada salário mínimo. Humilhante para qualquer ser humano, para qualquer trabalhador, seja dos serviços gerais ou não, escolarizado ou não; veja lá para quem tem a responsabilidade que  o professor leva nas costas.

Uibaí se destaca na educação, mas isso jamais foi mérito do poder, até porque educação nunca foi prioridade nem no passado nem agora. Uibaí é forte em educação porque seu povo é duro, com sangue no olho. Porque  seu povo luta com livros e conhecimento com o afinco com que labuta na roça. Sisudo, concentrado, determinado. Por isso colhe diplomas e títulos como colhe milho e feijão a cada fim de safra. Quem acredita que vão salvar e reconstruir a  Canabrava pagando 465 reais aos professores? Se a atual administração  fosse tradicional, conservadora e nunca tivesse feito discurso de "salvação e reconstrução" de Uibaí, cumpriria pelo menos a Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008, que estabeleceu o piso salarial unificado de 950 reais para professor. É lei, é obrigatório desde janeiro de 2009. Há braços!

COMENTÁRIO ESPECIAL
Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009, 11:29 


Prezado Alan,
 
Gostei do texto e me lembrei automaticamente de um pronunciamento do LULA, quando ele confessou que sofreu  um choque, no exato momento em que deixou de ser pedra para ser vidraça. Concordo contigo e agora que estou acompanhando mais de perto uma administração,  me vejo abismado com as dificuldades, com as aves de rapina que tentam sugar de todas as formas. Fiquei muito triste com alguns companheiros que eu imaginava como pessoas sérias e que na primeira oportunidade sugeriram manobras, no mínimo indecorosas. Como é dificil administrar uma sociedade carente de quase tudo e acostumada a receber esmolas de tudo que é tipo. Não gostaria de ser prefeito, pois com esse tipo de campanha, mesmo antes da posse, existem os agiotas de plantão que já transitam nos gabinetes. São fatos, obstáculos de todos os tipos, um preço alto para continuar sério. Gostaria de lançar, um dia, a candidatura do companheiro Edimário, porém acho que seria um grande sacríficio para ele. É um posto que só se deseja para um inimigo, tamanho o sufoco se o cara quiser continuar firme, com honestidade. Para um meliante, no entanto, é um prato cheio, são todas as facilidades posíveis. Coisas de uma democracia viciada, herança de uma república manca, que nasceu das entranhas de um golpe de estado, uma república que nasceu sem público.
 
Grande abraço, sou seu fã.
Enoch Carneiro. 

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Caro Enoch, 
Em primeiro lugar gostaria de agradecer pela atenção e por dedicar um pequeno hiato do seu precioso tempo a comentar o conteúdo deste caderno.
Você tem toda razão, as demandas de uma administração exigem bastante clareza do que deve ser priorizado. Caso contrário, até pessoas de boa intenção se perdem no jogo baixo estabelecido pelas hienas de plantão. Administrar um município cheio de vícios, como o nosso, é coisa para leão. Só leão consegue viver entre hienas sem deixar de ser leão ou se sucumbir nos vícios baixos dos bandos. Quem se sucumbiu possivelmente apenas se despiu de um disfarce. Não gostaria de ver nenhum amigo ser jogado num covil de hienas sem antes ser avisado ou fortalecido. Nem em  desenho animado hienas e leões podem reinar juntos. Os interesses são incompatíveis. Amigos não merecem presentes de grego.  Há braços! alan


15 outubro 2009

PEGANDO POR DESVIOS


De modo geral, nas relações entre linguagem, sentido e realidade até que ponto nos perdemos nos corredores da linguagem e nos becos dos sentidos? Os corredores não raro se implodem diante de muros concretos, os becos se diluem quando não dão em um alçapão semiótico.
O sentido e a linguagem se estilhaçam como um espelho diante da realidade e o universo se multiplica infinitamente nos cacos.alan machado


14 outubro 2009

A RODOVIA TRANSCANABRABEIRA

O atual prefeito de Uibaí anda se debatendo para não repetir os anteriores, mas o atavismo político canabrabeiro tem falado mais alto. Prometeu asfaltamento da Rua do Cascalho estendendo a pavimentação até Ibititá, mas não rapou nada do galeguim dos-zói-azul que governa o estado. Restou a ele repetir a mesma ação que parece eterna no Cascalho: meter tubatinga na rua pro povo comer o poeirão. O Cascalho votou em peso em Pedrinho e de cara já ganhou mais do mesmo: pó na cara!

Como não deu certo o asfaltamento do Pé-de-Galinha, coisa que poderia ser resolvida com paralelepípedos, pelo menos no perímetro urbano, o prefeito embrenhou na serra com uma comitiva para demarcar uma possível estrada que ligue Uibaí a Mirorós. A ideia até que é boa, principalmente para Mirorós que sofre com o isolamento. Mas não pode ser uma coisa assim doidivanas, tocada aos sopapos como jegue brabo. O estrago na serra do Peixe pode ser absurdo e os resultados socioeconômicos ínfimos. Fazer o caminho inverso de Venceslau pode resultar em mais um fracasso retumbante dos salvadores e reconstrutores de Uibaí. Já tem gente chamando a suposta estrada de a transamazônica uibaiense, a transerrana, a transcanabrabeira. Há braços!

11 outubro 2009

AS LARANJAS IMPERIALISTAS DO MST

O MST destruiu parte da fazenda da Cutrale. Todo mundo viu na TV a cena do trator esmagando sete mil laranjeiras carregadas e viu também os maquinários despedaçados. A ação foi puramente ideológica. A fazenda era produtiva, não resta dúvidas. O pano de fundo ideológico é aquele anti-americanismo roto: a Cutrale é uma gigante do ramo do suco e seu mercado maior os EUA. Destruir a Cutrale é, na cabeça de idiotas como Stedile, atingir o império americano. O sonho dos órfãos do comunismo totalitário é ver a América do Norte de joelhos. Por essa ótica, as coisas se ligam. Não seria o Nobel de Obama uma forma de amarrar as mãos dos Estados Unidos diante do surto de totalitarismo que o mundo começa a viver, dessa vez a partir da América do Sul ? Ao MST e ao Governo de Lulla parace que interessa mais produzir Os laranjas do que as laranjas. Há braços!

10 outubro 2009

DO PRÊMIO NOBEL AO OSCAR

Obama ganhou o Nobel da Paz. Até que a pomba da paz combina com aquele jeito de estátua que ele ostenta, com olhar invariavelmente perdido no horizonte e queixo fixamente erguido. Pombas gostam de estátuas. Nunca se viu bajulação mais escancarada na história do Nobel. Como um cara com o currículo inexpressivo de Obama fatura o Nobel da Paz? Além de não ter nenhum serviço relevante prestado à paz mundial, o presidente americano carrega a responsabilidade de duas guerras nas costas. É uma piada! O novo Prêmio Nobel da Paz é o gerente maior das guerras do Iraque e do Afeganistão. Pela façanha de levar o Nobel da Paz, Obama deveria levar o Prêmio Nobel de Marketing de lambuja(se existisse). A mais visível ação pela paz que ele realizou foi matar uma mosca que o importunava. E deu ao feito aquela tacada de marketing característica, recorrente desde que surgiu no cenário político mundial. Que Obama é mais marqueteiro do que presidente já dá para perceber, que ele vende mais imagem do que ação, parece que ninguém duvida mais. Mas dá para notar também que tanto as justificativas da imprensa mundial que o glorifica, quanto as da academia que distribui o Nobel, de que Obama mereceu o prêmio pelo que ainda vai fazer não convencem nem ao mais simplório criador de galinhas. A sabedoria popular nos ensina que não se deve contar com o ovo no cu da galinha. Com o andar da carruagem, não nos surpreenderemos se derem ao rei do marketing também um Oscar em Hollywood. Há braços!

02 outubro 2009

NOSSO TEMPO

Composição: Carlos Drummond de Andrade

I

Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.

Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.

(...)

AQUECIMENTO GLOBAL OU POLÍTICO?

Aquecimento Global? Há controvérsias. Somos profundamente ligadoS à natureza, às coisas de Geia. Defendemos sempre as causas que promovem o equilíbrio e a preservação ambiental. Mas o aquecimento global, como vem sendo posto, nos parece bem mais coisa de publicidade, se aproxima mais do marketing político do que de coisa séria. A terra tem seus ciclos geológicos. Tem períodos mais árticos e períodos mais quentes. É como um organismo vivo cujo metabolismo vai sofrendo efeitos de alterações hormonais em períodos alternados ou adaptações fisiológicas ao espaço em que se encontra. A terra não está doente. Talvez nós estejamos mais doentes do que ela. HÁ BRAÇOS!

27 setembro 2009

PATACOADAS AUTORITÁRIAS DO TIO SAM DO SUL


É visível que Roberto Michelleti, presidente atual de Honduras, se for pilantra é bem menos, é infimamente menos pilantra do que a turma bolivariana que Lulla apoia servilmente. Michelleti tem sido tolerante até demais com as agressões praticadas contra seu país e contra ele mesmo pelo governo Lulla e pela trupe do Tio Chaves (o Tio Sam da América do Sul). Michelleti está demorando muito para expulsar o embaixador brasileiro de Tegucigalpa. Diante do circo desrespeitoso armado pelo Brasil e pelo Tio Chaves, a embaixada brasileira já devia ter sido fechada há tempos. É questão de respeito às leis.

Para se ter uma ideia de o quanto esse pessoal bolivariano é mais autoritário e pilantra, basta lembrar que em setembro de 2008 o índio vigarista Evo Morales expulsou o embaixador americano na Bolívia, Philip Goldberg, apenas por constatar que o diplomata não simpatizava com suas ideias. O mesmo fez, em seguida, o Tio Chaves com o embaixador americano na Venezuela Patrick Duddy. O democrático Chaves o expulsou usando o mesmo motivo alegado pelo índio vigarista. Se Michelleti fosse ao menos um pouco igual a eles, essa baixaria lá na embaixada já teria acabado. Mas ele não é. E está ajudando a destroçar a democracia de seu país sendo tolerante com gente intolerante que pratica o que costuma combater, quando o deles está na reta é claro.

Dá pra perceber agora como é o caráter dessa gente? Dá pra perceber agora que eles odeiam a democracia e usam o discurso democrático apenas para acuar os adversários, melhor, os inimigos (eles não têm adversários)? Dá pra perceber que o gosto real deles é pelo poder, é pelo autoritarismo e tutti quantti? HÁ BRAÇOS!

25 setembro 2009

FREUD EXPLICA!

Não é só Freud que explica o ato falho (para os mais aplicados, parapraxia) que Lulla cometeu hoje em entrevista concedida durante a reunião do G-20. Perguntado sobre sua opinião a respeito do programa nuclear iraniano, Lulla disse que o seu PARTIDO (em lugar de País) é o único cuja constituição proibe o uso bélico da energia nuclear... Ele substituiu PARTIDO por PAÍS em seguida, mas já era tarde, o desejo guardado no inconsciente já estava exposto. É mole? Na verdade, nem precisava de ato falho, tá na cara o leninismo anacrônico que impregna o ambiente mental do PT: o partido é o Estado! O partido é tudo! O país pouco importa, vem sempre depois do partido nesse caso. Para onde estamos caminhando mesmo? Há braços!

24 setembro 2009

A PAPAGAIADA AUTORITÁRIA DE LULLA


O comportamento desprezível do governo brasileiro em Honduras fere o Título I da nossa Constituição Federal. Tal título trata dos Princípios Fundamentais e no seu Artigo 4° podemos ler o seguinte: "A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I. independência nacional;
II. prevalência dos direitos humanos;
III. autodeterminação dos povos;
IV. não intervenção;
V. igualdade entre Estados;
VI. defesa da paz;
VII. solução pacífica dos conflitos";
(...)

Como podemos constatar, praticamente todos os itens acima estão sendo desrespeitados pelo governo brasileiro. Com a intervenção brasileira, onde fica a autodeterminação do povo hondurenho? A intervenção brasileira (inconstitucional, como se vê) força um clima de guerra civil em Tegucigalpa. Onde fica a "defesa paz" pregada pela nossa constituição? E a solução pacífica dos conflitos"? E a "independência nacional" de Honduras? O bolivarismode Hugo Chaves, ideologia vulgar a que o governo Lulla vem se submetendo, trabalha para destruir democracias e transformá-las em ditaduras aliadas. Resta saber qual interesse o governo brasileiro tem pelas ditaduras. Estaria Lulla pavimentando o caminho para destroçar a nossa democracia também?HÁ BRAÇOS!

22 setembro 2009

A TRUCULÊNCIA LULLISTA NA AMÉRICA


O que o Brasil (melhor, o Itamarati de Lulla) está fazendo em Honduras é a coisa mais bandida e cínica que já se viu em termos de política internacional. Simplesmente, o governo brasileiro cedeu a embaixada para abrigar de forma ilegal o presidente chavista deposto Manuel Zelaya. Zelaya, retirado da cadeira de presidente, depois de desrespeitar a constituição hondurenha, foi expulso de Honduras e agora volta numa operação clandestina comandada por Hugo Chaves e gerenciada pelo governo brasileiro.

Lulla diz que o Brasil não pode tolerar golpes e ditaduras na América Latina, mas apoia a ditadura cubana. Condena o acordo colombiano de cessão de bases militares aos Estados Unidos, por se tratar de ameaça à soberania na região, mas nada diz das ações das Farcs... mas ajuda Zelaya a entrar ilegalmente em Honduras e ainda o abriga na embaixada brasileira, cedendo o espaço para tal golpista fazer comitê político. A atitude do governo brasileiro é séria ameaça à soberania hondurenha, constitui uma interferência grosseira que fere até mesmo a constituição brasileira. A política do governo Lulla para a América Latina tem sido truculenta e covarde com Honduras, mas omissa e serviçal com relação à Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba e Paraguai, só pra citar os mais próximos. A "valentia" com que o imperialismo lullista trata Honduras em nada lembra o capachismo servil demonstrado na época em que o índio vigarista Evo Morales roubou, com a força das armas, as refinarias da Petrobras na Bolívia. Por que será?HÁ BRAÇOS!

BOCA DO INFERNO 45, agosto/setembro 2009

EU TENHO SOFIA
(Para a gigante-pequenina Sofia Gamper Machado)

Os gregos foram mais modestos do que eu, eles sabiam que Sofia era algo raro, de difícil acesso ao espírito humano. Se contentaram então em admirá-la, em contemplá-la, em amá-la. Uns atormentavam-se com a presença de Sofia, outros regozijavam, transbordavam, expandiam-se em júbilos. Sofia e suas sombras misteriosas, Sofia e suas luzes extenuantes. Sofia, o drama, o doce drama entre Eros e Psiquê. A luz que dissipa as sombras, a noite que engole a luz .Eu? Eu não apenas amo Sofia, não me satisfaço em contemplá-la e admirá-la. Eu... Eu tenho Sofia e ela ilumina a minha vida diariamente. Ela me põe cotidianamente no eixo, me embala com seus sorrisos matinais. Os gregos se contentaram em amar Sofia, por isso, a Filosofia, eu, como já disse, tenho ela para mim. (alan oliveira machado)

20 setembro 2009

AS TRANQUEIRAS DO CINEMA NACIONAL

A mentalidade da maioria dos cineastas brasileiros ainda está impregnada daquela ideia muito comum nos anos sessenta de que a pobreza e a desgraça social devem ser louvada ou apresentada como a cara do País. Foi naquele período que vicejaram produções deprimentes que reduziam o Brasil à conversa fiada de reunião de esquerda em botequim com lemas como "Seja marginal, seja um heroi", amparados numa didática chamada a estética da fome. De lá pra cá, pouco mudou, tivemos "Lúcio Flávio, o passageiro da agonia", "O bandido da luz vermelha", "o homem que virou suco", "Pixote", "Carandiru", "Cidade de Deus", "Meu nome não é Johnny" só para citar alguns exemplos de filmes pagos com dinheiro público, cujo foco é a bandidagem, a marginalidade e a pobreza. Agora vemos despontar mais uma belezinha do cinema nacional na lista de indicação para concorrer ao Oscar: "Salve Geral", filme de Sérgio Rezende, que conta sobre os ataques de 2006 que o PCC organizou em São Paulo, deixando um saldo de 200 mortos. É duro ver o cinema tomado por essa coisa triste. Até parece que a nossa história, o nosso dia a dia se resume a isso. Ficamos aqui imaginando o quanto isso contribui para jogar abaixo ainda mais a autoestima brasileira, para alimentar também a já negativa imagem do País lá fora. O dinheiro público, nesse caso, é usado contra o Brasil. A gente sabe que há exceções como "Lavoura Arcáica", Memórias Póstumas de Brás Cubas", "O quatrilho", entre outros, insignificantes perto do lixo negativo que jorra anualmente dos estúdios brasileiros.

Ah, sim, não é só a desgraça a matéria do cinema brasileiro não, há também os filmes da ditadura, cada tranqueira de arrepiar e coisas inúteis, horrorosas e retrógradas como o filme "Cazuza" . Ninguém aguenta mais o esgoto que predomina na cultura cinematográfica brasileira. HÁ BRAÇOS!

18 setembro 2009

A ÉTICA DO PT

Os deputados federais Luis Bassuma (PT-BA) e Henrique Afonso (PT-AC) foram severamente punidos esta semana, pela direção nacional do PT, por terem se declarado contrários à legalização do aborto. Os deputados tomaram suspensões de um ano (Bassuma) e noventa dias (Afonso) e ainda foram impedidos de votar e serem votados em situações internas do partido bem como de representar o partido. A suspensão por um ano dos direitos de Luis Bassuma pode inclusive impedi-lo de participar das próximas eleições. Essa é a ética do PT: José Dirceu, José Genoíno & cia sequer foram advertidos pelas infrações graves que cometeram. Mentir, montar caixa-dois, desviar dinheiro, violar conta de caseiro... não abalam a ética do partido, mas manifestar a opinião sobre a legalização ou não do aborto é crime gravíssimo. Pode uma zorra dessas?
Se os dois deputados tiverem vergonha na cara pedirão as suas fichas de filiação e mandarão a turma de Berzoíne/Dirceu irem a merda! Há braços!

17 setembro 2009

A POLÍTICA DOS POLÍTICOS

“A POLÍTICA DOS POLÍTICOS

Sem querer ignorar que esse modo de pensar ajuda a que se desvende a natureza da política, sugiro que ele, na verdade, refere-se sobretudo à política dos políticos, ou seja, a um tipo de política que poderíamos definir como política com pouca política.

Não se trata de algo desprezível, como se poderia achar à primeira vista, mas sim de algo revestido de uma dignidade bem específica, nem sempre bem compreendida e assimilada pelas pessoas. Afinal, agir tendo em vista o poder – sua conquista, sua conservação, sua destruição – integra a essência da política, e não há que condenar os que assim precedem, até porque não há nada de condenável no poder. Quando muito, podemos criticar (e tentar neutralizar) aqueles que se aproximam do poder como fim em si mesmo, que não sabem o que fazer com ele ou o empregam com finalidades escusas.

A política dos políticos encontra seu limite na ideia da política como arte do possível e do indicado, para repetir a famosa expressão atribuída a Bismarck. Seu terreno próprio é o do realismo ou pragmatismo político, no qual um certo tipo de cálculo e de frieza se superpõe à fantasia e à opinião. Uma de suas máximas poderia ser: não se faz política sem vítimas. O realismo, antes de tudo. Não que o político realista não tenha paixão ou idéias: é que ele as mantém sob controle, represadas, num esforço obstinado para impedir que se intrometam nas delicadas e engenhosas operações que franqueiam o acesso ao poder e a seus arredores. Se quiséssemos falar em tom mais elevado, poderíamos acompanhar Max Weber e dizer que o político realista adere muito mais à ética da responsabilidade do que à ética da convicção, e é capaz de subordinar a paixão, a causa e a vaidade pessoal (e vontade de aparecer o mais possível em primeiro plano) ao senso de proporção e ao sentimento de responsabilidade.
A política dos políticos, porém, está permanentemente submetida ao risco de uma contrafação. Não apenas porque seu realismo pode se tornar realista demais e lançar por terra todos os valores, mas também porque, a qualquer momento, ela pode se converter em política dos politiqueiros, concentrada no truque, nas promessas, na luta entre facções e grupelhos, no eleitoralismo, em suma, na política miúda, parcial, corriqueira. Quando isso se dá, a política passa a usar como armas típicas a intriga, o conchavo, a simulação, o fato consumado, o golpe, deixando em plano secundário o debate público, os princípios, a coerência. Justamente por isso, tal contrafação encarna de modo perfeito a alma menos nobre da política ou, o que dá no mesmo, a face suja, desagradável e obscura da política”.


(NOGUEIRA, M. A. Em defesa da Política. São Paulo, SENAC, 2001) HÁ BRAÇOS!

14 setembro 2009

O QUE FAZER?

Recebemos uns emeilzinhos aqui irritados porque demos, na postagem anterior, uma espetada na incoerência (ou na coerência histórica?) das seitas Psol e Pstu. Na verdade, o internacionalismo bocó dessa gente, baseado na ignorância da realidade, é pura propaganda ideológica. A coisa funciona mais ou menos assim: para testar o grau de sujeição de seu rebanho, essas seitas precisam de causas. Não basta a elas satanizar os ocupantes do poder local. Então elas criam as causas retóricas internacionais que é para dar um tom mais mundial à ignorância e ao atraso ideológico que jorram de suas plenárias e textos. O caso Battisti é emblemático. Ninguém procura saber quem foi o fugitivo italiano e o que realmente fez. Basta apenas levar em conta que o delinquentezinho italiano é companheiro comunista e pronto, sua reputação é inquestionável e tudo que ele fez foi em prol da libertação dos trabalhadores... (ui, ui, ui) Essa é uma boa ocasião para se reformular o velho bordão de Marx, deixando-o assim: "Ignorantes de todo o Brasil, uni-vos"! HÁ BRAÇOS!

11 setembro 2009

QUEM AGUENTA ESSA GENTE?

Entre a leva de frustrados e ressentidos que abandonaram o PT nos últimos anos, por causa do fim do tal discurso ético (sobrou essa prática bonita aí, que sempre existiu na esquerda), muitos se sentiram salvos embarcando em legendas como o Pstu e o Psol. Sinceramente, já nos posicionamos por aqui com relação ao leninismo, stalinismo, gramscismo, entre outros ismos da esquerda, cujas práticas e métodos (práticas e métodos, entenderam?) continuam calcadas no personalismo, no centralismo e no autoritarismo empoeirado dos séculos XIX e XX. Essas correntes ainda se alimentam do embolorado sentimento de seita, da demonização e exorcização de tudo que não abona seus códigos internos.

Para muitos, as ações do Psol e do Pstu parecem plenas do melhor sentimento ético, justas e salvadoras. Eles realmente são, apenas por serem nanicos e por politicamente não terem nada a perder, os que se apressam a jogar na fogueira do legislativo todo e qualquer bandido que tem os podres expostos pelo jogo do poder. Assim foi com o caso Renan Calheiros, com o caso Sarney, entre tantos. Pragmaticamente falando, há mérito nesses ímpetos, mas a queima dos hereges na fogueira moral armada por essa turma não necessariamente exime tais inquisidores. Maior parte das vezes apenas esconde o verdadeiro caráter não tão louvável dessa gente.

O caso de Cesare Battisti, aquele criminoso comum que fugiu da Itália e pediu asilo político no Brasil (ui, ui, ui), concedido por Tarso Genro, à revelia da legislação brasileira e desrespeitando decisões judiciais de um país democrático como a Itália, tal como acordos bilaterais entre os dois países, serve para exemplo de como a ética dessa turma é elástica. Na porta do STF, que já julgou improcedente o asilo concedido por Tarso ao tal Battisti e provavelmente vai aceitar a extradição do criminoso para o país de origem, onde deve cumprir pena por assassinato, o senador José Neri do Psol foi fazer discurso em defesa de Battisti. Para ele os crimes de Battisti parecem ser mais brandos do que os de Sarney, Renan e companhia. Quem aguenta? HÁ BRAÇOS!

09 setembro 2009

A DEGRADAÇÃO SOCIAL NA BAHIA

A degradação social na Bahia é perversa e crônica. Isso é uma obviedade. É obviedade também que o Estado pouco fez e faz para mudar a realidade. Os piores índices de desenvolvimento humano frequentam o boletim social da Bahia há muitos anos. Embora o Governo Wagner tenha sido celebrado como o fim da era de atraso no Estado da Bahia, suas ações nos interiores do estado se pautam tão somente pela preocupação em solidificar o seu grupo no poder, não se importando portanto que para isso velhas práticas e oligarquias continuem prevalecendo no estado.
O nível de violência que vemos supitar agora em Salvador é apenas um sinal particular do que se espalha pelo estado como uma gangrena. Na capital da Bahia, como no Rio de Janeiro, o tráfico começa aparecer como poder paralelo, já que em vez de ser debelado, foi usado e protegido por ongueiros e congêneres. Muitos desses movimentos, sob o manto retórico da inclusão social, sob a máscara de direitos humanos, fazem vista grossa aos perigos que o tráfico de drogas representa para a sociedade organizada e para a democracia, uma vez que as leis, muito particulares, que regem esse tipo de crime são incompatíveis com as leis que constituem a nação democrática brasileira.

A reação violenta com queima de ônibus, depredação de postos policiais e da Cesta do Povo, parece uma resposta a quebra de contrato. Parece a resposta a uma traição. É como se as expectativas dos bandidos se tivessem frustrado diante de uma turma que entrou com ongs nos redutos do tráfico, vendeu a boa relação, a parceria e agora está virando as costas. Talvez esse seja o preço a pagar pela eleição a qualquer custo. Ninguém vende a alma ao diabo impunemente. Outra coisa, a imprensa petista, aquela que vive às custas do governo, danou a falar essa semana do caso lamentável de Heliópolis, em São Paulo (governado pelo PSDB), mas tem feito um silêncio significativo (ideológico, melhor dizendo) com respeito ao caos em que se encontra a capital baiana. HÁ BRAÇOS!

07 setembro 2009

05 setembro 2009

O PT E A TRANSPARÊNCIA

O Jornalzinho do vereador Tarcísio, com os cargos e salários dos funcionários da prefeitura ainda não saiu? Não é possível! Será que transparência não é mais importante para o companheiro? HÁ BRAÇOS!

04 setembro 2009

VIDA SEM MARGENS



(na travessia do Rio São Francisco)

Eu rio às margens destas águas
E não imagino que o arco
Estampado em minha face
Reflete a triste canoa,
Última condução a que estou fadado.
Eu rio porque ignoro os dois terços
Deste líquido agonizante
Que movem minha própria carne.
E o solitário peixe que se debate no anzol
Do menino sentado no barranco oposto
Não tem um fim pior que o meu
Ele conta com menos ilusões.
Agora eu já não rio,
O menino meu rival há muito partiu
Com o peixe moribundo no gancho
E o rio segue silencioso...
Borbulhando nas águas do meu ódio,
Espumando em meus detergentes morais:
Minhas fases e fezes e fomes
Coisas de quem perdeu a cabeça e a foz
E tanto faz como pouco fez
E esses dois terços de água
Que me põem de pé
Derrubam tantos, tantos, tantos...
Que já só posso pensar em Tânatos
tânatos, tânatos...
O rio me dava garças ao entardecer
E eu lhe dava cachorros mortos e urubus
O rio me dava frutas doces e diversão
E eu lhe dava pneus velhos e latas e plásticos,
Nada plásticos...
Muito, muito, muito...
O rio me dava alegria
E eu lhe dava mercúrio e agrotóxico e detergente...
O rio me dava a vida
E eu lhe dava a morte...
Sem nem saber que aos poucos
Também me consumia.
Em contas debulhadas sobre a insensatez
Sem perceber
Que no meu faz de conta,
Nas contas que fiz...
Não entrou este Rio.

(alan)

03 setembro 2009

DILMA AGORA É VERDE DESDE CRIANCINHA.

A estratégia publicitária do PT mudou o discurso de Dilma Rouseff depois que Marina Silva assinou ficha de filiação ao PV e já fala como possível candidata da legenda verde. Agora Dilmona, que antes só sabia discursar com a frieza dos números, gráficos e porcentagens projetados em power point, faz gestos teatrais e defende como nunca o meio ambiente, o uso sustentável dos recursos naturais, bem como desde criancinha odeia projetos que colocam em risco os recursos naturais.

A generosidade verde que passou a brotar do discurso da candidata do PT, como uma chuva fecunda sobre a floresta amazônica, até parece convincente para quem não sabe que Marina Silva foi derrubada do Ministério do Meio Ambiente devido a não concordar que os projetos de construção de usinas hidrelétricas propostos pelo PAC, dirigido por Dilmona, fossem executados sem licença de tal ministério e sem estudo sério de impacto ambiental. Marina perdeu a pasta do meio ambiente por discordar de Dilma, que aprovou a execução dos projetos sem as devidas avaliações ambientais. Há braços!

02 setembro 2009

LULLA, O BRAVATEIRO-MOR

LULLA E O TEATRO DO BIOCOMBUSTÍVEL
Uma prova consistente de que a riqueza do pré-sal é mais marquetagem política do que algo alcançável a curto prazo, a gente pode resgatar na memória. Quem não se lembra do blablablá dos biocombustíveis? Lulla demonizou o quanto pôde do petróleo. Disse, em outros termos, que era um produto sujo, que financiava guerras, causava poluição e provocava o aquecimento global. Os biocombustíveis eram então, pro bravateiro que ocupa a presidência do país, a energia limpa, o motor da salvação do país e do mundo, a soberania nacional... Agora, o motor da soberania, da salvação do país é o petróleo. Vai gostar de bravata assim lá em Garanhuns! Há braços!

01 setembro 2009

PRÉ-SAL ELEITORAL

Impressiona o tanto que esse governo é bravateiro. Mentir virou norma do Planalto e de seus aliados. No caso da turma de Lulla, parece que sempre foi norma, mas o que tem de "companheiro"caindo a ficha nos últimos meses não está no gibi (menos mal). O espetáculo da vez é o tal petróleo do pré-sal. Lógico, a encenação pode render algum prestígio para a candidata do PT ao Planalto. Mas o que há de concreto nessa história de pré-sal?
Quase nada além da retórica eleitoral, nada além do discurso cheio de hipérboles.

As condições para a exploração de petróleo em tal profundidade são muito difíceis. O custo muito alto e os ríscos de as jazidas serem ínfimas ou o produto não ter qualidade são grandes também. Para nós aqui do pós-sal fica a certeza de que as condições para a exploração efetiva não estão disponíveis a curto prazo. A gente sabe que a Petrobras extraiu uma merrequinha no campo de Tupi. Não há como apressar nada. Bem que Lulla gostaria de ver o jorro farto do ouro preto se transformar em votos para sua candidata. Como não é possível, ele segue a lei do bispo Macedo: "Ou dá ou desce"! Ele cria o pré-sal bublicitário, o petróleo eleitoral, ou seja, aquele que só existe na conversa fiada de Lulla. Ele vende o que ainda não existe.

O teatro do pré-sal é tão bem montado que Lulla chegou a mostrar um barrilzinho do óleo combustível no lançamento eleitoral do tal "marco regulatório de exploração do petróleo". Ele e seus aliados só não podem dizer é que a exploração do petróleo é apenas eleitoreira, midiática. A verdade dificilmente entra no script dessa gente. Há braços!

MARINA E OS RESSENTIDOS

A Senadora Marina Silva caiu fora do PT. Isso causou uma euforia muito grande nos petistas ressentidos. Os ressentidos são aqueles militantes ou filiados, de certo modo inocentes, que gostariam que o PT atuasse de forma menos grotesca no terreno da ética. Eles não sabem que os ingredientes ideológicos provindos do leninismo e do gramscismo, miolo da prática petista não levariam o PT a outro lugar que não o atual. Lenin construiu a prática política bolchevique galgado em O Príncipe, de Maquiavel. O mesmo fez Gramsci quando elaborava sua pedagogia política da revolução cultural. Na base de tudo está mesmo a velha e batida máxima maquiaveliana: os fins justificam os meios.
A sustentação da elite do partido no bem-bom do poder, nadando em dinheiro público, pressupõe a eleição de um sucessor do presidente Lulla oriundo do partido ou até mesmo o terceiro mandato de Lulla. Isso certamente é interesse do presidente. O sonho de Lulla é ser Chaves, Morales ou Correa. A ideologia é a mesma. A prática também. O problema de Lulla é que o Brasil tem mais solidez democrática e, portanto, não vai virar facilmente uma ditadura caricata como Venezuela, Bolívia e Equador.

Onde entra Marina nessa história? Marina tem os elementos publicitários que fazem o sucesso de Lulla. É de origem pobre, lutadora desde o início da carreira e vencedora, apesar das adversidades sociais de origem. Mais do que Lulla, Marina estudou, cresceu intelectualmente, valoriza a educação. Não fica, como Lulla, fazendo apologia da ignorância. Além de tudo, a saída de Marina pode ser associada à preservação da ética (isso agrada aos ressentidos do PT tanto quanto a outras pessoas de bem), ou melhor: da propaganda ética com a qual o PT se fez e da qual se livrou com a finalidade de preservar sua elite no miolo do poder.

Mas não se iludam. A matriz ideológica de Marina é a do PT. Embora apareça agora como alternativa de peso, como a melhor alternativa à militância de esquerda, uma gestão Marina poderá desaguar no mesmo pântano em que o governo Lulla desaguou. A matriz da prática ideológica é que não presta. Há braços!

30 agosto 2009

O HÉRCULES-QUASÍMODO DE EUCLIDES DA CUNHA

É antológica a descrição, bem ao estilo cientificista da época, que Euclides da Cunha faz do sertanejo no seu Os Sertões. O belo oxímoro arrajado pelo autor de Os sertões para descrever o homem da caatinga, Hércules-Quasímodo, conjuga a beleza e a força clássica(o Hércules da Mitologia Grega) com a fraqueza, o feio e o disforme romântico (o Quasímodo, de Victor Hugo). É com a saborosa passagem descritiva de Os Sertões sobre o sertanejo que nós aqui do Boca do Inferno homenageamos Euclides, esse Hércules-Quasímodo da nossa Literatura. Há braços! :

"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.
A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.
É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para trocar duas palavras com um conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansando sobre a espenda da sela. Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e firme. Avança celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traço geométrico os meandros das trilhas sertanejas. E se na marcha estaca pelo motivo mais vulgar, para enrolar um cigarro, bater o isqueiro, ou travar ligeira conversa com um amigo, cai logo - cai é o termo - de cócoras, atravessando largo tempo numa posição de equilíbrio instável, em que todo o seu corpo fica suspenso pelos dedos grandes dos pés, sentado sobre os calcanhares, com uma simplicidade a um tempo ridícula e adorável.
É o homem permanentemente fatigado.
Reflete a preguiça invencível, a atonia muscular perene, em tudo: na palavra remorada, no gesto contrafeito, no andar desaprumado, na cadência langorosa das modinhas, na tendência constante à imobilidade e à quietude.
Entretanto, toda esta aparência de cansaço ilude.
Nada é mais surpreendedor do que vê-la desaparecer de improviso. Naquela organização combalida operam-se, em segundos, transmutações completas. Basta o aparecimento de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das energias adormecidas. O homem transfigura-se. Empertiga-se, estadeando novos relevos, novas linhas na estatura e no gesto; e a cabeça firma-se-lhe, alta, sobre os ombros possantes aclarada pelo olhar desassombrado e forte; e corrigem-se-lhe, prestes, numa descarga nervosa instantânea, todos os efeitos do relaxamento habitual dos órgãos; e da figura vulgar do tabaréu canhestro reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias".

DEUS, O BISPO E A POLITICAGEM

Esta semana perguntaram aqui sobre a Iurd, Igreja Universal do Reino de Deus. Mais precisamente sobre a briga da Record com a Globo. Sabem de uma: não é uma briga da Record/Globo coisa nenhuma. Primeiro: Edir Macedo é um vigarista, um charlatão que comanda uma quadrilha especializada em manipular pessoas desesperadas e extorquir o que elas têm e não têm. Segundo: o Ministério Público tem elementos para pegá-lo e isso veio à tona num momento em que o Senado, a candidatura de Dilma, com a briga da Receita, e o PT estão em crise. Nada melhor do que encobrir a crise do Senado e da Receita com uma troca de acusações entre Record e Globo. A Globo também não iria deixar de expor os crimes de Macedo e sua gang, mesmo sabendo que isso poderia ser usado pela Iurd para criar uma suposta briga por audiência.

Edir Macedo, ao transformar o indiciamento dele e de mais nove membros da Iurd por crime de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro em uma suposta briga por audiência consegue esconder o problema real da atenção do público, ou seja, oculta os crimes que pratica em nome de deus. Mais que isso, consegue tirar o caso Dilma/Receita e Senado/PT da pauta dos meios de comunicação. Com isso, beneficia a candidata do PT, que vem sendo esfolada pelas próprias trapalhadas autoritárias e pela falta de identidade de seu partido, dedicado ao apoio a Sarney.

Quem quiser confirmar a ligação de Macedo com a candidatura Dilma, basta acessar o seu blog na internete. Ali, por intermédio de um suposto leitor, ele põe à disposição do PT os oito milhões de fieis do seu rebanho. Não é de estranhar a atitude do bispo charlatão. As práticas do partido de Lulla são bem parecidas com as da Iurd. Ambas organizações cobram dízimo, fazem lavagem cerebral nos integrantes e policiam as ideias e o comportamento dos fieis. Além disso, tanto a Iurd quanto o PT costumam demonizar quem não comunga as mesmas ideias e costumes do grupo. Junte-se a isso o fato de ambos os grupos declararem alguém como inimigo apenas enquanto não for aliado. Sendo aliado, não importa se tal alguém é criminoso ou bandido dos piores... será defendido e protegido sempre. Nesse caso, não se surpreendam com a união firmada entre a turma da Universal e a do PT. Considerem a turma de Macedo e a de Lulla amiguinhos desde o jardim de infância. Será melhor assim. Há braços!





LIVROS, LIVROS, LIVROS


Livros, livros, livros...

Não consigo rejeitá-los

livros, livros, livros...

por que não tê-los?

como negá-los?

até que a morte nos separe

prometo honrá-los e respeitá-los

na saúde ou na doença

na pobreza ou na riqueza...

não vivo com sua ausência...

nem com o passar das décadas

diante da decadência.

Eis meu abrigo seguro

a fôrma da minha têmpera

a tenda da minha alma

Livros, livros, livros...

nada mais me salva!

Há braços! alan