30 julho 2009

O REAL PROBLEMA


O bolsa-família, como qualquer esmola, é uma desgraça! É um problema! Mas o maior problema do Brasil não é o bolsa-família... É o BOLSA-COMPANHEIRO. Esse sim é um problemão. O bolsa-companheiro arromba os cofres do país e inclusive extrapola as fronteiras nacionais, financiando companheiros como Fernando Lugo, Evo Morales, Rafael Correa, Daniel Ortega, Hugo Chaves, entre outros. E o bolsa-companheiro não paga uma merreca como o bolsa-família não. A ajudinha do bolsa-companheiro é sempre milionária.

No Brasil, o bolsa-companheiro patrocina ainda uma porrada de sindicatos, centrais, ONGs lulistas, o MST, a UNE e uma pancada de organizações de companheiros. A UNE, como as demais beneficiadas pelo bolsa, é uma espécie de cadelinha amestrada do governo: se Lula disser: "- Deita"! A UNE deita. Se disser: "- Late! Ela bota a boca no mundo. Se ele disser: "- Finge de morta"! Ela obedece prontamente. Aliás, já faz algum tempo que a UNE está se fazendo de morta! Desde quando Lula chegou ao poder e o PC do B, proprietário vitalício da UNE, pendurou o casaco vermelho no Ministério dos Esportes, na Agência Nacional do Petróleo e em algumas outras tetas de menor porte. HÁ BRAÇOS!

26 julho 2009

MOVIMENTO DE QUE MESMO?


Neste final de semana houve um encontro de mulheres em Uibaí: "Movimento de marias". Dizem que aconteceram algumas palestras, alguns debates... E dizem até que lá homem podia entrar, mas não podia falar... Só podia falar quem tivesse vagina. Isso mesmo! Não vamos entrar no mérito disso... No quanto é pré-histórica tal condição. Vamos ver o lado positivo dessa iniciativa.
Se tal iniciativa não correspondeu na prática a uma atividade financiada com dinheiro público, com o fito específico de fazer propaganda ideológica para o PT e congêneres. Se não reduziu a discussão ao panfleto ridículo que a secretaria de mulheres do PT costuma lançar ao vento tingido de rosa, deve ser encarado como um avanço. Se discutiu a violência contra mulheres e principalmente a violência que mais atinge a Canabrava que é o abuso sexual de meninas pré-adolescentes e adolescentes disfarsado de farra, diversão etc, o evento representa algo sadio. Se da discussão tirou-se um programa, um plano de ações e metas para atender às mulheres canabrabeiras, estão de parabéns os organizadores. Se as mulheres que, segundo informantes que estiveram no local, eram muitas apreenderam alguma coisa de tudo aquilo, a gente fica feliz e satisfeito. Mas, sinceramente, esperamos que a mulher que participou do evento e cedeu a seguinte entrevista seja uma exceção:

B.I: a senhora gostou desse dia dedicado às mulheres?

MARIA: Adorei, minha filha! Se todo dia tivesse um desses!

B.I: Por que a senhora gostou?

MARIA: Ah, minha filha, quem não gosta de uma comidinha de graça? E de ganhar bolsa de presente? Olha aqui que beleza de bolsa? Se todo dia a gente ganhasse uma bolsa e uma comidinha dessas, aí era bom demais!

B.I: Mas o que a senhora gostou dos debates?

MARIA: Ah, tinha umas mulheres falando umas coisas lá mesmo, não sei direito o que era, parece que era importante. Umas mulheres feias de Salvador.

B.I: E elas disseram o quê?

MARIA: Não sei não, mas eu acho que vou votar nelas.

B.I: Mas não estamos em período eleitoral!

MARIA: É, mas não existe almoço grátis, minha filha! Se continuarem a fazer esses almoços com presentes, num perco um!

Tirem suas próprias conclusões. HÁ BRAÇOS!

22 julho 2009

CONTINUAREMOS A ESPERAR!

Nos gostaríamos muito de escrever aqui que a "Cuba da Bahia" vai bem. Mas a surdina, o silêncio e a falta de transparência com que vai seguindo o processo de "libertação e reconstrução de Uibaí" (ui, ui, ui) dá nas vistas... Nisso eles estão imitando bem a Cuba da turma do ditador mequetrefe moribundo Fidel. Aquela Cuba caribenha em que uma elitezinha barbuda come do bom e do melhor, bebe o mais fino vinho francês e o resto da população sofre calada (é proibido reclamar) sem atendimento das necessidades básicas. Se a inspiração dos nossos "reconstrutores" for Jaques Wagner ou Lula Sarney da Silva Mello, estamos bonitos... Mas tudo indica que a inspiração é caseira mesmo, ali da Rua Grande, por isso vamos sentar aqui para esperar a transparência desse pessoal que está no poder aí na Canabrava. Vamos esperar sentadinhos porque é melhor! Seguro morreu de velho! Vamos esperar o jornalzinho de Tarcísio com os cargos. Vamos esperar ações cidadãs do Grupo da Cidadania... Vamos esperar o portal da transparência uibaiense na internete, com as contas e projetos da prefeitura. Vamos esperar o orçamento participativo... Haja cadeira! Há braços!

19 julho 2009

UIBAÍ NA INTERNETE


Uma rápida pesquisada na internete nos permite verificar que há um número razoável de grupos, listas, blogs e flogs uibaienses no espaço online. Nós aqui nos perguntamos sempre qual a finalidade dessa presença na internete. Que é positivo os uibaienses estarem cada vez mais plugados e conectados ao mundo virtural não temos dúvidas. Mas a maioria dos grupos, listas, flogs, blogs é vazia. Parecem mais uma pegada, um rastro deixado por alguém que passou pelos interstícios do mundo virtual sem saber muito bem o que fazer. Há nesses espaços um vazio de reflexão, uma preguiça de ler, uma dificuldade medonha de discutir e expor ideias.

Recentemente abrimos um grupo para o Boca do Inferno. Lá pusemos um primeiro questionamento. As pessoas poderiam criticar, discordar, rebater, sugerir outras questões... mas nada... o vazio continua... Não apenas lá!

A gente até se lembra daquele textinho "Macaquinhos pós-modernos", publicado como editorial no Boca do Inferno número 28, em 2005, que começava assim: "Dura essa cultura da aparência. Tão rasa como uma poça de lama. Desejo volatilizado, disperso numa superfície eterna, profunda como a limpeza do OMO, pois só OMO limpa profundamente o que não tem profundidade. Parecer é Ser e assim segue a vida desse macaco em pedaços. Essa alma da superfície arrebatada insistentemente por ventos contrários, torvelinho sem rumo próprio, mas em constante direção ao consumo desenfreado, sobretudo o da imagem. Pareço ergo sum! Aí basta montar um visual de artista, de heroi, de intelectual e tutti quanti para Ser e sangrar ou fazer sangue em causa própria". O que parece é que nosso pessoal ainda não descobriu o imenso potencial da rede mundial. Ainda está naquela fase primária de se regozijar com a simples demonstração de que pode fazer uso das ferramentas. É a rudimentar fase narcisista do gozo de ver o nome estampado em um blog próprio, num grupo, flog, lista ou algo que o valha. Como diz o nosso revoltado editorial já citado acima basta: "plantar a cara vazia e morta, cheia de mega-pixels, de vento e de flato, cheia do que não tem raiz e oferecer o nada envolto na mais enganadora cosmética de sorrisos, poses e grunhidos idiomáticos"...

A gente espera sempre mais dos micreiros uibaienses, a gente espera muito mais dos nossos internautas. É nosso dever! Aprendam a comentar blogs, a discutir em grupos, a analizar gestos, posturas, imagens... É essa a função democrática da internete. Ela permite a plena liberdade de expressão, com direito inclusive a anonimato aos mais arredios. A internete comporta uma mega semiosfera! Semiosfera é campo de sentidos, de significados voláteis, flutuantes, desterritorializados... O nome já diz tudo: semiosfera é espaço povoado por signos, melhor, pelo trânsito constante de signos... O que temos a perder entrando nesse jogo? Vamos continuar na internete alimentando o espetáculo futil, o circo sem conteúdo e sem razão? HÁ BRAÇOS!

04 julho 2009

COISAS QUE ESTAMOS ESPERANDO II

Esperamos que o "Grupo da Cidadania", tão combativo e consciente da fiscalização e vigilância do erário público, divulgue o seu calendário de atuações no município. Principalmente seu plano de ação com respeito ao que pretende exigir do novo poder local, como requisito para manter a transparência da administração dos recursos públicos, bem como sua aplicação justa visando o desenvolvimento da comunidade. Há braços!

03 julho 2009

COISAS QUE ESTAMOS ESPERANDO-I

Estamos esperando que o nosso combativo e exemplar vereador, Tarcísio Machado, publique um jornalzinho daqueles tão apreciados pelo seu eleitorado e tão útil para assegurar a transparência da administração municipal divulgando o nome de todos os funcionários da prefeitura e o respectivo salário. Isso seria nota dez em coerência e isenção. Estamos esperando! HÁ BRAÇOS!

26 junho 2009

DE MICHAEL JACKSON A JOSÉ SARNEY

Michael Jackson morreu. Michael tinha um monte de defeitos pendurados em uma grande virtude: ele era um artista que emocionava e dava alegria a milhões de pessoas, com sua música e seus passes de bailarino. Jackson exorcisou muitos demônios interiores com a força positiva do que mais sabia fazer... Não só os seus... Mas o bailarino poeta se foi solitário e endividado, esgueirando a penumbra existencial.

Já Sarney é imortal, ele com seus "Marimbondos de Fogo". Um escritor... Uma qualidade, nem sempre qualificada, nesse caso particular, um ponto positivo pendurado minusculamente em uma penca infinita de defeitos. O presidente do Senado, o político com seu modus operandi. Infelizmente! Semeia vergonha e tristeza e pobreza e mau exemplo e cinismo. Naturaliza... Populariza o pior.

O mundo perde o bom de Michael Jackson infinitamente grande e saudável, perto dos seus lamentáveis defeitos. O Brasil não consegue se livrar de Sarney, infinitamente nefasto perto do insignificante ofício de escritor que o tornou imortal. Há braços!

20 junho 2009

LULA DEFENDE O CRIME!

Há alguns dias, o presidente Lula fez uma defesa escandalosa de José Sarney. Sarney é envolvido desde sempre em pilantragens políticas, muitas delas denunciadas pelo PT de Lula quando o partido da estrela vermelha inventou aquela balela politiqueira da "ética na política". Mas isso foi antes de a máscara despencar com o mensalão.
O discurso sarneyista do atual presidente se deve, no momento, às denúncias que estouraram no Senado contra o velho cacique do Maranhão. Na verdade, veio à tona uma prática antiga de nepotismo. Sarney estava com uma penca de parentes pendurados em cargos da casa legislativa que preside. Isso, embora indecente, já nem causa mais espanto. Mas absurdo e descarado é o Presidente da República dizer que "Sarney não é um homem comum. Isso é denuncismo e não vai dar em nada". Com essa fala, Lula referenda o que o PT sempre criticou (agora se sabe que era por conveniência). Lula falou como o seu Zé lá do botequim da esquina: "justiça é só pra gente comum, meu filho... É só pra povão". Só que Lula não é o seu Zé lá do botequim da esquina e quando se esquece ( de propósito) de que é presidente e manda às favas a justiça, a lei igual para todos, ele institui o mesmo, o de sempre. Ele, como presidente, ajuda a destruir a democracia, o estado de direito etc.
Agindo assim, Lula nada mais faz do que assumir a posição de nova, porém vetusta, elite do poder. E Marx, que tanto criticou as elites, mais a frente defendidas pelo velho Pareto, agora se remexe no túmulo (será que se remexe?) ao sabor do samba do crioulo doido que os "marxistas" da esquerda brasileira estão aprontando. Se bem que Marx era um cabra cujos escrúpulos não diferiam muito dos de Delúbio Soares, Zé Dirceu e Genoíno. Há braços!

25 maio 2009

BOCA DO INFERNO - 42

Chegamos ao número 42. Tudo aí embaixo reflete preocupação com a educação, a cultura e a gestão política do nosso patrimônio público. A gente sabe que em política há uma zona cinzenta em que se diluem os princípios encenados no palco social. A gente compreende que a simulação e a dissimulação fazem parte da política e que isso boa parte das vezes faz a politicagem permear a política e até mesmo superá-la, com consequências drásticas... Faz o privado e o público, o moral e seu inverso perderem a fronteira, criando uma zona nebulosa em que certo e errado só vão ganhar contornos claros a posteriori. Assim, as consequências dirão sobre a correção dos gestos, sobre sua natureza e validade.

Mas compreender essa natureza do político não nos obriga a aceitá-la de imediato, a concordar, a nos submeter incondicionalmente a seus movimentos. Há muito em jogo. Talvez o próprio jogo político e sua credibilidade estejam em risco. Quando nos abstemos de questionar, pomos em risco um patrimônio maior: a saúde pública, a educação, o saneamento urbano, as boas condições de vida rural etc. Quando assim o fazemos, destruimos o sentido da vida em sociedade, do respeito aos outros, da solidariedade, da fraternidade sadia que bem pode nortear as relações dentro de um município pequeno como a Canabrava. HÁ BRAÇOS!

21 maio 2009

AVANÇO E RETROCESSO

Devo muito às casas de estudantes. Os obstáculos que venci para alcançar títulos acadêmicos e posições de prestígio na minha área de formação seriam bem mais duros caso não tivesse contado com o apoio dessas moradias, em momentos fundamentais da minha formação. Vivi na Ceubras (DF), onde fui presidente e diretor de cultura, na CEU-I (GO), e na CEU-III(GO), esta última tive a honra de ajudar a construir em Goiânia. Se devo muito às moradias estudantis, o movimento de moradia nacional também me deve alguma coisa, pois fui um morador de casa atuante e meu trabalho se concentrou sobretudo na luta pela autonomia dessas entidades estudantis Brasil afora e por assistência governamental, sem prejuizos à independência das casas.
Recentemente, este caderno publicou o que seria um projeto de assistência estudantil encomendado pelo prefeito de Uibaí. O Boca do Inferno classificou o projeto como algo que poria o prefeito na história, pela abrangência assistencial e pela compreensão de que a educação é o mais valioso patrimônio da Canabrava. Li atentamente a peça e não tive dúvidas de que se tratava de algo realmente importante. A iniciativa do prefeito, se aprovada pelo legislativo só trará benefícios para o Pé da Serra.
Pois bem, agora recebemos aqui as informações de que está marcado para dia 24 de maio um encontro estudantil em Salvador, onde se reunirão representantes das casas de estudantes uibaienses para discutir a assistência estudantil municipal e, segundo alguns, a "nacionalização da aeusu" (aberração jurídica de uma inconstitucionalidade amadora). A se levar em conta os comentários de alguns dos interessados, a principal estratégia é formalizar, via aeusu, um modo de sujeitar as moradias estudantis. A quem interessa a sujeição das casas? Estariam buscando a centralização das casas com que interesse? Seriam os mesmos interesses que moveram as investidas de Hamilton e Renato nos anos de 1980 e 1990?
Há alguns anos( fevereiro de 2006), defendi em texto que "casa de estudantes é espaço de diversidade, de debate de ideias, de convivência com diferenças, conflitos sociais e subjetivos os mais variados, sendo isso o motor do processo educativo que propicia o crescimento da consciência e naturalmente o fortalecimento da cidadania. Não convém a esse tipo de moradia assumir partido algum. Como espaços educativos, as Ceus devem se manter abertas, pois não existe processo educativo em espaços ideologicamente fechados, existe sim domesticação, bitolação, embrutecimento mental".
Quando escrevi o conteúdo acima, em destaque, percebia uma espécie de aparelhamento partidário dentro das casas e presumia o quanto seria nocivo ao crescimento do real senso crítico. A centralização ou, como estão dizendo muitos dos interessados, "a sujeição" das casas à aeusu pode se constituir num mecanismo de controle político das moradias, pode encaminhá-las para a lógica do alojamento estudantil, como descrevi há bastante tempo em outro texto (Moradia Estudantil, 2002) ou para a destruição da identidade de cada casa. Se o aparelhamento e controle das casas for o real interesse dessa mobilização pró "nacionalização da aeusu", o projeto de Assistência Estudantil, que inquestionavelmente representa um avanço enorme, sofrerá um golpe de retrocesso violento mesmo antes de sair do papel.
A lógica primária que estaria por trás do entendimento de alguns puxadores desse movimento seria a seguinte: se a aeusu é uma associação externa ao ambiente de moradia, poder-se-a, criando-se seccionais dirigidas por pessoas ligadas ao poder municipal, controlar ou decidir o que os moradores e a casa devem fazer, principalmente em termos de política. Sinceramente, não estariam os nacionalizadores da aeusu superestimando as casas de Uibaí? Se assim o estão fazendo, não as estariam destruindo como espaços educativos? Convenhamos, se assim for, isso é realmente bem primário! HÁ BRAÇOS! alan

10 maio 2009

PRELÚDIO PARA UMA MEMÓRIA MUSICAL CANABRABEIRA

Mah e Juca, no Palco Livre, integrantes da nova geração musical de Uibaí

Em Uibaí, num primeiro momento, o que se preservou em termos de musicalidade, com o passar das décadas, foram as influências da música produzida nos anos de 1950. Não mais que os bolerões entoados pelos irmãos Nemi e Valmir Rosa e por Tobias, músicas de vertente romântica populares na década de 1950. A principal característica desse estilo é que a voz é o elemento mais importante e o violão simples acompanhamento. Assim, a boa música é aquela entoada a plenos pulmões. Coisa de tenor, coisa de uma época escassa em tecnologia sonora. A ausência de amplificação e microfones garantiu a supremacia desse estilo no Brasil inteiro, numa época em que o rádio era o grande veículo de difusão de cultura e de informação em massa.
Nemi Rosa, representante da velha guarda.
O primeiro sinal de abertura para experiências musicais mais modernas na Canabrava veio com o surgimento de Zé Índio, filho do poeta Valmir Rosa. No período em que viveu em Salvador, Zé Índio deu início a suas atividades de compositor de MPB. Foi a partir desse momento que a temática local e regional entraram em nossa música, bem como a crítica social.

Vejamos alguns exemplos das temáticas trazidas pela música de Zé Índio: a temática social: “Pão recheado com pão/ É a comida de João/ Hoje ele comeu carne/ Atacou uma congestão/ Seus órgãos só conheciam/ a vitamina do pão”; a temática regional e local: “eu sou sertanejo/ porque no sertão/ no sertão eu nasci/ sou do pé de serra/ de uma linda terra/ Uibaí”; “Quando o galo canta no quintal/ Anunciando que o dia vai nascer” a temática romântica sertaneja: “Onde andará a flor de maracujá?/ Eu sei onde a flor estiver/ meu amor também está”. Mais tarde, Zé Índio também fez experiências com o forró. Zé foi o primeiro cantor profissional de Uibaí, o primeiro a gravar disco, coisa quase impossível até o surgimento da tecnologia laser de CD dos anos de 1990, que aposentou o vinil.
Zé Índio em São Paulo, precursor da modernidade musical canabrabeira. Foto do orkut do cantor.
Alguns anos depois do surgimento de Zé Índio, houve dois momentos em que se tentou organizar a turma da música em Uibaí. O primeiro momento se deu com a criação da Fundação dos Artistas de Uibaí (FAU), articulada por Enoch Carneiro, em 1987. Um pouco depois de a FAU ser desativada, veio o segundo momento com o aparecimento do Grupo do Violão, articulado por Rui de Maroca e Pio de Rosinha, do qual faziam parte ainda Enoch, Simara, entre outros.

Em meados dos anos de 1980, a cultura de massa e sua música comercial exerceriam influência total na região, com a eclosão do Axé Music. Esse gênero dominou os bailes na região de Irecê. Bandas como Flor de Cactus, The Jet Sons, Tapajós, entre tantas que tocavam naquele período, embalaram os bailes com a nova sonoridade exercida por Luis Caldas, Missinho, Sarah Jane, Gerônimo, Banda Mel, Reflexus, Chiclete e cia. Antes mesmo de esgotar por completo a euforia inicial do Axé, já se desfrutava também na região de uma febre de Lambada e posteriormente de Música Sertaneja. A música Sertaneja gerou em Uibaí a dupla Moreno e Morenito, liderada por Beto de Roxão. A dupla chegou a gozar de certo sucesso e até influenciou alguns jovens como Ailton de Tõe de Bolô. Mais recentemente Uibaí ainda vivenciou um surto de pagode em estilo soteropolitano.

Com o clima de renovação cultural engendrado pelas semanas de arte, a partir de 1988, popularizaram-se a cantoria, com Joãozinho de Miro e Reinam do Poço e o reggae com sotaque de Celito, que teve seu momento de brilho nos anos de 1990, quando emplacou sucessos como "Jogador de bola", "Zezim de Lia" e "Caatinga do Cruel", isso um pouco antes de Simara despontar como cantora prodígio nos palcos juninos. Nessa direção, teve impulso o rock de Cassiano de Rubim e o rock de Marlon de Tonico, com a banda Caatinga Culta, posteriormente evoluída para Metamundo; apareceram ainda o grupo Banda voar, com Luisinho, Nemi, Gilson, Edimário e Rodolfo e o som forte de Nino Lima e Angelito... Por último, com o ressurgimento do Grêmio, presenciou-se, por iniciativa de Ari e Rui de Maroca, a introdução do samba na Canabrava.

Movida por uma pesquisa musical que incluía, entre outros clássicos do samba, a audição atenta de Clementina de Jesus, Noel Rosa, Cartola, Adoniram Barbosa e Nelson Cavaquinho. A dupla Rui/Ari principiou a produção de uma espécie de samba com sotaque caatingueiro, cuja temática se estende do rio São Francisco, em Xique-xique, ao pé da Serra Azul. O samba regional de Ari e Rui vem produzindo algumas pérolas como Samba da caatinga: "Mulherada gentileza/justifique numa boa/quem coloca o ovo azul /o cancão ou a cancoa?/... Diz o samba da caatinga/na cantiga do cangaço/cabaça cheia de furos/cabeça, chuva, cabaço" (...) e Ribeirinho canoeiro: "joga tua rede pro ar, canoeiro/sobre o espelho barrento/que o rebento do lado de cá/ancora couro ao tempo. ... O homem, peixe-boi se foi/da paisagem no momento/cantiga, força, corpo, luz/ navegando contra o vento" (...)
Ari e o samba regional, no Palco Livre do Grêmio

O importante de lembrar tudo isso ao nosso leitor, mesmo que de forma incompleta, é mostrar que temos valor, temos idéias e vamos evoluindo, crescendo dentro da convivência cultural e de suas confluências, de modo a ganharmos identidade. Se São Gabriel achou sua identidade musical na cantoria, Uibaí, precursor de São Gabriel, como se pode ver é muito mais complexo: já produz seu rock, sua cantoria, seu samba, seu reggae etc. E assiste, no atual momento, o surgimento de uma nova geração de bons músicos cantoras e cantores de estilos variados. HÁ BRAÇOS! alan

03 maio 2009

TEATRO DE LUTO

O teatro está de luto. Morreu neste final de semana Augusto Boal, o dramaturgo brasileiro criador do Teatro do Oprimido, do Teatro Legislativo e do Teatro Fórum. Boal foi um intenso militante de esquerda que se notabilizou mundo afora por conseguir aliar a técnica teatral à praxis política cotidiana. Seu teatro inegavelmente representa um instrumento de transformação social na medida em que põe no jogo dramático questões do dia a dia do povo simples e faz esse povo ator direto dessas questões.

O teatro de Boal funciona como uma espécie de laboratório de cidadania. Em Uibaí, essa vertente do teatro contemporâneo foi utilizada pela primeira vez no Praça Inquieta, em 2003. As ações teatrais do Praça Inquieta foram coordenadas por Pita Paiva, que aprendeu as técnicas teatrais de Augusto Boal em um curso ministrado no Rio de Janeiro. Hoje o grupo de teatro SEU dá continuidade a essa corrente teatral no município e na região de Irecê. Há braços!

25 abril 2009

SUPREMA BAIXARIA

Esta semana, o país ficou perplexo diante do bate boca na Suprema Corte entre o ministro Joaquim Benedito Barbosa e o presidente da casa Gilmar Mendes. Barbosão foi indicado por Lula para a cadeira de ministro do Supremo. Gilmarzão foi indicado por FHC. O confronto, mais do que confronto de doutrinas jurídicas, é ideológico. Se a gente for ler a Veja (com seu discurso de PSDB) Gilmarzão vai ser apresentado como o homem ilibado que está ferrenhamente lutando para que o Supremo não vire reunião de sindicato petista, para que o estado de direito não seja vilipendiado em função de interesses ideológicos. Se, por outro lado, a gente for ler a Carta Capital (que é a Veja do PT) Barbosão vai aparecer como o preto pobre que chegou lá e que vai fazer valer os clamores da rua dentro do Supremo. Barbosão vai encarnar o próprio São Benedito instalado na corte como voz dos oprimidos e Gilmarzão não passará de guardião dos direitos da burguesia. Somando as opiniões das duas revistas, a gente percebe a merda em que se transformou o jornalismo brasileiro, se é que um dia já foi mais do que isso. Na verdade, Barbosa e Mendes protagonizaram uma cena triste e deprimente. Faltou aos dois (sobretudo a Barbosa, que abusou de termos de baixa extração) a lhaneza característica dos membros da Corte Suprema. O Supremo não tem que tratar de rua ou gabinete, tem que tratar das leis do país. Da vigilância legal da nação. Do aprimoramento do estado de direito. HÁ BRAÇOS!

23 abril 2009

SOBRE DEMOCRACIAS E DITADURAS


“Disse Clemenceau que, em matéria de desonestidade, a diferença entre o regime democrático e a ditadura é a mesma que sepa­ra a chaga que corrói as carnes, por fora, e o invisível tumor que devasta os órgãos por dentro. As chagas democráticas curam-se ao sol da publici­dade, com o cautério da opinião livre; ao passo que os cânceres profun­dos das ditaduras apodrecem internamente o corpo social e são por isto mesmo muito mais graves.” (In Bonavides, Paulo. Ciência Política)

22 abril 2009

SER HOMEM É SER SÓ

"Era uma das quase duzentas mil pessoas presentes. Aconteceu então que, imediatamente, perdi qualquer sentimento de minha própria identidade. Ali, tornei-me também multidão. Esqueci a minha cara, senti a volúpia de ser “ninguém”. Se, de repente, o povo começasse a virar cambalhotas, e a equilibrar laranjas, e a ventar fogo, eu faria exatamente como os demais. E, então, senti que a multidão não só é desumana, como desumaniza". Nelson Rodrigues em: Óbvio Ululante.
Lembrando o velho Nelson Rodrigues, só há duas saídas para nós: ou se é homem, ou se é massa. Ser homem implica necessariamente ser só. A solidão está para o homem, assim como a desumanização e as paixões exacerbadas estão para a massa. Prefiro ser só a seguir rebanho. Escolho ser homem! Até porque não há nada de errado na solidão. No fundo, o homem na sua solidão é quem desvia a massa do abismo. Ela, a solidão, é a mais genuina condição humana. E, de súbito, esse sentimento intrínseco a tudo que é singular acontece quando a gente se dá conta de que não precisa balir como os outros, quando aprendemos a ouvir a nossa voz, o nosso desejo mais íntimo e pessoal. Quando perdemos o medo do olhar externo que aponta para a repetição, para a imitação servil... Esse olhar externo com essas características é que nos desumaniza na medida em que se propõe a nos roubar a singularidade, as idiosincrasias, oferecendo-nos como feliz alternativa o comportamento de massa, pasteurizado, midiatizado e dócil a qualquer controle ou incitação. Quando se aceita a solidão como parte constitutiva da condição humana, opera-se a desarticulação de toda uma teia de culpa forjada para nos reduzir a pobres autômatos. Não esperemos bondes, sejamos os solitários e solidários bondes de nós mesmos. Há braços! alan

09 abril 2009

O SEU DE TODOS NÓS!



Grupo de teatro SEU em ação, síntese de todo um processo de consolidação do teatro e de atividades culturais em Uibaí, que começou com as semanas de arte e com o Grupo Teatro Vida. O SEU, hoje, é o mais importante grupo cultural em atividade na Canabrava. A gente precisa valorizar esses guerreiros.
Foto capturada no orkut de Fábio, membro do SEU.

07 abril 2009

BOCA DO INFERNO 41 MARÇO 2009


Olá, galera do Boca do Inferno. Parabéns pela persistência, resistência e sobrevivência. A Revista está menos agressiva e não menos verdadeira, adequada ao contexto. Isto chama-se leitura e escrita da história sem perder o tom. Em breve estarei de volta às páginas com o tema Cidadania Ativa, me aguardem!!!Flor
Na foto, comunidade uibaiense participa de atividade no Grêmio, em 2004

O PROJETO DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL

CONVIDAMOS OS LEITORES A COMENTAR ESTA PROPOSTA DE LEI




PROJETO DE LEI ____/ 2009




Institui a política municipal de assistência estudantil univer-sitária e pré-universitária a estudantes carentes e dá outras providências.


O PREFEITO MUNICIPAL

Faço saber que a Câmara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art.1º Fica instituída a política de assistência estudantil universitária e pré-universitária no município de Uibaí, para atender a estudantes de baixa renda.

Art. 2º A política municipal de assistência estudantil universitária e pré-universitária terá por base o incentivo à formação superior dos uibaienses.

Art. 3º O município incentivará a criação de residências estudantis nos grandes centros universitários do Estado e do País, bem como, custeará as suas despesas básicas.

§ 1º Fica instituído o financiamento público das despesas básicas das residências estudantis já existentes à data da publicação desta lei.

Art. 4º O Poder Público, no trato com os estudantes, respeitará a autonomia administrativa das entidades e residências estudantis.

Parágrafo Único. Entende-se por autonomia administrativa a prerrogativa exclusiva de as entidades e residências estudantis estabelecerem os critérios para a seleção dos residentes, bem como, elaborarem seus estatutos, regimentos internos e demais normas de funcionamento.

Art. 5º Fica instituída a concessão de ajuda de custo, segundo critérios sócio-econômicos previamente estabelecidos, aos estudantes universitários que residam em municípios onde não houver residência autônoma de estudantes uibaienses e a sua criação seja economicamente desaconselhável.

Art. 6º O município reembolsará, integral ou parcialmente, as despesas com transporte efetuadas por estudantes de baixa renda, residentes no município de Uibaí, que freqüentem cursos de nível superior, pós-médio profissionalizante e técnico profissionalizante em estabelecimentos de ensino sediados em outro município.

§ 1º O estudante que não lograr aprovação para o ano ou etapa seguinte do curso que estiver matriculado, ou, injustificadamente trancar a matrícula, perderá o direito ao benefício.

§ 2º O incentivo de que trata o caput deste artigo será deferido ao aluno que comprovadamente não possa arcar com as despesas decorrentes do deslocamento, sem prejuízo do sustento próprio ou da família.

Art. 7º Fica garantida a instituição de um cursinho pré-vestibular público e gratuito no município de Uibaí com aulas ministradas preferencialmente por profissionais que, de algum modo, tenham se beneficiado de recursos do município.

Art. 8º Para atender ao disposto nesta lei, o Poder Executivo celebrará convênios com sociedades civis sem fins lucrativos, com o escopo de possibilitar o repasse de verbas municipais.

Parágrafo Único. Os termos dos convênios referidos no caput deste artigo serão elaborados pelo Poder Executivo conjuntamente com as entidades representativas dos estudantes.

Art. 9º As despesas decorrentes do disposto nesta Lei correrão por conta de dotação orçamentária prevista na Lei Orçamentária Anual, ficando o Poder Executivo autorizado a abrir créditos suplementares ou especiais.

Parágrafo Único. Para os exercícios financeiros subseqüentes, o Poder Executivo determinará a sua previsão orçamentária quando da apresentação Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) a serem aprovados pela Câmara municipal.

Art. 10. As instituições e os estudantes beneficiados com recursos públicos nos termos desta lei desenvolverão, no município de Uibaí, projetos sociais, culturais e educacionais como contrapartida.

Parágrafo Único. Os projetos referidos no caput deste artigo serão elaborados e desenvolvidos pelas instituições e pelos estudantes beneficiados, em parceria com o Poder Público Municipal.

Art. 11. A prestação de contas dos recursos repassados será realizada semestralmente, nos meses de junho e dezembro, até o dia 30, pelas entidades beneficiadas, conforme dispuserem os respectivos termos de convênio.

Art. 12. O Poder Executivo regulamentará esta lei no prazo de 60 dias.

Art. 13. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 14. Revoga-se a lei n. xxx/2007 (ver n. da lei da ajuda de custo aprovada na gestão passada).

Gabinete do Prefeito Municipal de Uibaí, 30 de março de 2009.


Pedro Rocha Filho
PREFEITO MUNICIPAL

PEDRINHO DÁ EXEMPLO PARA A BAHIA

A gente critica as coisas erradas sim, de qualquer político. Mas a gente sabe também reconhecer quando o cara acerta. O prefeito Pedro Rocha deve assinar por esses dias a lei de assistência estudantil mais completa que o estado da Bahia já viu. Essa lei torna responsabilidade do município a sustentação das moradias estudantis uibaienses onde quer que estejam, propõe ajuda de custo a estudantes de baixa renda do município, cria cursinho gratuito, preparatório para o vestibular, e exige que os estudantes deem um retorno para a Canabrava participando de projetos sociais, culturais e educativos como contrapartida. Nada mais justo! Finalmente, o poder público assume a responsabilidade por um dos maiores focos de desenvolvimento de Uibaí: a educação. O município sempre se destacou nessa área, muito embora sofresse com a omissão e o desprezo dos administradores ao longo de décadas. Vamos ver se o prefeito consegue aprovar a lei na câmara. Se for vitorioso, entrará para a história do estado como um grande incentivador da educação. HÁ BRAÇOS!

26 março 2009

ACAMPAR SEM DESTRUIR A SERRA

Acampamento na serra de Uibaí, foto de Kalil
Cada vez mais o pessoal de Uibaí tem desenvolvido o gosto pela prática de acampamentos na serra. Isso era a coisa comum na semana santa, quando muita gente da Canabrava subia o Morro Branco levando provisões para passar o dia inteiro por lá. Ocorre que ao longo dos anos não se viu o aprimoramento ecológico das subidas ao morro. O resultado, no fim do dia, era sempre que o morro ficava detonado. A vegetação rasteira esmagada, arbustos mutilados e muita sujeira de plásticos, vidros, latas de doces, sardinha etc. O mesmo acontecia nas fontes e no Banheirão. Ainda bem que no morro a invasão nefasta só acontece uma vez por ano.

O que parece é que há uma nova geração mais consciente praticando o acampamento. Eles levam barracas, procuram não fazer fogo de modo impróprio e em lugares inadequados; levam sacos para recolherem os resíduos não orgânicos ou poluentes que produzem durante a estada na serra e sempre trazem o lixo produzido de volta para a casa.

Parece que a atitude desses ecocampistas é apenas de contemplação e interação pacífica com a natureza. Ninguém vai acampar com armas ou com o intuito de cortar árvores ou capturar animais. Que bom que seja assim! HÁ BRAÇOS!



SEGUEM ALGUMAS DICAS DOS ESCOTEIROS:



"Ao chegar ao local de acampamento...
... não arranques a vegetação existente no teu campo. Se arrancares a vegetação, com uma contínua utilização, depressa a erosão tornará o campo impossível de acampar.
O que fazer então?Para limpar o teu local de acampamento, basta retirar os paus e as pedras que nele encontrares.
Na montagem de campo...
... não pregues nem espetes nada nas árvores. Ao fazê-lo estarás a danificar os canais condutores de seiva da árvore o que, a curto prazo, acabará por matar a árvore.
O que fazer então?Bastará para o efeito, usares uma espia para segurares o que quiseres.
... não faças regos à volta da tenda. Ao abrires regos, estarás a destruir a camada de manta morta (humus), assim como a causar graves danos no sistema radicular da vegetação existente.
O que fazer então? Se for mesmo necessário fazer regos, para escoamento das águas das chuvas (pois a tua tenda não impermeável) fá-los de tamanho reduzido e de pouca profundidade.
Nas construções...
... não cortes nenhuma árvore para fazer as tuas construções em campo. Ao cortares árvores para usares nas tuas construções, estás a desperdiçar e a danificar os recursos florestais. Lembra-te "uma árvore é uma vida".
O que fazer então? Reduz as construções ao mínimo possível, usa desperdícios (madeira caída) e procura apoiar as construções nas árvores, reduzindo assim a quantidade de madeira a utilizar.
No consumo de água...
... não desperdices água. Como sabes, a água é um recurso natural de elevada importância e bastante limitado.
O que fazer então? Utilizar a água com cabeça, evitando assim um elevado consumo desta.
... não utilizes detergentes que não sejam biodegradáveis para lavar a loiça ou a roupa. Ao utilizares estes produtos, estás a contribuir para a contaminação dos lençóis subterrâneos de água.
O que fazer então? Para a lavagem da louça ou da roupa utiliza, na medida do possível, detergentes biodegradáveis, pois não são tão poluentes.
Na vida do acampamento...
... não deites nada para o chão. Assim estarás a destruir a floresta, poluindo-a.
O que fazer então? Utiliza um saco e leva o lixo para um local onde façam a sua recolha, no final do acampamento.
... não grites com os teus companheiros nem utilizes rádios. Se procederes de modo contrário, não poderás disfrutar do "silêncio" da vida em campo e estarás a perturbar o "habitat natural" onde te encontras.


"Procura deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraste". Baden-Powell"

19 março 2009

A ARTE PRECISA DE FINANCIAMENTO

Uibaí vem passando por um momento muito interessante em termos de manifestações culturais. A Aupac, o grupo Seu e o Gpec têm protagonizado uma intensa movimentação regada a teatro, música e poesia. Tá faltando a valorização desses agitadores culturais. Tá faltando uma política cultural que propicie condições financeiras mínimas para esses profissionais continuarem o trabalho bonito que vêm desenvolvendo. Arte e cultura precisam de incentivos financeiros. Quem trabalha de graça é relógio... Aliás, o relógio cobra a pilha! Há braços!

13 março 2009

SERRA DEGRADADA NO POÇO

Na visita que fiz à fonte Gasta Sabão, no povoado do Poço de Uibaí, em janeiro/2009, tive uma visão desoladora. Apesar de ter chovido um pouco, encontrei mais cinzas do que verde. O último fogo que aconteceu naquela região, na serra entre o Poço e Olhos D'agua, segundo informações de moradores, durou aproximadamente 20 dias. Essa queimada provocou clareiras enormes, deixando a serra inóspita. Os riachos outrora existentes, agora não têm água nem pra passarinho. Frutas silvestres como murici, puçá, guabiraba, araçá, quipá etc., agora só existem no imaginário do povo, só na literatura. Fauna e flora estão praticamente dizimadas. Temos apenas resquícios de vida.

(Sêneca Fernandes, para o boca do inferno)

07 março 2009

BURRICE E DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

Banheirão em 1989, depois de ser desentupido.
Durante muito tempo, Uibaí foi, para a região de Irecê, o oasis das águas frescas e saudáveis. O lugar aonde as pessoas vinham buscar água cristalina ou desfrutar do lazer que os riachos e nascentes da serra ofereciam durante o ano inteiro.
Até meados dos anos de 1980, o Banheirão, por exemplo, recebia um fluxo significativo de pessoas de muitos municípios da região. Ocorre que paralelo a esse desfrute turístico e utilitário dos recursos hídricos de nossa serra também prosperava (e ainda prospera) uma irracional prática predatória do meio ambiente.
Entendam como predação ambiental a implantação descontrolada de roças ao longo da serra bem como a proliferação criminosa de queimadas, do comércio de postes, pedras e da fauna silvestre. Tudo isso somado gerou uma violenta degradação ambiental que teve como resultado o definhamento das nascentes e a escassez do nosso mais apreciado recurso. Não dá para esquecer os entupimentos da barragem no final da década de 1980. A cada estação de chuva, a cavidade da barragem ficava completamente preenchida de areia, resultado do assoreamento gerado pelo desmatamento produzido serra acima.
A Canabrava entrou a década de noventa com uma crise profunda de abastecimento de água e com as nascentes e riachos quase extintos. Durante esse período, nada, praticamente nada foi feito para salvar a serra. Quanto à escassez de água, o município foi salvo pela chegada da água proveniente do açude de Mirorós. Uma água, embora potável, com uma qualidade muito inferior ao produto outrora abundante nas grotas da Serra Azul. O povo sofreu para se adaptar ao caldo grosso e meio salobro que passou a jorrar das torneiras vigiadas pelos registros da Embasa.
O período de otimismo que se instaurou com a chegada da água de Mirorós tem dois lados. Por um lado, deu descanso para as nascentes que deixaram de ser sugadas com o fim de alimentar as residências uibaienses e de demais municípios e também estimulou a expansão urbana, mas, por outro, deu a entender que não precisávamos mais dos recursos da serra, podendo-se, portanto, continuar a destruí-la à vontade e de forma voraz... Infelizmente foi o que aconteceu.
A falta de consciência e a desinteligência nossa, não nos permitiram perceber que aquela ocasião seria o momento exato para cuidar da serra, para proteger nossas águas e transformá-las em fonte turística de divisas e de qualidade de vida para Uibaí. Preferimos ignorar tudo isso e destruir cada vez mais nossos recursos naturais, já que o problema hídrico estava resolvido. Santa burrice!

Faltou-nos visão a médio e longo prazo. Infelizmente, não levamos em conta que a barragem de Mirorós também poderia entrar em colapso. E é exatamente isso que estamos presenciando agora. Novamente, o fantasma do desabastecimento ronda a região de Irecê. O baixo nível da água no açude de Mirorós, que abastece 486 mil pessoas em 14 municípios da nossa região, começa a preocupar as autoridades e a virar tema de discussão. O problema é este: as autoridades só se preocupam quando o estrago já está feito. Dados do Ibama e da Embasa apontam entre as causas da diminuição brusca do volume das águas, a degradação das nascentes e das matas ciliares dos rios que alimentam a barragem e o uso abusivo e descontrolado do referido produto.
Em Uibaí, a Codevasf, já ciente da crise de água por que a região começa a passar, resolveu investir na recuperação ambiental da serra, por saber do potencial hídrico que está sendo desprezado ali. E a prefeitura, e as entidades organizadas do município, como vão entrar nessa história? O que estão fazendo? Uibaí tem um produto precioso em seu território e ignora isso. Qual será o preço a pagar? HÁ BRAÇOS!

Alan Oliveira Machado

18 fevereiro 2009

10 fevereiro 2009

QUEM BEBE NA MINHA FONTE
VÊ O ABISMO QUE HÁ
DENTRO DE SI COM UMA PONTE
PRECÁRIA A BALANÇAR
(dioniso tamanduá, de volta do exílio)

04 fevereiro 2009

CASAS DE ESTUDANTES COBRAM DO PREFEITO

Recebemos notícias aqui de que o novo prefeito Pedro Rocha eceitou se sentar com as casas de estudantes para traçar um plano de ajuda financeira a essas entidades. Até o momento, nada demais: Hamilton, em 1982, também se dispôs a ouvir as casas, porém não moveu uma palha para melhorar a situação dessas moradias; Renato, da mesma forma, pouco fez além de persegui-las. O repugnante Renatinho, um dos piores "administradores" que Uibaí já teve, só providenciou a aquisição da sede da Ceu, depois de muita pressão, insistência e briga dos estudantes e das familias uibaienses; Raulzinho ouviu a turma das casas, fez proselitismo e tirou o dele da reta na hora H... Sinceramente, ao contrário dos outros, a gente espera que Pedro Rocha responda com seriedade às reivindicações das Ceus e cobre um retorno social dessas moradias em Uibaí. Nada melhor do que aproveitar parte das férias no pé de serra para prestar algum serviço à comunidade. Há braços!

28 janeiro 2009

POR UM MUNDO MENOS GANANCIOSO

A crise mundial pela qual estamos passando pode trazer efeitos mais que inesperados. Após anos de certezas e progressos moldados num estilo de vida e de sociedade baseados no consumo e na acumulação indiscriminada de riquezas, surgem questionamentos por todos os lados: até quando o mundo vai suportar esse modelo econômico volátil, baseado na especulação financeira e em fórmulas artificiais inventadas por banqueiros ávidos por montantes fabulosos?

A ansiedade perdulária e o oportunismo que fizeram crescer a bolha imobiliária americana, responsável pela crise em que as economias do mundo estão mergulhadas, derreteram-se diante da falência de dezenas de grandes empresas e bancos pelo mundo afora. O certo é que o modelo de exagero em que vivíamos dificilmente retomará espaço. Isso significa que inevitavelmente estamos abrindo uma nova era que, a depender da pressão do povo em escala planetária, possivelmente poderá ser mais justa e igualitária.

Em se concretizando essa tendência, a principal alternativa será o caminhar da maioria e não o de um só, buscando o benefício comum. Nesse ínterim, naturalmente vamos estreitar as relações socioeconômicas e rever algumas ordens estabelecidas por aqueles que não se adéquam ao espírito coletivo e que sempre buscaram explorar.

O importante no momento é a possível quebra do ideal de aceitar a dificuldade e a submissão. Buscar os direitos estabelecidos, cobrar daqueles que fazem algo errado e fazer melhores escolhas perante as situações por vir,como por exemplo uma eleição, podem representar uma mudança muito importante nesse quadro .

Para seguir na história não basta o pensamento de mudança estar semeado em cada um. É preciso existir também a vontade de ser a mudança e de tomar atitudes condizentes com o objetivo de um mundo melhor e mais justo.




(Pedro Moreno, para o boca do inferno)

21 janeiro 2009

BOCA DO INFERNO 40, jan/fev 2009

CONTRA AS ABOBRINHAS DOUTRINÁRIAS
Entre os arroubos de mediocridade e de dissimulação de ignorância que a academia produz para proteger interesses ideológicos estão a distorção das ideias e do sentido da obra de certos autores que, se lidos, impediriam a eficácia da doutrinação nos feudos universitários. Creio que, entre outros, um dos autores mais perigosos e, portanto, mais distorcidos é Friedrich Nietzsche. Dentre as abobrinhas ideológicas que já ouvi de bocas e li em textos de universitários está a de que Nietzsche não é filósofo, porque não tem um pensamento sistematizado.
Nesse caso, a ignorância é dupla: primeiro os imbecis que afirmam isso consideram Sócrates e uma porrada de outros pensadores que nem textos escreveram como filósofos, mas Nietzsche não pode ser. Depois dão uma prova cabal de que não leram sequer uma página da obra nietzschiana, pois se o tivessem feito saberiam que a filosofia de Nietzsche é uma crítica aos valores ocidentais e sobretudo ao modo torto de pensar e de fazer ciência no ocidente. Ele próprio em um prefácio crítico ao seu primeiro livro " A origem da Tragédia", afirma em tom de autocrítica que não deveria ter escrito daquele modo tal livro já que o tal modo de proceder era objeto de crítica no livro. Diz assim esse pensador genial:"Quanto lamento agora que não tivesse então a coragem (ou a modéstia) de permitir-me, em todos os sentidos, também uma linguagem própria para intuições e atrevimentos tão próprios"...[1]
Outra forma vil de afugentar as ovelhas universitárias do pensamento livre de Nietzsche foi tachá-lo de antisemita, de nazista. Primeiro, não há uma linha de antisemitismo em Nietzsche. Quem leu a obra, que notadamente é do séc desenove, antes do nazismo portanto, sabe disso. Uma coisa é Friedrich Nietzsche, outra coisa foi o que a irmã dele, Elizabeth Forster, fez com a obra do filósofo, muito depois da morte desse autor. Simpatizante do nazismo, ou querendo fazer média com o poder, Elizabeth e o marido usaram e deixaram que usassem o pensamento do irmão filósofo de forma baixa e desrespeitosa. Distorceram cinicamente tudo.

Quanto a isso já até ouvi debilóides universitários afirmando que a teoria do super-homem de Nietzsche confirma seu gosto pelo purismo do tipo ariano de Hitler. Uma vez, de saco cheio, eu perguntei a um imbecil desses se ele sabia o que significava "übermensch" em português. Não soube responder. Tive que dizer que era o termo alemão que Nietzsche usou em sua obra e que a tradução mais honesta para o português seria "além homem", mas que esse termo foi traduzido maldosamente como super-homem o que torna incompreensíveis as relações que fazem entre o pensamento do autor de Genealogia da Moral e esse delírio de homem puro e máximo.
Mas parece que a distorção vingou, até porque não há hábito de leitura no meio universitário. Quando muito, a maioria dos nossos gênios do terceiro grau leem fragmentos de interpretações, boa parte delas codimentadas com as distorções comuns produzidas pela patifaria intelectual que tem caracterizado a educação de nível superior no Brasil.


(bichu duzimbu, feliz por ter voltado)
[1] NIETZSCHE, F. A origem da tragédia ou Helenismo e Pessimismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

FESTA DAS ARÁBIAS

Dizem que há uma festa das arábias em Uibaí.
Já tem três camelos estacionanos na prefeitura.
As mil e uma noites no país das maravalhas começam
em grande estilo. No melhor do nepotismo.
J.M. da Silva

11 janeiro 2009

TUDO FLUI

"O cobarde, par contre, procura deter o fluxo da vida". ( Henry Miller)*
Eu amo tudo que flui
Do sangue quente da veia
Ao jato infecto de pus.
Da lágrima abundante nos olhos
Ao choro que a produz
Do texto que sai da língua
A tudo que ele traduz

Eu amo tudo que flui
o jorro menstrual da fêmea
o canal que o conduz
O elétron que salta do átomo
Da madeira dura da cruz.
A seiva mineral da pedra
Que escorre pro solo e rega
A vida com invisível luz

Eu amo essa transição eterna
A saliva, o gozo, o esperma
O vapor do hálito quente
Que excita, atiça e intriga
O beijo molhado de noite
O suor sobre a barriga.
Eu amo essa infinita lida.
(bichu duzimbu, de volta do exílio)
* O mundo do sexo

06 janeiro 2009

FESTA DO CABIDE

Dizem que a prefeitura tá promovendo uma movimentada festa do cabide na canabrava. A entrada é restrita. Logo na porta, o convidado precisa tirar a máscara, depois é levado a pendurar o corpo mal passado em um emprego e curtir a vontade. Cabide de emprego... A fila é longa... descamba Rua Grande abaixo, faz uma curva na Quixabeira, atravessa o Caldeirão e segue Canabrava a dentro. Haja leite nas tetas da vaca azul. (JM da Silva)

23 dezembro 2008

18 dezembro 2008

CENAS

Manhã chuvosa
Olhar de esguelha
Na cerca, aberta em flor,
Uma pinha cheia de abelhas.


alan oliveira machado

17 dezembro 2008

ARTE DE RESÍDUOS PLÁSTICOS



Arte sustentável feita de tampinhas pet, recolhidas em restaurantes, bares e nas ruas. Uma boa alternativa para transformar lixo em arte.

Este trabalho, entre outros, foi desenvolvido por Alan Machado e Líris Gamper Machado, com colaboração especial de Anairam Gamper. Ele pode ser realizado em qualquer espaço com muros ou paredes. As tampinhas com cores originalmente variadas podem ser combinadas em belos mosaicos.
Em Uibaí poderíamos ter painéis de temáticas variadas em escolas, clubes, bares e muros residenciais, como o da foto ao lado de 1 metro e 60 cm de comprimento por 60 cm de largura . A medida em que embeleza a cidade, esse trabalho impede que centenas de quilos de resíduos plásticos poluam o ambiente. Há braços!

16 dezembro 2008

MENINO BUCHUDO

Menino buchudo,
No carreiro ou na estrada da fonte
o olhar perdido no mato
Já não alcança o horizonte.

No Banheirão
Ou atrás do Morro Branco
Menino danado
Não pode ouvir um canto.

Perigoso, o badogue
Ele estica o quanto pode
Solta a bola de barro,
O pássaro é quem se fode.

Cheia, balança a capanga
O infante
O peneiro na estrada
O suor pela fronte.
O prazer da jornada
Não é como antes

Arapuca quebrada
Já era o seveiro
Não tem mais passarinho
Gaiola sem puleiro
O visgo esgotou
Nas cicatrizes do gameleiro.
O tempo fechou
Um ciclo inteiro

Não tem mais pataca
Fruto de juazeiro
Morreu jatobá
Murici com seu cheiro
Adeus guabiraba
Imbu, ingazeiro
Mangaba de luto
Puçá verdadeiro
Araçá já sumiu
Do Riacho do Meio
Cadê bananinha
Sem chuva não veio
Meu deus como pode
Um tempo bonito
Perder seu esteio.


(Cosme Bafão, pirado e perdido em memórias da infância)

12 dezembro 2008

BOCA DO INFERNO 39, nov./dez 2008

EDUCAR PARA O MUNDO
A educação brasileira precisa mais do que nunca de profissionais compromissados com uma atuação docente centrada no crescimento intelectual dos educandos, na preparação destes para o domínio dos saberes básicos, na preparação destes para crescerem com plena capacidade de interpretar o mundo, a cultura, para conviver com a diversidade.

A sala de aula não é espaço de doutrinação, não é laboratório sociológico para a formação de militantes em favor de uma ou outra ideologia. A sala de aula, a escola é lugar de convivência com os saberes que constroem as bases sólidas para a sobrevivência na sociedade; é, portanto, o espaço privilegiado da contradição e da pluralidade. O mundo é plural, os desafios da humanidade são múltiplos. Assim, o educando só é capaz de se construir criticamente, solidamente, quando tem acesso aos códigos básicos indispensáveis ao entendimento da existência. De acordo com Sartre, “o homem é responsável pelo que é. Desse modo o primeiro passo (...) é por todo homem na posse do que ele é, submetê-lo à responsabilidade total de sua existência”. Eis, a meu ver, a missão dos Professores, a verdadeira missão dos educadores... Sua importância e responsabilidade na construção de um mundo com a mais verdadeira feição humana.


Há braços! alan oliveira machado

SINDICATO DE LADRÕES

Esta manifestação que vocês estão vendo na foto ao lado, na frente do Congresso Nacional, promovida pela CUT, pela Força Sindical e demais centrais, não é para pressionar o Congresso por um aumento de salário para o trabalhador brasileiro não, nem é para pedir redução de impostos ou redução de juros etc, coisas que afetam a vida de todos os trabalhadores brasileiros. A manifestação ao lado, caros leitores, ocorreu no dia em que o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados (que ética?) estava votando a cassação do deputado corrupto, ladrão do dinheiro público Paulo Pereira (PDT), o tal Paulinho da Força... E sua finalidade era pressionar os deputados a votarem contra a cassação do Paulinho ladrão, do Paulinho propina, do Paulinho mão leve que rapou a grana do BNDES. E a pressão das centrais sindicais valeu a pena... Paulo Pereira não foi cassado e comemorou com muita cerveja ao lado dos amigos da CUT, da Força e demais centrais...


Agora nos respondam: é para isso que pagamos o maldito imposto sindical, arrancado à força do nosso salário? Foi isso que as centrais sindicais sempre praticaram no Brasil, com a diferença de que hoje, não tendo mais a quem se opor, sentem-se à vontade para mostrar seus reais interesses? Fora os interesses deles mesmos, quais outros interesses o sindicalismo brasileiro defende hoje? Os interesses dos trabalhadores certamente eles não representam! ABAIXO A FARSA! Há braços!

11 dezembro 2008

QUIXABEIRA EM MOVIMENTO

vista parcial da Quixabeira, foto do orkut de Baltazar.

O Povoado de Quixabeira por muito tempo passou uma imagem negativa. As pessoas se sucumbiam ao estigma de que dali não vinha nada que prestasse. Mas esquecendo esse passado, busquemos pensar o presente que é bem melhor. Com o passar do tempo, aquele povo mostrou-se diferente. O ingresso de várias pessoas na universidade pública foi um grande passo. Outro passo desenhado pelos quixabeirenses foi a busca por uma nova atitude, um novo pensamento.



Caminhando nessa direção nasceu o Gpec (grupo política, ecologia e cultura) para contribuir com o crescimento do nosso lugar. Ele é muito importante, pois tem uma visão diferente dos outros grupos nascidos em solo uibaiense. Além de ter em vista a cultura, visa também à ecologia e ao engajamento político, garantindo o possível confronto com os desmandos do poder estabelecido.


O Gepec teve uma posição contraria aos dois candidatos à prefeitura de Uibaí, porque eles não apresentaram propostas claras para a população. Mas o grupo não estava querendo apenas ter uma atitude radical, sem um pensamento crítico, e, sim, propor uma discussão mais inteligente sobre a política regional. Não ser apenas contra o pleito atual ou apoiá-lo de forma incondicional sem ter senso crítico, sem ter nada a opinar.


O grupo balançou o cenário político. Deu uma chacoalhada nas pessoas, com a intenção de mostrar que não adianta mudar o nome do candidato sem mudar a forma de se conduzir a política. Defendeu que não basta apenas ter um mestre lá na prefeitura, um senhor condutor da economia, da saúde, da educação a seu bel-prazer. O Gpec mostrou que o povo tem que ter consciência política, tem que estar ali fiscalizando quem ocupa algum cargo público, seja vereador, prefeito, deputado ou presidente da república, pois estes são eleitos pele voto e têm o dever de zelar pela dignidade do povo e pelas coisas do povo. Assim, o Gpec entende que a população tem o direito e o dever de cobrar, de propor e de discordar das ações de seus representantes. Por isso, o Gpec foi contra a forma como se conduz a política uibaiense, por ter consciência de que ela não favorece aos interesses do povo. Os partidos políticos só querem cada vez mais a alienação da população para poderem governar conforme suas cabeças e bolsos.


Na ecologia, o Gpec pensa o futuro da população, o futuro dos filhos, se eles vão viver em um ambiente limpo e saudável. A sustentabilidade, ou melhor, como conviver com a natureza sem matá-la. O grupo procura promover ações de conservação da natureza, como plantar árvores nativas, valorizando o meio ambiente local; reciclar o lixo (como plástico, papel, ferro, zinco etc) existente nas ruas do povoado, e na serra das laranjeiras.


Além de tudo isso, o grupo promove leituras, recitais de poesias em escolas, nas ruas, nas feiras culturais, em semanas de arte etc. A cultura enriquece a população é uma fonte de integração do grupo, tal como é fonte de diversão e integração com a população.


(baltazar lopes cavalcante, para o boca do inferno)



08 dezembro 2008

MANIA DE DESTRUIR ÁRVORES

O texo abaixo foi publicado no jornal O Semanário, de Irecê, já faz algum tempo, mas como as atitudes criticadas nele e seus efeitos negativos persistem, resolvemos publicá-lo mais uma vez, como forma de sensibilizar o povo rumo à reflexão.
Em nossa região, faz parte do hábito político dos administradores públicos levar à risca aquela lição de O Príncipe, de Maquiavel, que diz ser o melhor ao príncipe que conquistou um reino, destruir tudo que puder lembrar o seu antecessor. Péssima lição, já que quem perde é o povo. Mas, como a política em vigor na maioria dos municípios da região é a da malversação do dinheiro público, da corrupção crônica, raramente sobra alguma coisa nos municípios para ser destruída pelos gestores.

Com os municípios em ruínas, não havendo muito que destruir, virou moda na região os prefeitos dizimarem as árvores das ruas e avenidas. Todo início de mandato é a mesma coisa: um caminhão da prefeitura repleto de peões famigerados avança de rua a rua mutilando árvores e arrancando-as pela raiz. Depois da devastação, os mesmos peões gafanhotos retornam plantando mudas de uma única espécie vegetal, onde outrora havia robustas árvores.

Bom, mas a estupidez do gesto desses “administradores da coisa pública” não se resume apenas à mudança de visual e de clima gerada pela eliminação da cobertura verde das zonas urbanas. Além de a empreitada alterar o clima ambiente, a mania de uniformizar a zona urbana com uma só espécie vegetal provoca um desequilíbrio ecológico que vem sendo sentido há muito tempo na região. Não precisa ter boa memória para enumerar as pragas que proliferaram sem controle nas últimas décadas: os potós, com sua secreção ácida, que aterrorizaram a região; os besouros coleópteros que importunaram o sossego dos lares; a praga de fungos que destruiu muitos milhares de mangueiras etc. Mesmo assim, entra prefeito, sai prefeito, cortam-se as mangubas e plantam-se apenas algarobas; derrubam-se as algarobas e plantam-se somente o fícus...

Para garantir a biodiversidade, o equilíbrio entre espécies, a qualidade do ar e do clima, deve haver em uma zona urbana pelo menos 40 espécies de árvores convivendo no mesmo espaço. A cada espécie vegetal corresponde a presença de um número significativo de aves, insetos, fungos e bactérias. Quanto maior o número de árvores, maior a biodiversidade, maior o equilíbrio ambiental. Dificilmente haverá a proliferação de pragas.

É importante salientar também que nem toda espécie de árvore serve para compor a cobertura vegetal urbana. As espécies devem ser escolhidas mediante estudo e impacto ambiental. A título de exemplo, a mesma engenharia florestal que autorizou a criação de florestas de eucalipto em Brasília, com o fim de melhorar o clima, por lá muito seco, ordenou a extinção de tais florestas ao constatar que o eucalipto tem raízes profundas, extrai muita água do solo e tem baixa transpiração, o que tornou o clima da capital ainda mais seco.

A preservação da arborização urbana, quando ignorada, pode trazer transtornos para toda a população, gerando problemas de saúde que oneram tanto o cidadão quanto o município. Na verdade, os administradores, no lugar de em todo início de mandato se preocupar em vestir um novo uniforme verde no município, deveriam sim cuidar da saúde das espécies existentes e já adaptadas à zona urbana e executar um planejamento para o plantio de novas espécies, evitando com isso o desequilíbrio ecológico e todas as suas conseqüências. Quanto à população, acreditamos que sua participação cidadã seria de imenso valor na fiscalização das ações das prefeituras e no controle das espécies plantadas. Sabe-se ainda, pela experiência, que muitos problemas ecológicos ultrapassam o perímetro urbano. A solução desses problemas passará necessariamente pela preservação de matas, rios, riachos e espécies animais. Pensando assim, como diz um amigo ecologista aqui do cerrado, a consciência ecológica começa dentro do nosso quintal, então, vamos cuidar pelo menos dos grandes quintais que são os nossos municípios para, consequentemente, melhorar o quintal de todos que é o mundo.

Alan Oliveira Machado (março de 2000)

02 dezembro 2008

É PEDRO, É PEDRA, É ROCHA, É O FIM DO CAMINHO...

MEIO AMBIENTE QUE SE FODA?
foto ilustrativa

Mesmo sem nem ainda tomar posse, tudo indica que o novo administrador de Uibaí já anda executando um projeto ambiental. Bem ao modo como Hamilton tratou o ambiente no Uibaí dos idos de 1980, quando mandou quebrar pedras na Fonte Grande, o futuro alcaide está despejando pedras extraídas do boqueirão da Fonte Grande na sua posse, na rua do cascalho, lugar onde provavelmente construirá sua residência.


A gente poderia até cogitar que ele não sabe de onde estão sendo extraídas as pedras, já que o programa de governo do futuro prefeito (em texto) propõe a recuperação de áreas ecologicamente destruídas e seria pouco coerente defender uma coisa e praticar o contrário num município tão pequeno em que todo mundo sabe quem entra e quem sai, pra onde vem e pra onde vai... Não, ele não deve estar fazendo isso não, seria estúpido demais, pequeno demais... O novo prefeito não se prestaria a um papel desses.


Já pensaram o contra-senso da situação? Enquanto a Codevasf gasta mais de um milhão de reais para recuperar o boqueirão do Riacho Canabrava, o novo prefeito promove a destruição do boqueirão da Fonte Grande. Não, minha gente, isso não está acontecendo, ninguém seria burro a tal ponto, muito menos o prefeito que vai libertar e reconstruir Uibaí.


HÁ BRAÇOS!

22 novembro 2008

NO VERDE
Na sombra do imbuzeiro
Forrado, o chão oferece
O amarelo maduro da fruta
Exalando cheiro agreste
Por perto se ouve uma pêga
Aninhada no enxerto
Rola-bosta trabalhando
Em um monte de esterco
Nada aqui dá tanto medo
jararaca ou jaracuçu
Só há um medo que ataca
O do bicho dos imbus.
(cosme bafão, para o boca do inferno)

19 novembro 2008

MINHA TERRA

MINHA TERRA
Minha terra, quando chove
Muita coisa acontece
Tem tanajura voando
Sapo cantando em prece
Mariposa e cheiro bom
Barulho da água que desce
No espinho do quiabento
A flor roxa aparece
O sofrê na aroeira
Cantando, a figueira estremece
Vivim, burrim, patativa
Brotam do capim que cresce
Sertanejo assoviando
O feijão no canivete
Milho botando boneca
Pinha inchada amolece
Meu coração bate forte
Alegre, a vida agradece.
(Cosme Bafão, num dia otimista)

01 novembro 2008

BOCA DO INFERNO 38


Cronos devorando um filho, Goya, 1823


SE Ç Ã O I N F E R N A L

Réuzinho começou sua administração com uma epidemia de dengue e vai entregar a prefeitura com o município mergulhado em outra epidemia de dengue. Enquanto o prefeito gastava dinheiro construindo aquela santa de merda lá no asfalto, o mosquito se reproduzia feliz. Pode uma porra dessas?

A cena de Délio, de paletó e gravata e embaixo apenas de cuecas comemorando a eleição de Pedrinho pelas ruas da Canabrava seria uma prévia do que vai ser a nova administração uibaiense? Uma simulação de seriedade permeada de esculhambação?

Mais quantas bofetadas Gilçu Munturo levou na cara depois do resultado das eleições? A sigla PCdoB em Uibaí agora tem outro significado: Partido da Cara pra Bofete!

Olha, diz quem tem um grupo cultural bombando na Quixabeira, o Gpec. Isso é bom, muito bom! Nem só de enxada vive o homem, nem só de estupidez e conversa fiada! A velha Quixabeira merece!



OBAMA E O OBA-OBA!




Abobrinhas ideológicas

Nosso instinto nos leva quase sempre a duvidar de unanimidades. Em política, cujas manobras e negociatas de bastidores marcam o ritmo do que segue encenado no palco, temos ainda mais razões para desconfiar do clamor unanimista. Assim, vamos deixar logo claro: NÃO ACREDITAMOS no bom mocismo desse tal de OBAMA. A mídia brasileira e global é uma adoração só. Usam o apelo racial, a ojeriza que realmente as ações sórdidas dos republicanos causam no mundo para vender Obama como a salvação da américa e da humanidade. Obama? We can't believe it! Chega de oba-oba! Há braços!

30 outubro 2008

SANTO NO ANDOR

Depois da vitória sobre o grupo do prefeito, a frente de libertação, num ato de agradecimento resolveu desfilar pelas ruas de Uibaí com o pai da criança, o companheiro e atual vereador Dorival, nos braços. Tal ato deve ter deixado o prefeito eleito com o monossílabo cortando agulha. O cito vereador é o pai das crianças eleitas, o vice prefeito Rodrigo e a verreadora Vivi e também, o maior vencedor dessas eleições. Viva São Dorim... o nosso companheirim... Haja povo! (Vilmali Rocha, para o Boca do Inferno)