07 abril 2009

O PROJETO DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL

CONVIDAMOS OS LEITORES A COMENTAR ESTA PROPOSTA DE LEI




PROJETO DE LEI ____/ 2009




Institui a política municipal de assistência estudantil univer-sitária e pré-universitária a estudantes carentes e dá outras providências.


O PREFEITO MUNICIPAL

Faço saber que a Câmara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art.1º Fica instituída a política de assistência estudantil universitária e pré-universitária no município de Uibaí, para atender a estudantes de baixa renda.

Art. 2º A política municipal de assistência estudantil universitária e pré-universitária terá por base o incentivo à formação superior dos uibaienses.

Art. 3º O município incentivará a criação de residências estudantis nos grandes centros universitários do Estado e do País, bem como, custeará as suas despesas básicas.

§ 1º Fica instituído o financiamento público das despesas básicas das residências estudantis já existentes à data da publicação desta lei.

Art. 4º O Poder Público, no trato com os estudantes, respeitará a autonomia administrativa das entidades e residências estudantis.

Parágrafo Único. Entende-se por autonomia administrativa a prerrogativa exclusiva de as entidades e residências estudantis estabelecerem os critérios para a seleção dos residentes, bem como, elaborarem seus estatutos, regimentos internos e demais normas de funcionamento.

Art. 5º Fica instituída a concessão de ajuda de custo, segundo critérios sócio-econômicos previamente estabelecidos, aos estudantes universitários que residam em municípios onde não houver residência autônoma de estudantes uibaienses e a sua criação seja economicamente desaconselhável.

Art. 6º O município reembolsará, integral ou parcialmente, as despesas com transporte efetuadas por estudantes de baixa renda, residentes no município de Uibaí, que freqüentem cursos de nível superior, pós-médio profissionalizante e técnico profissionalizante em estabelecimentos de ensino sediados em outro município.

§ 1º O estudante que não lograr aprovação para o ano ou etapa seguinte do curso que estiver matriculado, ou, injustificadamente trancar a matrícula, perderá o direito ao benefício.

§ 2º O incentivo de que trata o caput deste artigo será deferido ao aluno que comprovadamente não possa arcar com as despesas decorrentes do deslocamento, sem prejuízo do sustento próprio ou da família.

Art. 7º Fica garantida a instituição de um cursinho pré-vestibular público e gratuito no município de Uibaí com aulas ministradas preferencialmente por profissionais que, de algum modo, tenham se beneficiado de recursos do município.

Art. 8º Para atender ao disposto nesta lei, o Poder Executivo celebrará convênios com sociedades civis sem fins lucrativos, com o escopo de possibilitar o repasse de verbas municipais.

Parágrafo Único. Os termos dos convênios referidos no caput deste artigo serão elaborados pelo Poder Executivo conjuntamente com as entidades representativas dos estudantes.

Art. 9º As despesas decorrentes do disposto nesta Lei correrão por conta de dotação orçamentária prevista na Lei Orçamentária Anual, ficando o Poder Executivo autorizado a abrir créditos suplementares ou especiais.

Parágrafo Único. Para os exercícios financeiros subseqüentes, o Poder Executivo determinará a sua previsão orçamentária quando da apresentação Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) a serem aprovados pela Câmara municipal.

Art. 10. As instituições e os estudantes beneficiados com recursos públicos nos termos desta lei desenvolverão, no município de Uibaí, projetos sociais, culturais e educacionais como contrapartida.

Parágrafo Único. Os projetos referidos no caput deste artigo serão elaborados e desenvolvidos pelas instituições e pelos estudantes beneficiados, em parceria com o Poder Público Municipal.

Art. 11. A prestação de contas dos recursos repassados será realizada semestralmente, nos meses de junho e dezembro, até o dia 30, pelas entidades beneficiadas, conforme dispuserem os respectivos termos de convênio.

Art. 12. O Poder Executivo regulamentará esta lei no prazo de 60 dias.

Art. 13. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 14. Revoga-se a lei n. xxx/2007 (ver n. da lei da ajuda de custo aprovada na gestão passada).

Gabinete do Prefeito Municipal de Uibaí, 30 de março de 2009.


Pedro Rocha Filho
PREFEITO MUNICIPAL

PEDRINHO DÁ EXEMPLO PARA A BAHIA

A gente critica as coisas erradas sim, de qualquer político. Mas a gente sabe também reconhecer quando o cara acerta. O prefeito Pedro Rocha deve assinar por esses dias a lei de assistência estudantil mais completa que o estado da Bahia já viu. Essa lei torna responsabilidade do município a sustentação das moradias estudantis uibaienses onde quer que estejam, propõe ajuda de custo a estudantes de baixa renda do município, cria cursinho gratuito, preparatório para o vestibular, e exige que os estudantes deem um retorno para a Canabrava participando de projetos sociais, culturais e educativos como contrapartida. Nada mais justo! Finalmente, o poder público assume a responsabilidade por um dos maiores focos de desenvolvimento de Uibaí: a educação. O município sempre se destacou nessa área, muito embora sofresse com a omissão e o desprezo dos administradores ao longo de décadas. Vamos ver se o prefeito consegue aprovar a lei na câmara. Se for vitorioso, entrará para a história do estado como um grande incentivador da educação. HÁ BRAÇOS!

26 março 2009

ACAMPAR SEM DESTRUIR A SERRA

Acampamento na serra de Uibaí, foto de Kalil
Cada vez mais o pessoal de Uibaí tem desenvolvido o gosto pela prática de acampamentos na serra. Isso era a coisa comum na semana santa, quando muita gente da Canabrava subia o Morro Branco levando provisões para passar o dia inteiro por lá. Ocorre que ao longo dos anos não se viu o aprimoramento ecológico das subidas ao morro. O resultado, no fim do dia, era sempre que o morro ficava detonado. A vegetação rasteira esmagada, arbustos mutilados e muita sujeira de plásticos, vidros, latas de doces, sardinha etc. O mesmo acontecia nas fontes e no Banheirão. Ainda bem que no morro a invasão nefasta só acontece uma vez por ano.

O que parece é que há uma nova geração mais consciente praticando o acampamento. Eles levam barracas, procuram não fazer fogo de modo impróprio e em lugares inadequados; levam sacos para recolherem os resíduos não orgânicos ou poluentes que produzem durante a estada na serra e sempre trazem o lixo produzido de volta para a casa.

Parece que a atitude desses ecocampistas é apenas de contemplação e interação pacífica com a natureza. Ninguém vai acampar com armas ou com o intuito de cortar árvores ou capturar animais. Que bom que seja assim! HÁ BRAÇOS!



SEGUEM ALGUMAS DICAS DOS ESCOTEIROS:



"Ao chegar ao local de acampamento...
... não arranques a vegetação existente no teu campo. Se arrancares a vegetação, com uma contínua utilização, depressa a erosão tornará o campo impossível de acampar.
O que fazer então?Para limpar o teu local de acampamento, basta retirar os paus e as pedras que nele encontrares.
Na montagem de campo...
... não pregues nem espetes nada nas árvores. Ao fazê-lo estarás a danificar os canais condutores de seiva da árvore o que, a curto prazo, acabará por matar a árvore.
O que fazer então?Bastará para o efeito, usares uma espia para segurares o que quiseres.
... não faças regos à volta da tenda. Ao abrires regos, estarás a destruir a camada de manta morta (humus), assim como a causar graves danos no sistema radicular da vegetação existente.
O que fazer então? Se for mesmo necessário fazer regos, para escoamento das águas das chuvas (pois a tua tenda não impermeável) fá-los de tamanho reduzido e de pouca profundidade.
Nas construções...
... não cortes nenhuma árvore para fazer as tuas construções em campo. Ao cortares árvores para usares nas tuas construções, estás a desperdiçar e a danificar os recursos florestais. Lembra-te "uma árvore é uma vida".
O que fazer então? Reduz as construções ao mínimo possível, usa desperdícios (madeira caída) e procura apoiar as construções nas árvores, reduzindo assim a quantidade de madeira a utilizar.
No consumo de água...
... não desperdices água. Como sabes, a água é um recurso natural de elevada importância e bastante limitado.
O que fazer então? Utilizar a água com cabeça, evitando assim um elevado consumo desta.
... não utilizes detergentes que não sejam biodegradáveis para lavar a loiça ou a roupa. Ao utilizares estes produtos, estás a contribuir para a contaminação dos lençóis subterrâneos de água.
O que fazer então? Para a lavagem da louça ou da roupa utiliza, na medida do possível, detergentes biodegradáveis, pois não são tão poluentes.
Na vida do acampamento...
... não deites nada para o chão. Assim estarás a destruir a floresta, poluindo-a.
O que fazer então? Utiliza um saco e leva o lixo para um local onde façam a sua recolha, no final do acampamento.
... não grites com os teus companheiros nem utilizes rádios. Se procederes de modo contrário, não poderás disfrutar do "silêncio" da vida em campo e estarás a perturbar o "habitat natural" onde te encontras.


"Procura deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraste". Baden-Powell"

19 março 2009

A ARTE PRECISA DE FINANCIAMENTO

Uibaí vem passando por um momento muito interessante em termos de manifestações culturais. A Aupac, o grupo Seu e o Gpec têm protagonizado uma intensa movimentação regada a teatro, música e poesia. Tá faltando a valorização desses agitadores culturais. Tá faltando uma política cultural que propicie condições financeiras mínimas para esses profissionais continuarem o trabalho bonito que vêm desenvolvendo. Arte e cultura precisam de incentivos financeiros. Quem trabalha de graça é relógio... Aliás, o relógio cobra a pilha! Há braços!

13 março 2009

SERRA DEGRADADA NO POÇO

Na visita que fiz à fonte Gasta Sabão, no povoado do Poço de Uibaí, em janeiro/2009, tive uma visão desoladora. Apesar de ter chovido um pouco, encontrei mais cinzas do que verde. O último fogo que aconteceu naquela região, na serra entre o Poço e Olhos D'agua, segundo informações de moradores, durou aproximadamente 20 dias. Essa queimada provocou clareiras enormes, deixando a serra inóspita. Os riachos outrora existentes, agora não têm água nem pra passarinho. Frutas silvestres como murici, puçá, guabiraba, araçá, quipá etc., agora só existem no imaginário do povo, só na literatura. Fauna e flora estão praticamente dizimadas. Temos apenas resquícios de vida.

(Sêneca Fernandes, para o boca do inferno)

07 março 2009

BURRICE E DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

Banheirão em 1989, depois de ser desentupido.
Durante muito tempo, Uibaí foi, para a região de Irecê, o oasis das águas frescas e saudáveis. O lugar aonde as pessoas vinham buscar água cristalina ou desfrutar do lazer que os riachos e nascentes da serra ofereciam durante o ano inteiro.
Até meados dos anos de 1980, o Banheirão, por exemplo, recebia um fluxo significativo de pessoas de muitos municípios da região. Ocorre que paralelo a esse desfrute turístico e utilitário dos recursos hídricos de nossa serra também prosperava (e ainda prospera) uma irracional prática predatória do meio ambiente.
Entendam como predação ambiental a implantação descontrolada de roças ao longo da serra bem como a proliferação criminosa de queimadas, do comércio de postes, pedras e da fauna silvestre. Tudo isso somado gerou uma violenta degradação ambiental que teve como resultado o definhamento das nascentes e a escassez do nosso mais apreciado recurso. Não dá para esquecer os entupimentos da barragem no final da década de 1980. A cada estação de chuva, a cavidade da barragem ficava completamente preenchida de areia, resultado do assoreamento gerado pelo desmatamento produzido serra acima.
A Canabrava entrou a década de noventa com uma crise profunda de abastecimento de água e com as nascentes e riachos quase extintos. Durante esse período, nada, praticamente nada foi feito para salvar a serra. Quanto à escassez de água, o município foi salvo pela chegada da água proveniente do açude de Mirorós. Uma água, embora potável, com uma qualidade muito inferior ao produto outrora abundante nas grotas da Serra Azul. O povo sofreu para se adaptar ao caldo grosso e meio salobro que passou a jorrar das torneiras vigiadas pelos registros da Embasa.
O período de otimismo que se instaurou com a chegada da água de Mirorós tem dois lados. Por um lado, deu descanso para as nascentes que deixaram de ser sugadas com o fim de alimentar as residências uibaienses e de demais municípios e também estimulou a expansão urbana, mas, por outro, deu a entender que não precisávamos mais dos recursos da serra, podendo-se, portanto, continuar a destruí-la à vontade e de forma voraz... Infelizmente foi o que aconteceu.
A falta de consciência e a desinteligência nossa, não nos permitiram perceber que aquela ocasião seria o momento exato para cuidar da serra, para proteger nossas águas e transformá-las em fonte turística de divisas e de qualidade de vida para Uibaí. Preferimos ignorar tudo isso e destruir cada vez mais nossos recursos naturais, já que o problema hídrico estava resolvido. Santa burrice!

Faltou-nos visão a médio e longo prazo. Infelizmente, não levamos em conta que a barragem de Mirorós também poderia entrar em colapso. E é exatamente isso que estamos presenciando agora. Novamente, o fantasma do desabastecimento ronda a região de Irecê. O baixo nível da água no açude de Mirorós, que abastece 486 mil pessoas em 14 municípios da nossa região, começa a preocupar as autoridades e a virar tema de discussão. O problema é este: as autoridades só se preocupam quando o estrago já está feito. Dados do Ibama e da Embasa apontam entre as causas da diminuição brusca do volume das águas, a degradação das nascentes e das matas ciliares dos rios que alimentam a barragem e o uso abusivo e descontrolado do referido produto.
Em Uibaí, a Codevasf, já ciente da crise de água por que a região começa a passar, resolveu investir na recuperação ambiental da serra, por saber do potencial hídrico que está sendo desprezado ali. E a prefeitura, e as entidades organizadas do município, como vão entrar nessa história? O que estão fazendo? Uibaí tem um produto precioso em seu território e ignora isso. Qual será o preço a pagar? HÁ BRAÇOS!

Alan Oliveira Machado

18 fevereiro 2009

10 fevereiro 2009

QUEM BEBE NA MINHA FONTE
VÊ O ABISMO QUE HÁ
DENTRO DE SI COM UMA PONTE
PRECÁRIA A BALANÇAR
(dioniso tamanduá, de volta do exílio)

04 fevereiro 2009

CASAS DE ESTUDANTES COBRAM DO PREFEITO

Recebemos notícias aqui de que o novo prefeito Pedro Rocha eceitou se sentar com as casas de estudantes para traçar um plano de ajuda financeira a essas entidades. Até o momento, nada demais: Hamilton, em 1982, também se dispôs a ouvir as casas, porém não moveu uma palha para melhorar a situação dessas moradias; Renato, da mesma forma, pouco fez além de persegui-las. O repugnante Renatinho, um dos piores "administradores" que Uibaí já teve, só providenciou a aquisição da sede da Ceu, depois de muita pressão, insistência e briga dos estudantes e das familias uibaienses; Raulzinho ouviu a turma das casas, fez proselitismo e tirou o dele da reta na hora H... Sinceramente, ao contrário dos outros, a gente espera que Pedro Rocha responda com seriedade às reivindicações das Ceus e cobre um retorno social dessas moradias em Uibaí. Nada melhor do que aproveitar parte das férias no pé de serra para prestar algum serviço à comunidade. Há braços!

28 janeiro 2009

POR UM MUNDO MENOS GANANCIOSO

A crise mundial pela qual estamos passando pode trazer efeitos mais que inesperados. Após anos de certezas e progressos moldados num estilo de vida e de sociedade baseados no consumo e na acumulação indiscriminada de riquezas, surgem questionamentos por todos os lados: até quando o mundo vai suportar esse modelo econômico volátil, baseado na especulação financeira e em fórmulas artificiais inventadas por banqueiros ávidos por montantes fabulosos?

A ansiedade perdulária e o oportunismo que fizeram crescer a bolha imobiliária americana, responsável pela crise em que as economias do mundo estão mergulhadas, derreteram-se diante da falência de dezenas de grandes empresas e bancos pelo mundo afora. O certo é que o modelo de exagero em que vivíamos dificilmente retomará espaço. Isso significa que inevitavelmente estamos abrindo uma nova era que, a depender da pressão do povo em escala planetária, possivelmente poderá ser mais justa e igualitária.

Em se concretizando essa tendência, a principal alternativa será o caminhar da maioria e não o de um só, buscando o benefício comum. Nesse ínterim, naturalmente vamos estreitar as relações socioeconômicas e rever algumas ordens estabelecidas por aqueles que não se adéquam ao espírito coletivo e que sempre buscaram explorar.

O importante no momento é a possível quebra do ideal de aceitar a dificuldade e a submissão. Buscar os direitos estabelecidos, cobrar daqueles que fazem algo errado e fazer melhores escolhas perante as situações por vir,como por exemplo uma eleição, podem representar uma mudança muito importante nesse quadro .

Para seguir na história não basta o pensamento de mudança estar semeado em cada um. É preciso existir também a vontade de ser a mudança e de tomar atitudes condizentes com o objetivo de um mundo melhor e mais justo.




(Pedro Moreno, para o boca do inferno)

21 janeiro 2009

BOCA DO INFERNO 40, jan/fev 2009

CONTRA AS ABOBRINHAS DOUTRINÁRIAS
Entre os arroubos de mediocridade e de dissimulação de ignorância que a academia produz para proteger interesses ideológicos estão a distorção das ideias e do sentido da obra de certos autores que, se lidos, impediriam a eficácia da doutrinação nos feudos universitários. Creio que, entre outros, um dos autores mais perigosos e, portanto, mais distorcidos é Friedrich Nietzsche. Dentre as abobrinhas ideológicas que já ouvi de bocas e li em textos de universitários está a de que Nietzsche não é filósofo, porque não tem um pensamento sistematizado.
Nesse caso, a ignorância é dupla: primeiro os imbecis que afirmam isso consideram Sócrates e uma porrada de outros pensadores que nem textos escreveram como filósofos, mas Nietzsche não pode ser. Depois dão uma prova cabal de que não leram sequer uma página da obra nietzschiana, pois se o tivessem feito saberiam que a filosofia de Nietzsche é uma crítica aos valores ocidentais e sobretudo ao modo torto de pensar e de fazer ciência no ocidente. Ele próprio em um prefácio crítico ao seu primeiro livro " A origem da Tragédia", afirma em tom de autocrítica que não deveria ter escrito daquele modo tal livro já que o tal modo de proceder era objeto de crítica no livro. Diz assim esse pensador genial:"Quanto lamento agora que não tivesse então a coragem (ou a modéstia) de permitir-me, em todos os sentidos, também uma linguagem própria para intuições e atrevimentos tão próprios"...[1]
Outra forma vil de afugentar as ovelhas universitárias do pensamento livre de Nietzsche foi tachá-lo de antisemita, de nazista. Primeiro, não há uma linha de antisemitismo em Nietzsche. Quem leu a obra, que notadamente é do séc desenove, antes do nazismo portanto, sabe disso. Uma coisa é Friedrich Nietzsche, outra coisa foi o que a irmã dele, Elizabeth Forster, fez com a obra do filósofo, muito depois da morte desse autor. Simpatizante do nazismo, ou querendo fazer média com o poder, Elizabeth e o marido usaram e deixaram que usassem o pensamento do irmão filósofo de forma baixa e desrespeitosa. Distorceram cinicamente tudo.

Quanto a isso já até ouvi debilóides universitários afirmando que a teoria do super-homem de Nietzsche confirma seu gosto pelo purismo do tipo ariano de Hitler. Uma vez, de saco cheio, eu perguntei a um imbecil desses se ele sabia o que significava "übermensch" em português. Não soube responder. Tive que dizer que era o termo alemão que Nietzsche usou em sua obra e que a tradução mais honesta para o português seria "além homem", mas que esse termo foi traduzido maldosamente como super-homem o que torna incompreensíveis as relações que fazem entre o pensamento do autor de Genealogia da Moral e esse delírio de homem puro e máximo.
Mas parece que a distorção vingou, até porque não há hábito de leitura no meio universitário. Quando muito, a maioria dos nossos gênios do terceiro grau leem fragmentos de interpretações, boa parte delas codimentadas com as distorções comuns produzidas pela patifaria intelectual que tem caracterizado a educação de nível superior no Brasil.


(bichu duzimbu, feliz por ter voltado)
[1] NIETZSCHE, F. A origem da tragédia ou Helenismo e Pessimismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

FESTA DAS ARÁBIAS

Dizem que há uma festa das arábias em Uibaí.
Já tem três camelos estacionanos na prefeitura.
As mil e uma noites no país das maravalhas começam
em grande estilo. No melhor do nepotismo.
J.M. da Silva

11 janeiro 2009

TUDO FLUI

"O cobarde, par contre, procura deter o fluxo da vida". ( Henry Miller)*
Eu amo tudo que flui
Do sangue quente da veia
Ao jato infecto de pus.
Da lágrima abundante nos olhos
Ao choro que a produz
Do texto que sai da língua
A tudo que ele traduz

Eu amo tudo que flui
o jorro menstrual da fêmea
o canal que o conduz
O elétron que salta do átomo
Da madeira dura da cruz.
A seiva mineral da pedra
Que escorre pro solo e rega
A vida com invisível luz

Eu amo essa transição eterna
A saliva, o gozo, o esperma
O vapor do hálito quente
Que excita, atiça e intriga
O beijo molhado de noite
O suor sobre a barriga.
Eu amo essa infinita lida.
(bichu duzimbu, de volta do exílio)
* O mundo do sexo

06 janeiro 2009

FESTA DO CABIDE

Dizem que a prefeitura tá promovendo uma movimentada festa do cabide na canabrava. A entrada é restrita. Logo na porta, o convidado precisa tirar a máscara, depois é levado a pendurar o corpo mal passado em um emprego e curtir a vontade. Cabide de emprego... A fila é longa... descamba Rua Grande abaixo, faz uma curva na Quixabeira, atravessa o Caldeirão e segue Canabrava a dentro. Haja leite nas tetas da vaca azul. (JM da Silva)

23 dezembro 2008

18 dezembro 2008

CENAS

Manhã chuvosa
Olhar de esguelha
Na cerca, aberta em flor,
Uma pinha cheia de abelhas.


alan oliveira machado

17 dezembro 2008

ARTE DE RESÍDUOS PLÁSTICOS



Arte sustentável feita de tampinhas pet, recolhidas em restaurantes, bares e nas ruas. Uma boa alternativa para transformar lixo em arte.

Este trabalho, entre outros, foi desenvolvido por Alan Machado e Líris Gamper Machado, com colaboração especial de Anairam Gamper. Ele pode ser realizado em qualquer espaço com muros ou paredes. As tampinhas com cores originalmente variadas podem ser combinadas em belos mosaicos.
Em Uibaí poderíamos ter painéis de temáticas variadas em escolas, clubes, bares e muros residenciais, como o da foto ao lado de 1 metro e 60 cm de comprimento por 60 cm de largura . A medida em que embeleza a cidade, esse trabalho impede que centenas de quilos de resíduos plásticos poluam o ambiente. Há braços!

16 dezembro 2008

MENINO BUCHUDO

Menino buchudo,
No carreiro ou na estrada da fonte
o olhar perdido no mato
Já não alcança o horizonte.

No Banheirão
Ou atrás do Morro Branco
Menino danado
Não pode ouvir um canto.

Perigoso, o badogue
Ele estica o quanto pode
Solta a bola de barro,
O pássaro é quem se fode.

Cheia, balança a capanga
O infante
O peneiro na estrada
O suor pela fronte.
O prazer da jornada
Não é como antes

Arapuca quebrada
Já era o seveiro
Não tem mais passarinho
Gaiola sem puleiro
O visgo esgotou
Nas cicatrizes do gameleiro.
O tempo fechou
Um ciclo inteiro

Não tem mais pataca
Fruto de juazeiro
Morreu jatobá
Murici com seu cheiro
Adeus guabiraba
Imbu, ingazeiro
Mangaba de luto
Puçá verdadeiro
Araçá já sumiu
Do Riacho do Meio
Cadê bananinha
Sem chuva não veio
Meu deus como pode
Um tempo bonito
Perder seu esteio.


(Cosme Bafão, pirado e perdido em memórias da infância)

12 dezembro 2008

BOCA DO INFERNO 39, nov./dez 2008

EDUCAR PARA O MUNDO
A educação brasileira precisa mais do que nunca de profissionais compromissados com uma atuação docente centrada no crescimento intelectual dos educandos, na preparação destes para o domínio dos saberes básicos, na preparação destes para crescerem com plena capacidade de interpretar o mundo, a cultura, para conviver com a diversidade.

A sala de aula não é espaço de doutrinação, não é laboratório sociológico para a formação de militantes em favor de uma ou outra ideologia. A sala de aula, a escola é lugar de convivência com os saberes que constroem as bases sólidas para a sobrevivência na sociedade; é, portanto, o espaço privilegiado da contradição e da pluralidade. O mundo é plural, os desafios da humanidade são múltiplos. Assim, o educando só é capaz de se construir criticamente, solidamente, quando tem acesso aos códigos básicos indispensáveis ao entendimento da existência. De acordo com Sartre, “o homem é responsável pelo que é. Desse modo o primeiro passo (...) é por todo homem na posse do que ele é, submetê-lo à responsabilidade total de sua existência”. Eis, a meu ver, a missão dos Professores, a verdadeira missão dos educadores... Sua importância e responsabilidade na construção de um mundo com a mais verdadeira feição humana.


Há braços! alan oliveira machado

SINDICATO DE LADRÕES

Esta manifestação que vocês estão vendo na foto ao lado, na frente do Congresso Nacional, promovida pela CUT, pela Força Sindical e demais centrais, não é para pressionar o Congresso por um aumento de salário para o trabalhador brasileiro não, nem é para pedir redução de impostos ou redução de juros etc, coisas que afetam a vida de todos os trabalhadores brasileiros. A manifestação ao lado, caros leitores, ocorreu no dia em que o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados (que ética?) estava votando a cassação do deputado corrupto, ladrão do dinheiro público Paulo Pereira (PDT), o tal Paulinho da Força... E sua finalidade era pressionar os deputados a votarem contra a cassação do Paulinho ladrão, do Paulinho propina, do Paulinho mão leve que rapou a grana do BNDES. E a pressão das centrais sindicais valeu a pena... Paulo Pereira não foi cassado e comemorou com muita cerveja ao lado dos amigos da CUT, da Força e demais centrais...


Agora nos respondam: é para isso que pagamos o maldito imposto sindical, arrancado à força do nosso salário? Foi isso que as centrais sindicais sempre praticaram no Brasil, com a diferença de que hoje, não tendo mais a quem se opor, sentem-se à vontade para mostrar seus reais interesses? Fora os interesses deles mesmos, quais outros interesses o sindicalismo brasileiro defende hoje? Os interesses dos trabalhadores certamente eles não representam! ABAIXO A FARSA! Há braços!

11 dezembro 2008

QUIXABEIRA EM MOVIMENTO

vista parcial da Quixabeira, foto do orkut de Baltazar.

O Povoado de Quixabeira por muito tempo passou uma imagem negativa. As pessoas se sucumbiam ao estigma de que dali não vinha nada que prestasse. Mas esquecendo esse passado, busquemos pensar o presente que é bem melhor. Com o passar do tempo, aquele povo mostrou-se diferente. O ingresso de várias pessoas na universidade pública foi um grande passo. Outro passo desenhado pelos quixabeirenses foi a busca por uma nova atitude, um novo pensamento.



Caminhando nessa direção nasceu o Gpec (grupo política, ecologia e cultura) para contribuir com o crescimento do nosso lugar. Ele é muito importante, pois tem uma visão diferente dos outros grupos nascidos em solo uibaiense. Além de ter em vista a cultura, visa também à ecologia e ao engajamento político, garantindo o possível confronto com os desmandos do poder estabelecido.


O Gepec teve uma posição contraria aos dois candidatos à prefeitura de Uibaí, porque eles não apresentaram propostas claras para a população. Mas o grupo não estava querendo apenas ter uma atitude radical, sem um pensamento crítico, e, sim, propor uma discussão mais inteligente sobre a política regional. Não ser apenas contra o pleito atual ou apoiá-lo de forma incondicional sem ter senso crítico, sem ter nada a opinar.


O grupo balançou o cenário político. Deu uma chacoalhada nas pessoas, com a intenção de mostrar que não adianta mudar o nome do candidato sem mudar a forma de se conduzir a política. Defendeu que não basta apenas ter um mestre lá na prefeitura, um senhor condutor da economia, da saúde, da educação a seu bel-prazer. O Gpec mostrou que o povo tem que ter consciência política, tem que estar ali fiscalizando quem ocupa algum cargo público, seja vereador, prefeito, deputado ou presidente da república, pois estes são eleitos pele voto e têm o dever de zelar pela dignidade do povo e pelas coisas do povo. Assim, o Gpec entende que a população tem o direito e o dever de cobrar, de propor e de discordar das ações de seus representantes. Por isso, o Gpec foi contra a forma como se conduz a política uibaiense, por ter consciência de que ela não favorece aos interesses do povo. Os partidos políticos só querem cada vez mais a alienação da população para poderem governar conforme suas cabeças e bolsos.


Na ecologia, o Gpec pensa o futuro da população, o futuro dos filhos, se eles vão viver em um ambiente limpo e saudável. A sustentabilidade, ou melhor, como conviver com a natureza sem matá-la. O grupo procura promover ações de conservação da natureza, como plantar árvores nativas, valorizando o meio ambiente local; reciclar o lixo (como plástico, papel, ferro, zinco etc) existente nas ruas do povoado, e na serra das laranjeiras.


Além de tudo isso, o grupo promove leituras, recitais de poesias em escolas, nas ruas, nas feiras culturais, em semanas de arte etc. A cultura enriquece a população é uma fonte de integração do grupo, tal como é fonte de diversão e integração com a população.


(baltazar lopes cavalcante, para o boca do inferno)



08 dezembro 2008

MANIA DE DESTRUIR ÁRVORES

O texo abaixo foi publicado no jornal O Semanário, de Irecê, já faz algum tempo, mas como as atitudes criticadas nele e seus efeitos negativos persistem, resolvemos publicá-lo mais uma vez, como forma de sensibilizar o povo rumo à reflexão.
Em nossa região, faz parte do hábito político dos administradores públicos levar à risca aquela lição de O Príncipe, de Maquiavel, que diz ser o melhor ao príncipe que conquistou um reino, destruir tudo que puder lembrar o seu antecessor. Péssima lição, já que quem perde é o povo. Mas, como a política em vigor na maioria dos municípios da região é a da malversação do dinheiro público, da corrupção crônica, raramente sobra alguma coisa nos municípios para ser destruída pelos gestores.

Com os municípios em ruínas, não havendo muito que destruir, virou moda na região os prefeitos dizimarem as árvores das ruas e avenidas. Todo início de mandato é a mesma coisa: um caminhão da prefeitura repleto de peões famigerados avança de rua a rua mutilando árvores e arrancando-as pela raiz. Depois da devastação, os mesmos peões gafanhotos retornam plantando mudas de uma única espécie vegetal, onde outrora havia robustas árvores.

Bom, mas a estupidez do gesto desses “administradores da coisa pública” não se resume apenas à mudança de visual e de clima gerada pela eliminação da cobertura verde das zonas urbanas. Além de a empreitada alterar o clima ambiente, a mania de uniformizar a zona urbana com uma só espécie vegetal provoca um desequilíbrio ecológico que vem sendo sentido há muito tempo na região. Não precisa ter boa memória para enumerar as pragas que proliferaram sem controle nas últimas décadas: os potós, com sua secreção ácida, que aterrorizaram a região; os besouros coleópteros que importunaram o sossego dos lares; a praga de fungos que destruiu muitos milhares de mangueiras etc. Mesmo assim, entra prefeito, sai prefeito, cortam-se as mangubas e plantam-se apenas algarobas; derrubam-se as algarobas e plantam-se somente o fícus...

Para garantir a biodiversidade, o equilíbrio entre espécies, a qualidade do ar e do clima, deve haver em uma zona urbana pelo menos 40 espécies de árvores convivendo no mesmo espaço. A cada espécie vegetal corresponde a presença de um número significativo de aves, insetos, fungos e bactérias. Quanto maior o número de árvores, maior a biodiversidade, maior o equilíbrio ambiental. Dificilmente haverá a proliferação de pragas.

É importante salientar também que nem toda espécie de árvore serve para compor a cobertura vegetal urbana. As espécies devem ser escolhidas mediante estudo e impacto ambiental. A título de exemplo, a mesma engenharia florestal que autorizou a criação de florestas de eucalipto em Brasília, com o fim de melhorar o clima, por lá muito seco, ordenou a extinção de tais florestas ao constatar que o eucalipto tem raízes profundas, extrai muita água do solo e tem baixa transpiração, o que tornou o clima da capital ainda mais seco.

A preservação da arborização urbana, quando ignorada, pode trazer transtornos para toda a população, gerando problemas de saúde que oneram tanto o cidadão quanto o município. Na verdade, os administradores, no lugar de em todo início de mandato se preocupar em vestir um novo uniforme verde no município, deveriam sim cuidar da saúde das espécies existentes e já adaptadas à zona urbana e executar um planejamento para o plantio de novas espécies, evitando com isso o desequilíbrio ecológico e todas as suas conseqüências. Quanto à população, acreditamos que sua participação cidadã seria de imenso valor na fiscalização das ações das prefeituras e no controle das espécies plantadas. Sabe-se ainda, pela experiência, que muitos problemas ecológicos ultrapassam o perímetro urbano. A solução desses problemas passará necessariamente pela preservação de matas, rios, riachos e espécies animais. Pensando assim, como diz um amigo ecologista aqui do cerrado, a consciência ecológica começa dentro do nosso quintal, então, vamos cuidar pelo menos dos grandes quintais que são os nossos municípios para, consequentemente, melhorar o quintal de todos que é o mundo.

Alan Oliveira Machado (março de 2000)

02 dezembro 2008

É PEDRO, É PEDRA, É ROCHA, É O FIM DO CAMINHO...

MEIO AMBIENTE QUE SE FODA?
foto ilustrativa

Mesmo sem nem ainda tomar posse, tudo indica que o novo administrador de Uibaí já anda executando um projeto ambiental. Bem ao modo como Hamilton tratou o ambiente no Uibaí dos idos de 1980, quando mandou quebrar pedras na Fonte Grande, o futuro alcaide está despejando pedras extraídas do boqueirão da Fonte Grande na sua posse, na rua do cascalho, lugar onde provavelmente construirá sua residência.


A gente poderia até cogitar que ele não sabe de onde estão sendo extraídas as pedras, já que o programa de governo do futuro prefeito (em texto) propõe a recuperação de áreas ecologicamente destruídas e seria pouco coerente defender uma coisa e praticar o contrário num município tão pequeno em que todo mundo sabe quem entra e quem sai, pra onde vem e pra onde vai... Não, ele não deve estar fazendo isso não, seria estúpido demais, pequeno demais... O novo prefeito não se prestaria a um papel desses.


Já pensaram o contra-senso da situação? Enquanto a Codevasf gasta mais de um milhão de reais para recuperar o boqueirão do Riacho Canabrava, o novo prefeito promove a destruição do boqueirão da Fonte Grande. Não, minha gente, isso não está acontecendo, ninguém seria burro a tal ponto, muito menos o prefeito que vai libertar e reconstruir Uibaí.


HÁ BRAÇOS!

22 novembro 2008

NO VERDE
Na sombra do imbuzeiro
Forrado, o chão oferece
O amarelo maduro da fruta
Exalando cheiro agreste
Por perto se ouve uma pêga
Aninhada no enxerto
Rola-bosta trabalhando
Em um monte de esterco
Nada aqui dá tanto medo
jararaca ou jaracuçu
Só há um medo que ataca
O do bicho dos imbus.
(cosme bafão, para o boca do inferno)

19 novembro 2008

MINHA TERRA

MINHA TERRA
Minha terra, quando chove
Muita coisa acontece
Tem tanajura voando
Sapo cantando em prece
Mariposa e cheiro bom
Barulho da água que desce
No espinho do quiabento
A flor roxa aparece
O sofrê na aroeira
Cantando, a figueira estremece
Vivim, burrim, patativa
Brotam do capim que cresce
Sertanejo assoviando
O feijão no canivete
Milho botando boneca
Pinha inchada amolece
Meu coração bate forte
Alegre, a vida agradece.
(Cosme Bafão, num dia otimista)

01 novembro 2008

BOCA DO INFERNO 38


Cronos devorando um filho, Goya, 1823


SE Ç Ã O I N F E R N A L

Réuzinho começou sua administração com uma epidemia de dengue e vai entregar a prefeitura com o município mergulhado em outra epidemia de dengue. Enquanto o prefeito gastava dinheiro construindo aquela santa de merda lá no asfalto, o mosquito se reproduzia feliz. Pode uma porra dessas?

A cena de Délio, de paletó e gravata e embaixo apenas de cuecas comemorando a eleição de Pedrinho pelas ruas da Canabrava seria uma prévia do que vai ser a nova administração uibaiense? Uma simulação de seriedade permeada de esculhambação?

Mais quantas bofetadas Gilçu Munturo levou na cara depois do resultado das eleições? A sigla PCdoB em Uibaí agora tem outro significado: Partido da Cara pra Bofete!

Olha, diz quem tem um grupo cultural bombando na Quixabeira, o Gpec. Isso é bom, muito bom! Nem só de enxada vive o homem, nem só de estupidez e conversa fiada! A velha Quixabeira merece!



OBAMA E O OBA-OBA!




Abobrinhas ideológicas

Nosso instinto nos leva quase sempre a duvidar de unanimidades. Em política, cujas manobras e negociatas de bastidores marcam o ritmo do que segue encenado no palco, temos ainda mais razões para desconfiar do clamor unanimista. Assim, vamos deixar logo claro: NÃO ACREDITAMOS no bom mocismo desse tal de OBAMA. A mídia brasileira e global é uma adoração só. Usam o apelo racial, a ojeriza que realmente as ações sórdidas dos republicanos causam no mundo para vender Obama como a salvação da américa e da humanidade. Obama? We can't believe it! Chega de oba-oba! Há braços!

30 outubro 2008

SANTO NO ANDOR

Depois da vitória sobre o grupo do prefeito, a frente de libertação, num ato de agradecimento resolveu desfilar pelas ruas de Uibaí com o pai da criança, o companheiro e atual vereador Dorival, nos braços. Tal ato deve ter deixado o prefeito eleito com o monossílabo cortando agulha. O cito vereador é o pai das crianças eleitas, o vice prefeito Rodrigo e a verreadora Vivi e também, o maior vencedor dessas eleições. Viva São Dorim... o nosso companheirim... Haja povo! (Vilmali Rocha, para o Boca do Inferno)

QUANDO A INTENÇÃO É SÓ DOUTRINAR


Na atividade de analista de discurso, aprende-se a lidar tanto com o silenciado quanto com o dito. Ocorre que toda materialização de linguagem se dá por meio de escolhas, conscientes ou não, e essas escolhas silenciam outras possibilidades do dizer que insistem em rondá-lo (nem sempre em boa hora) de tal forma que o sentido do dito tem sua constituição fundada nessa relação entre o que se disse e o que se calou. Todo esse jogo faz muitos sentidos circularem.
Outro dia o professor de história Flávio Dantas alertava Jorge Araújo no uibaionline, de forma inadequada, sobre o uso do termo “denegrir”. Não que o uso do termo “denegrir” trazido por Jorge estivesse referencialmente sendo utilizado no sentido racista com o qual foi muitas vezes empregado no séc. XIX. O alerta de Flávio é que forçava essa interferência, forçava essa relação com a memória.

A palavra denegrir, originada da raiz latina niger que significa “negro”, foi difundida dentro da mentalidade escravocrata que, para justificar a escravidão, classificava os negros escravizados como animais, sujos e degenerados. Assim, denegrir, que etimologicamente significa sujar, manchar, até ficar com cor escura, negra, sem qualquer tintura racial, naquela época (institucionalmente escravista), ganhou uma oportunista conotação étnica e passou a ter o significado de tratar alguém como se fosse negro, ou seja, “sujo, degenerado, animalizado”. Isso quer dizer que a palavra tem esse lastro na memória, mas quer dizer também que a memória traz consigo as condições de produção do sentido da palavra para a época e que na atualidade essa memória não cabe em qualquer contexto. Há inclusive quem conteste a conotação racista do lexema “denegrir”. O escritor Eduardo Martins, por exemplo, ao defender que nem todas as expressões se referem ao negro como etnia, diz que a palavra denegrir surgiu no século XV, portanto, antes da escravidão no Brasil. A informação é correta, mas não procede como argumento.

Em Semântica, disciplina ainda ligada à visão imanentista da linguagem, o que aconteceu com tal vocábulo seria chamado de mutação semântica diacrônica, isto é, quando a palavra muda de sentido com o passar do tempo, chegando a um novo momento histórico com uso e sentido distintos do original. Foi o que aconteceu com o termo “amante” que até início do século XX referia-se positivamente a alguém que ama e hoje refere-se a alguém que participa de uma relação adúltera.

Assim como o uso do termo "amante", atualmente, não permite que se o entenda como "aquele que ama", sob pena de se criar sérias indisposições sociais, o mesmo pode-se pensar sobre "denegrir" quando rotulado como termo racista. Por essas e outras razões deve-se fazer uso cuidadoso das palavras, mas não necessariamente condená-las com base em seu passado infeliz, ainda que verdadeiro. Do contrário, teríamos que abandonar grande parte do vocabulário em uso na atualidade. Vejamos, a título de exemplo, o étimo de algumas palavras bem populares: trabalho, do Latim, tri paliu, ou seja, três paus, castigo imposto pelas tropas romanas aos exércitos derrotados, que consistia em fazer os membros desses exércitos rastejarem sob um estrado feito com sequências de três lanças romanas. Dócil, doçura, em Latim , docere, aquele que se deixa submeter, qualidade de quem é submisso. Cretino, proveniente de um dialeto franco-provençal dos Alpes Suícos , cretin, referente a cristão, pessoa aparvalhada, de raciocínio lento, tola. O sentido se deve ao fato de os vários cristãos fugidos de regiões com baixa taxa de iodo no sal terem desenvolvido uma espécie de tireoidismo que os deixava com aparência de tolos, tontos... Agora, raciocinem comigo: faz sentido apelar para a origem dessas palavras como forma de repreender seu uso, taxando-o de preconceituoso etc., etc., etc.?

Se em termos de linguagem não faz sentido esse tipo de perseguição a palavras, seria essa uma prática fundamentalmente ideológica? Seria uma muleta de discussão com a finalidade de exercer controle sobre os outros? Seria uma forma de criar argumentos para rotular adversários? Se for é ridículo, é coisa realmente de quem não tem argumento.

A esse respeito, lembro-me de que na ocasião em que o livro “Pelas veias da esperança” foi lançado em Uibaí, o professor Juscelito Mendes chegou a dizer que eu, como um dos revisores, deveria ter corrigido a expressão “anos negros da ditadura”, porque o vocábulo, “negros”, fazia referência pejorativa à cor. Tem dissimulação de ignorância mais retardada do que essa? Todo mundo sabe que a expressão, “negro”, no sentido de cor, tem histórico negativo milenar. Está lá nos bestiários medievais, lá nos textos pré-socráticos, lá nos textos de origem persa, egípcios, chineses e indianos. Assim, o termo está apropriado ao contexto em que foi posto. Não fere a ninguém além dos ditadores. Estou vendo a hora de esse pessoal começar a discriminar pessoas que botam luto pela morte de algum ente querido por estarem associando a cor preta à morte, à tristeza e à dor. Ainda bem que a língua não se submete facilmente a esses delírios de milícia.

Simbolicamente, vê-se que a expressão, “negro”, foi utilizada em “anos negros da ditadura” com o mesmo sentido que a cor aparece no "luto" acima referido, ou seja, com sentido de tristeza, dor e perda. Mais que isso, como ausência de luz, contrário ao dia, levando-se em conta o dia como sinônimo de vida, uma vez que o sol é responsável pela progressão e sustentação do ciclo vital. Tal uso insinua que a vida foi podada no período militar, que aquele período foi de tristes perdas. A simbologia, embora tendenciosa, é coerente. Seu uso se deveu à necessidade de marcar um posicionamento ideológico com relação às práticas do regime militar. E esse uso é visceralmente humano. Agora, despropositado é querer fazer hegemonia discursiva, “patrulha ideológica” com esse tipo de argumento. Banalizar o sentido do que se diz com abobrinhas ideológicas é querer instituir a incapacidade de pensar. Se a intenção for mais discutir do que doutrinar, é melhor procurar entender a expressão dentro do contexto em que foi usada.

O lamentável de tudo isso é ver que há pessoas que caem irrefletidamente nessas armadilhas retórico-doutrinárias. Foi triste ver o pobre Jorge desamparado, se sentindo (ironicamente) a ovelha negra do rebanho, achando que cometeu um pecado terrível, pedindo desculpas e lamentando o seu infortúnio.

Há braços! alan

24 outubro 2008

VAMBORA!


VAMBORA


Aos meus amigos A. Machado, L.D. Ungarelli e W. Hungria
( entre poucos e fiéis outros...)




Vou me embora pra Pasárgada

Bandeira mostou o caminho

e o Quintana me falou

que posso ser passarinho.

Arrumar minha boroca

e botar o pé na estrada

pitu, tabaco e paçoca

não preciso de mais nada.

Às vezes tão quixotesco

às vezes tão delirante

de traço tão pitoresco

e almejando ser Cervantes.

Se não der, vou pra Atenas

aqui eu não fico mais

vou fugir da minha pena

gritei : Solte Barrabás !!!

Vou me embora pra Pasárgada

quem quiser, venha comigo

lá conheço a dona Juana

que me prometeu abrigo.

Vou tomar minhas branquinhas

com farofa de torresmo

cá tenho de andar na linha

lá eu posso ser eu mesmo.

Vou me embora, vou me embora

aqui eu não fico mais

levarei a doce aurora

pras noites de alguns ais.

Vou me embora, e já me arranco

levarei Drummond comigo

coitado, tão esquecido

sentado naquele banco.

Creio já chegada a hora

de buscar o meu quinhão

já está ficando tarde

me diz o meu coração.

E Drummond me diz surrindo:

E a minha Itabira !?

Se eu não levá-la comigo

minh"alma queda no limbo.

Eu direi: calma colega

Seu Manuel já está lá

só levou um burro brabo

e agora nem quer voltar...

Vou me embora, companheiros

a todos, o meu abraço

me sentindo o derradeiro

mas quero sair do laço...





(Ozênio Dias, num dia chuvoso de sembro de 2008)

23 outubro 2008

O ÓDIO É BEM MAIOR!

Para Suelena e sua turma ortopterofóbica.


Ontem (21-10) choveu pra Noé nenhum botar defeito. Depois do forte temporal que desabou sobre a cidade, não é que uma velha barata foi se refugiar na área de serviço lá de casa. Soube dessa visita nenhum pouco ilustre mediante os dois gritos agudos de minha filha. Dizem que o medo feminino de baratas é ancestral. Corri ao encontro dos gritos e me deparei com uma cena comezinha. A menina em cima da cadeira e a um metro e meio, amarrotado e arquejante, o nefasto ortóptero.

Baratas são bichos repulsivos, indesejados, tradução da mais unânime repugnância. Entretanto, confesso que por um segundo não consegui vislumbrar mais do que um inseto fragilizado, desesperado, cheio de medo e susto. A pobre barata só queria se recuperar do terrível princípio de afogamento que possivelmente sofrera na tubulação de água fluvial. Abandonou o desconforto da boca de lobo inundada, antes seu aprazível lar, em busca da sobrevivência. Esse átimo de compaixão me ocorreu logicamente antes de eu desferir uma vassourada certeira no vil inseto. O golpe o deixou em tremeliques, grudado no chapisco do muro. Afinal, o amor incondicional à vida deve ser instintivo, mas o ódio às baratas é bem maior. (alan oliveira machado)

22 outubro 2008

RECEITA

RECEITA
Amole a faca do sonho
corte a vida em fatias
evite muita sangria
pra o corpo não padecer
coloque as postas de molho
no sal justo da razão
não se esqueça da emoção,
junte, ao molho, prazer.

depois de temperada a vida
populacho vira povo
o que é ruim não vem denovo
na mudança de estação
movimento solidário
de crescer além do horário
do relógio, da TV.

a vida ferve ativa
nutrida, codimentada
em postas bem preparadas
para o tempo absorver.

(Cosme Bafão, para o Boca do Inferno)

17 outubro 2008

BOLHAS, PULHAS E PÃO


Uns sofrem com a bolha financeira

pulhas da finança estrangeira

outros com bolhas grosseiras

sofrem em busca de pão

bolhas estouradas na carne

que geme escravizada,

quem dera bolhas de sonho, como bolas de sabão

quando o cabo da enxada certeira

infla bolhas roceiras no solo vivo da mão

carne vermelha arrancada

na madeira bruta da enxada

ou na arranca do feijão

o sal do rosto escorrendo

molhando a carne ardendo

veneno da exploraçao.

Pra uns a bolha é ganância

consumo desembestado

pra outros a bolha é um estado

menos homem, mais arado

de bicho coisificado

adubo do solo ralo, dejeto de aluvião.


(Cosme Bafão, para o Boca do Inferno)

11 outubro 2008

ELEIÇÕES DE UIBAÍ, ENTRE 2004 E 2008

A famosa batalha de Pirro
UMA VITÓRIA DE PIRRO?

Pedro Rocha está com a barriga esfolada, ganhou a eleição com minguados 14 votos de frente... Passou arrastando. Quase perdeu. Os 14 votos que lhe garantiram a vitória têm como enfeite o couro da barriga do candidato e o couro moral de muita gente que se sentiu na obrigação de apoiá-lo, embora repudiasse as coligações amarradas pelo grupo defensor da candidatura. É possível inclusive que o referido candidato tenha perdido a liderança já tradicional na sede. A verdade é que de 2000 para 2004 sua frente na sede caiu visivelmente (alguém que tenha os dados nos ajude). Essa vitória está com cara de vitória de Pirro! Sabem aquela guerra desastrada do rei Pirro? Confiram depois!

O certo é que os dados para vereador, cujas variáveis são muitas, vão dando elementos para ver a oscilação avaliativa do eleitor. Vejamos alguns exemplos:

Vilmar, de 544 votos em 2004, caiu para 254 votos. Desempenho medíocre, muito abaixo da votação que recebeu em 2004, quando foi o segundo mais votado. Muito menos que a metade dos votos. O péssimo desempenho de Vilmar tem algumas variáveis, uma delas é a sua inexpressiva atuação parlamentar. Outra deve ter sido achar que poderia ser reeleito sem muito empenho na campanha, como fez Tarcísio em 2004. Comenta-se também que ele teria tentado passar votos para Dóris. Politicamente é um fracasso.

Já Dóris, de ínfimos 194 votos em 2004, saltou para 397 votos. Evoluiu muito com relação a 2004, mais que o dobro. Visivelmente, o candidato que mais se beneficiou da coligação com o grupo de Dorim (fora o próprio Dorim) foi Dorisdei. Nenhum outro candidato da coligação conseguiu nem mesmo dobrar os votos de 2004.

Armênia, dos 307 votos em 2004 que quase a deixaram fora da câmara, saltou para 579 votos. Evoluiu surpreendentemente, quase dobrou a votação. Esse foi um caso parecido com o de Dorisdei. Do lado de Raul, Armênia se beneficiou da ausência de Dorival e Mãezinha que tiveram respectivamente 728 e 404 votos em 2004 e arrematou a maior votação individual de 2008 para vereador.

Tarcisio, de 411 votos recebidos em 2004, conseguidos praticamente sem campanha, evoluiu bem para 498, mas coloca em dúvida o prestígio eleitoral de alguns de seus apoiadores que sustentam a tese de que ele deve ser vereador eterno em Uibaí.
Davi do Poço, a exemplo de outros, teve fraco desempenho. Dos 379 votos obtidos em 2004 subiu para 412 nessas eleições. Dividiu os votos do PDT com um tal Frank que não foi eleito, embora tenha recebido uma votação razoável, 303 votos.
Djalma, dos sofridos 91 votos de 2004, evoluiu para 141, poderia ter obtido vantagens da coligação, mas, ao que parece, é uma presença negra incômoda que gravita em torno do miolo do poder da frente. Há comparsas de coligação que não perdem chance de rechaçá-lo, sobretudo os do PT.

Dorival, o candidato mais votado em 2004, com inacreditáveis 728 votos, abriu mão da disputa para beneficiar notadamente Dorisdei. Fora a própria Dorisdei, cuja personalidade desperta pouca afeição popular, foi Dorim quem a impossibilitou de se eleger em 2004. Mas, de reconhecida habilidade e cara de pau, Dorim faturou o cargo de vice-prefeito para o filho e emplacou de lambuja uma herdeira política (Vivi) na câmara de vereadores, com 368 votos. Dorim e Dóris são os grandes vencedores da coligação.

Para fechar essa análise parcial, resta falar do PC do B, que evadiu da frente em troca do cargo politicamente simbólico de Assessor de Comunicação da prefeitura de Raulzinho, ocupado por Gilson Monteiro. O PCdoB continua insignificante, seu capital eleitoral se resume aos ridículos 104 votos obtidos por Marcos Monteiro, irmão de Gilson. Se já eram zero à esquerda (matematicamente falando, porque politicamente nunca foram de esquerda), agora são mais do que nunca.

Por fim, há uma “surpresa” eleitoral: o tal Marcão, do grupo de Raul, que se elegeu com 563 votos. É bom frisar que apenas ele e Armênia viraram a casa dos 500 votos nessa eleição. Embora novato na disputa, Marcão foi o segundo mais votado. Sua expressiva votação e a de Armênia servem para questionar quem saiu concretamente mais forte da eleição. Aliás, as legendas campeãs de votos para vereador foram o PTB de Armênia, com 2616 votos; o PSDB do tal Marcão em segundo lugar com 1520 votos, ambos da base de Raul. O PT de Dóris e cia, com Wagner, helicóptero e tudo, amargou um terceiro lugar, com 1455 votos. Talvez a vitória de Pedrinho e sua frente saco-de-gatos esteja mais para uma vitória de Pirro. Há braços!

05 outubro 2008

CORDEL DO PUXA-PUXA

Puxa-saco é bicho escroto
Não perde ocasião
Vai do céu ao esgoto
Para agradar o patrão
Se fica em riba do muro
Não é por indecisão
É pra escolher a fachada
Do patrão que mais agrada
Pra fazer encenação
Babar ovo, lamber bota
Bajular com devoção.
(J.M. da Silva)

25 agosto 2008

O MESMO VEM AÍ!


Na disputa encarniçada
Pelo queijo do poder
Mocós, ratos sem escrúpulos
Descambaram a roer
Os princípios mais sadios
Que um povo pode ter
A ética é a da grana
A honra é a do gatuno
O sorriso da hiena
Que desprezo mais profundo
Nada de novo se cria
Aí se põe fim no mundo
E o sonho de alegria
Desfalece moribundo.


(J.M. da Silva)

16 agosto 2008

MAIS UMA DE MARIA SOPÃO

Maria Sopão apareceu com uma piada nova nestas eleições. No pleito passado ela posava de mãe dos pobres e distribuía sopão de miojo na periferia, agora ela quer dar uma de adida cultural uibaiense. Foi o que aconteceu no recente comício realizado com Jaques Wagner em Irecê. Sopão foi chamada ao palanque como a candidata que incentiva a cultura em Uibaí. Essa é boa! Só esqueceram de explicar que a cultura incentivada por ela é a cultura da discrininação, da panelinha, da arrogância, do mandonismo, da fisiologia, da compra de votos... Perguntem para os artistas canabrabeiros que participaram da oitava Seac qual foi o incentivo que Maria Sopão deu a eles. A morte é cega! KKKKKKKKKKKKKKKKKKK HÁ BRAÇOS!

15 agosto 2008

O FETICHE DO ESCRAVO É O CORONEL

É impressionante a incapacidade que Ruis, Savignys, Celitos, Pitas e congêneres têm de criticar o pessoal da Frente de Libertação de Dorim. Eles se comportam como impotentes, mudos, com relação a essas figuras, mesmo sabendo que as tais estão erradas. Às vezes chegamos a pensar que estão enfeitiçados. Seria o fetiche do escravo pelo coronel, pelo patrão, que levado as últimas consequências o torna capitão do mato?

Em vez de representarem uma real defecção, o mais que nossos garotos fazem é deferência aos Pedrinhos, Vilmar, Pepês e Dorisdeis da vida. Que pena! É a inteligência aprisionada pela necessidade de agradar, domada pelas cercas do rebanho. É o talento a serviço do atraso.


O Boca do Céu-27, como já não pode negar o que a gente vem denunciando desde a eleição de 2000, consegue escrever um texto sem sequer fazer referência aos santinhos do PT de Uibaí. Nós cá ficamos pensando, o que é que esse pessoal deve a esses merdas de Uibaí? Se não deve nada, só pode é ter sofrido lavagem cerebral. No lugar do "O sonho não acabou", se silenciando sobre a turminha dorivalesca, as belas adormecidas deveriam meter o dedo na real ferida do petismo canabrabeiro, pra ver se resta algo além de necrose e pus.
HÁ BRAÇOS!

07 agosto 2008

O TRIUNFO DAS NULIDADES!


Aconteceu assim: eles venderam a imagem de esquerdistas durante um bom tempo, não por convicção alguma, mas porque jamais puderam comer do queijo municipal como queriam. Lógico, nem Renato deixou a TFP por a mão na coisa e por mais que eles fossem caras de pau e conseguissem fisgar uma migalha aqui outra acolá, sempre foram chutados, como uma gulosa e indesejada ameaça. O certo então era se fazer de oposição, de defensores do povo. E deu certo até quando eles perceberam que havia possibilidades de tomar definitivamente o queijo do poder para si. Aí, essas bestas triunfantes começaram a praticar tudo que, com a maquiagem de esquerda borrifada na cara, sempre criticaram. Por fim, quando perceberam que estavam num caminho sem volta inventaram a justificativa estapafúrdia de que “a hegemonia do partido” foi quebrada pelo presidente Lula e pelo governador Wagner. Gostaríamos de saber se a vergonha na cara foi quebrada também, a falta de escrúpulos, de brio. Eles agem como se tivessem sido obrigados a vender a alma ao Diabo. Mentira, mentira, mentira! Se hoje sorriem abraçados a Reinaldo Praga, Dorim e companhia é porque na verdade nunca se diferiram deles. Porém, para não perderem o voto dos esquerdeiros enganados precisam sustentar a teoria idiota da quebra da “hegemonia do partido”, precisam passar a responsabilidade da atitude deles para alguém de fora ou algo superior. Diante disso, a gente fica pensando em como anda a cabeça dos bobões, apaixonados defensores desses farsantes. Será que eles enfiaram a cara na bunda ou ainda estão balançando esquizofrenicamente o rabinho atrás dessa gente porca. A morte é cega!

HÁ BRAÇOS!

19 junho 2008

MANIQUEÍSMO E CACIQUISMO


A política uibaiense vem sendo pautada há muito tempo, erroneamente, por um tipo de maniqueísmo tosco, praticado por todos os segmentos políticos e que queiramos ou não, por determinações históricas e sociais, estamos lotados em um dos lados desse maniqueísmo. Nossa imagem está vinculada a um desses lados, mesmo que muitas vezes a contragosto. Claro que isso não acontece de forma serena com o Boca do Inferno. É perceptível que estamos desmontando esse maniqueísmo já faz um tempo, rejeitando-o como rótulo e, por isso, criando uma interminável celeuma em torno do que escrevemos e a respeito do lado que estamos. Na verdade, quem está acostumado a refletir criticamente sobre a realidade não se prende ao monótono binarismo maniqueu. Assim, imersos na atmosfera da conjuntura canabrabeira, assistimos aos equívocos abundarem, uma vez que quem pensa por maniqueísmos parece não conseguir raciocinar além do jogo de extremos que não se misturam. Mas isso não é totalmente verdadeiro na Canabrava. Temos a impressão de que para muitos da tal Frente de Louvação a Dorim, por exemplo, o raciocínio ganha outra nuança, ou seja, para muitos a política é um jogo de sujeição a caciques e nesse caso o maniqueísmo entra enquanto é conveniente. Por esse viés, as pessoas são julgadas não propriamente por serem do bem ou do mal, mas porque são gado dos caciques da situação, ou gado da oposição, não restando espaço para meio termo, para terceira ou quarta via. Os pressupostos dessa nuança possibilitam a Mocós e Ratazanas realizar qualquer negócio, qualquer aliança. Fazer alianças seria algo como ampliar o curral. E que fique claro: nenhum boi deve se atrever a fazer a "revolução dos bichos", não necessariamente como aquela de George Orwel, e ocupar o lugar dos donos da boiada. Há braços!

17 junho 2008

LIBERTAR E RECONSTRUIR O QUÊ?

A estratégia política mais antiga é aquela na qual um grupo que deseja o poder arranja um inimigo, um culpado para todas as desgraças sociais ou existenciais da sociedade e oportunamente se apresenta como o oposto, como o salvador, como o herói que vai destruir esse inimigo, eliminar as desgraças, restaurar a paz e a tranquilidade social. Nessa manobra política, tenta-se o tempo todo demonizar o opositor, associando a ele tudo que é negativo e atribuindo a si o lado bom de tudo. Instaura-se, desse modo, o maniqueísmo, a luta do bem contra o mal e incita-se o povo a fazer a óbvia escolha. Isso é tão antigo que Catão o Velho, sensor e consul romano, (muito antes de Cristo, 243 aC) ao perceber os perigos que a rica cidade de Cartago representava para Roma, incansavelmente atribuia toda desgraça romana à existência da próspera Cartago e propalava que Cartago deveria ser destruída para o bem de Roma. Daí a frente, todo desvio de costume ou delito passou a ser associado à influência de Cartago o que levou os romanos a destrui-la.

Mas o que acontece quando um grupo aposta no maniqueísmo como estratégia e é surpreendido pelas imposições nem um pouco maniqueístas que as instâncias mais altas do poder ligadas a ele determinam como caminho político mais adequado? O natural seria esse grupo entrar em crise, fragmentar-se e afundar-se no desencanto. Só que isso não acontece com o grupo da Frente de Uibaí. Primeiro porque não houve imposição nenhuma, depois porque eles não podiam ser surpreendidos pelo óbvio, pelo que estavam cansados de praticar. O maniqueísmo Rato/Pato, Direita/Esquerda sempre se mostrou ser mais dissimulação eleitoral do que diferença ideológica, pelo menos para o núcleo duro da Frente. Na eleição de 2004 já dizíamos que o grupo da frente era heterogêneo e que o maniqueísmo consistia tão somente num discurso ideológico conveniente e muito toscamente adaptado a uma briga histórica de caciques. No fundo, no teatro eleitoral canabrabeiro tudo não passa de uma briguinha de parentes, herdeiros de épocas passadas em que seus pais e avós, e somente eles, se alternavam no poder. Época que rendeu boa vida para eles, mas não para o povo de Uibaí. Estamos feitos com uma merda dessas! Há braços!
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OBS: Mas que se cuidem as ratazanas que estão se unindo aos mocós, pois há quem diga que toda essa promiscuidade política durará somente até os mocós ocuparem o poder. Na verdade, correm pelo pé da serra rumores de que eles não vão dividir o queijo municipal com ninguém e vão banir os ratos que se atreverem a tocar no que é deles (é deles?). Tem mocó rindo à toa por aí.

08 junho 2008

A MISÉRIA DA ÉTICA

O que representa e quais reflexos terão esse comportamento dos 'salvadores e reconstrutores' de Uibaí na orientação da comunidade canabrabeira? Eis um tema para se ir pensando. De entrada recorro a Cornélius Castoriadis em "A miséria da Ética", para esboçar uma primeira provocação. A opção pelo pragmatismo político, que já pode ser tratado como uma espécie de carlismo vermelho, deve instaurar uma "crise de significados imaginários sociais, (...) esses significados são o fator de coesão da sociedade". Com esse imaginário social, vetor da unidade da população, em pedaços o que restaria além da aposta no vale tudo? Quem vai querer saber de consciência, organização popular, bem-estar social etc.? Estamos em plena "miséria da ética", na época em que um Frankstein político se levanta para abraçar o poder a qualquer custo. E todo mundo no mocó... Mas o povo está cansado de saber (o povo não, nós, porque o povo parece que não cansa) que por trás de Franksteins sempre existem os cientistas malucos que os criaram. Não adianta se esconderem, vocês vão ser responsabilizados. Estamos feitos com uma merda dessas! Há braços!
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Para o grupelho aí que tá se organizando para montar um mocóonline no lugar do uibaionline vai uma questãozinha respondida: por que Délio não pode ser o candidato a prefeito da mocosada canabrabeira? Essa é fácil... Porque Délio, muito embora seja advogado, conhecedor das leis, está com dupla filiação. Filiado a dois partidos, coisa que demonstra que há interesses acima da ética, ele legalmente não pode concorrer. Basta saber se há vontade e tempo para largar um dos ossos! HÁ BRAÇOS!

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Uibaí desta vez vai pra frente... Vai ser realmente reconstruído... Vai ser salvo... Vai ser a Cuba da Bahia... Os revolucionários estão tentando emplacar o filho de Dorim para vice de Pedro Rocha. Já que infelizmente não se pode mais contar com o companheiro Dedê, Dorim vai salvar Uibaí... A morte é cega! kkkkkkkkkkkkkkk!

30 abril 2008

MOCOSADA ELEITOREIRA


Nos ocos da Serra Azul
No silêncio, na calada
Por corredores sombrios
Se prepara a mocosada
Mais um ano eleitoral
A barraca ta armada.

Vão aparecer os cretinos
Mocosinhos sem estribeira
Afiando os dentes podres
Pra defender as bandeiras
Do familismo doente
De seus chefes cinco estrelas.

Na labuta envenenada
De mocós com ratazanas
Os mocosim levam tapa
Os mocosão levam fama
E dão risadas dos trouxas
Em suas tocas, de cama,
Lambendo suas feridas
Feitas pelas ratazanas.

Todo pleito é a mesma coisa
Os mocasão saem ilesos
Os mocosim puxa-saco
Apanham de ficar vesgos
Os mocosão, coisa insana,
Em vez de cuidar dos puxa,
Vão lamber as ratazanas.

( J.M. da Silva)

07 abril 2008

03 abril 2008

ENTRE RATAZANAS E MOCÓS




Os ratos, ou melhor, as ratazanas que ACM e seu PFL deixaram de herança para Uibaí começam a sair das tocas para aproveitar a aragem do ano eleitoral. Como mariposas, depois da primeira chuva consistente, os bajuladores e meirinhos infestam as ruas e as locações públicas arrodeando e lambendo esses roedores a troco de migalhas. (a prefeitura nunca gerou tanto emprego como agora) Uibaí é um município em que a bajulação faz parte do caráter político. Tanto no meio que se denomina esquerda quanto no que se denomina direita vigora esse hábito desprezível. O bajulador uibaiense é uma espécie de mercenário de modo que a ratazana ou mocó bajulado tem que atirar umas migalhas ao infeliz vez em quando para evitar uma traição. O bajulador de "esquerda", embora grudado no saco dos mocós, sorri simpaticamente para as ratazanas, afinal, ninguém sabe o dia de amanhã. Há também o bajulador que faz média com todo mundo que ele acha importante, seja de direita ou "esquerda"... Esse tipo funciona como leva-e-traz... Nas tocas tanto de mocós quanto de ratazanas, essas almas servis e desprezíveis fornecem informações sobre mocós para ratazanas e sobre ratazanas para mocós, enquanto vão testando qual é o melhor saco pra puxar. Estamos feitos com uma merda dessas! HÁ BRAÇOS